Ana Paula Araújo entrou na TV Globo por causa de uma fita de vídeo. Em 1995, quando a emissora procurava uma repórter para reforçar a Editoria Rio, a compilação de trabalhos que ela havia deixado no departamento foi escolhida entre muitas outras — e abriu a porta para uma trajetória que soma três décadas de telejornalismo, do noticiário local à bancada do Bom Dia Brasil.
Nascida no Rio de Janeiro, em 15 de abril de 1972, Ana Paula foi criada em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, para onde a família se mudou quando ela ainda era pequena. É ali que começa a história de uma carreira construída antes da televisão: na música, no rádio e na observação atenta dos telejornais que assistia desde os 9 anos de idade.
Como Ana Paula Araújo começou no jornalismo
Ana Paula começou a estudar piano aos 8 anos e, aos 14, passou a dar aulas do instrumento para ajudar nas despesas de casa e no pagamento da escola da irmã caçula. Ainda adolescente, apresentou um programa musical em uma rádio de Juiz de Fora, transmitido tarde da noite nos fins de semana — sem que os pais soubessem.
Formou-se no Instituto Metodista Granbery e, aos 16 anos, entrou no curso de Comunicação Social da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). O primeiro estágio veio na mesma rádio em que já atuava como assistente de produção e locutora de comerciais: passou a fazer reportagens de rua, cobrir eleições e transmitir ao vivo, de improviso. Aos 18 anos, conseguiu um estágio na Rádio Globo, no Rio, e pediu transferência para a Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, onde se formou em Jornalismo.
Antes de chegar à Globo, trabalhou na TV Rio — onde começou servindo café na redação e depois cobriu a licença-maternidade de uma apresentadora de telejornal local —, na TV Manchete e na TV Serra Mar, afiliada em Petrópolis. O primeiro trabalho na emissora foi uma matéria para o Bom Dia Rio com entrada ao vivo. No dia da estreia, o editor-chefe reduziu suas três entradas a apenas uma, por precaução; nos dias seguintes, ela já acumulava três e depois quatro.
RJTV, coberturas históricas e o Emmy Internacional
Em setembro de 1999, Ana Paula apresentou seu primeiro telejornal como titular, o Bom Dia Rio. Em janeiro de 2000, estreou no RJTV ao lado de Márcio Gomes, dupla que durou até 2006, quando se afastou para a licença-maternidade. De volta ao trabalho, atuou como repórter do Jornal Hoje, onde fazia a coluna Conversa ao Vivo, e em 2009 assumiu sozinha a bancada do RJTV – 1ª Edição.
Foi nesse período que ela passou horas seguidas no ar em coberturas que se tornaram referência. Em abril de 2010, ancorou o noticiário durante dias na tragédia do Morro do Bumba, em Niterói. Em novembro do mesmo ano, acompanhou ao vivo a ocupação policial da Vila Cruzeiro e do Complexo do Alemão — transmissão em que ficou cerca de oito horas ininterruptas no ar e que, no ano seguinte, rendeu à Globo o Prêmio Emmy Internacional, na categoria Notícia. Em janeiro de 2011, cobriu as enchentes na região serrana do Rio, que mataram mais de 500 pessoas.
Uma das primeiras apresentadoras a dispensar o teleprompter na condução de um telejornal, Ana Paula ficou marcada pela habilidade de improviso em transmissões longas. Entre 2010 e 2013, comandou o Estúdio Globeleza, recebendo convidados que avaliavam os desfiles das escolas de samba do Grupo Especial. Também mediou debates a governador em Teresina, em 2010, e no Rio de Janeiro, em 2014 e 2018.
Bom Dia Brasil: a bancada que ela ocupa desde 2013
Em 30 de setembro de 2013, Ana Paula Araújo assumiu a bancada do Bom Dia Brasil ao lado de Chico Pinheiro, como sucessora de Renata Vasconcellos. Com a saída do colega da emissora, em abril de 2022, passou a ser a única apresentação do matutino, que vai ao ar de segunda a sexta-feira para todo o país.
Ela também integra o rodízio de fim de semana da bancada do Jornal Nacional, telejornal que teve em William Bonner um de seus principais nomes, e aparece como apresentadora eventual no Fantástico, na escala de folgas e férias dos titulares.
O livro Abuso e os quatro anos de pesquisa
Em 2020, Ana Paula Araújo lançou o livro Abuso: A cultura do estupro no Brasil, pela Globo Livros. A obra nasceu do aumento das denúncias de casos de abuso no país e consumiu quatro anos de pesquisa, com viagens pelo Brasil para ouvir mais de cem vítimas, além de familiares, psiquiatras e especialistas no tema.
O livro levou para a prateleira um trabalho de apuração que a jornalista já vinha fazendo no ar, ao noticiar casos de violência sexual e suas consequências jurídicas e sociais. É o ponto em que a experiência de repórter e âncora se converte em reportagem de fôlego, com contexto sobre impunidade, medo de denunciar e o papel das instituições.
O que sustenta a permanência de Ana Paula Araújo na TV aberta
Três décadas de emissora, coberturas de grande porte e uma rotina diária na bancada explicam por que o nome dela segue associado ao telejornalismo brasileiro. Os marcos abaixo resumem essa trajetória:
- Titular do Bom Dia Brasil desde setembro de 2013, à frente do principal noticiário matinal do país.
- Integrante do rodízio de apresentadores eventuais do Jornal Nacional e das escalas de folgas do Fantástico.
- Cobertura da ocupação do Complexo do Alemão que rendeu à Globo o Emmy Internacional de 2011, na categoria Notícia.
- Autora de Abuso: A cultura do estupro no Brasil, publicado em 2020 pela Globo Livros.
Três décadas depois da fita que a levou à Editoria Rio, Ana Paula Araújo permanece na grade da Globo em três frentes: o matinal que apresenta diariamente, o rodízio do Jornal Nacional e as aparições eventuais no Fantástico.


