Por quase três décadas, o horário nobre da televisão aberta brasileira teve a mesma voz abrindo o telejornal de maior audiência do país. William Bonner não virou referência só por ocupar a bancada: virou a própria imagem do Jornal Nacional, com rotina diária de edição, escolha de pautas e apresentação ao vivo para milhões de pessoas.
Quando a TV Globo anunciou, em 1º de setembro de 2025, que ele deixaria o JN após 29 anos no ar e 26 como editor-chefe, a conversa pública não foi só sobre troca de âncora. Foi sobre o fim de um ciclo inteiro do telejornalismo brasileiro e sobre o que fica quando o rosto mais estável do noticiário da noite muda de função.
Quem é William Bonner
William Bonemer Júnior nasceu em São Paulo em 16 de novembro de 1963 e é conhecido profissionalmente como William Bonner. Jornalista, publicitário e apresentador de notícias, construiu a carreira quase toda dentro da TV Globo, com passagem anterior pela Band e formação na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP).
O sobrenome de família, Bonemer, remete à origem libanesa dos avós. Na TV, o nome curto e a postura sóbria viraram marca: tom controlado, frase curta e pouco espaço para adorno. Quem busca saber quem é William Bonner costuma querer, ao mesmo tempo, a biografia básica, a trajetória no JN e o motivo da saída do telejornal em 2025.
- Nome completo: William Bonemer Júnior
- Nascimento: 16 de novembro de 1963, em São Paulo (SP)
- Formação: Comunicação Social com ênfase em Publicidade e Propaganda na ECA-USP
- Base profissional de longa data: Rio de Janeiro, na TV Globo
- Marca pública: apresentação e edição do Jornal Nacional entre 1996 e 2025
Da publicidade e da rádio USP à televisão
Antes da fama nacional, Bonner começou longe da bancada do JN. Em 1983, trabalhou como redator publicitário. No ano seguinte, foi locutor da Rádio USP FM e apresentou o programa Trilha Sonora até 1986. A entrada na TV veio em 1985, na Band São Paulo, como locutor e apresentador.
Em junho de 1986, transferiu-se para a TV Globo São Paulo. Ali acumulou apresentação e edição no SPTV, ganhou escala no jornalismo local e, em 1988, chegou ao Fantástico. A mudança para o Rio de Janeiro, em 1989, abriu a fase dos telejornais nacionais: Jornal da Globo (1989–1993), ao lado de Fátima Bernardes, e depois o Jornal Hoje, onde foi âncora e editor-chefe entre 1994 e 1996.
Essa escada interna importa porque explica o tipo de autoridade que Bonner construiu. Não chegou ao JN como convidado de uma temporada: chegou como profissional formado na redação, na edição e na apresentação diária, com anos de telejornal local e nacional antes da bancada principal.
O Jornal Nacional e a bancada mais longeva
Em abril de 1996, William Bonner assumiu a apresentação do Jornal Nacional, sucedendo a era de Cid Moreira e Sérgio Chapelin. Em 1999, passou a acumular também a função de editor-chefe. A combinação de rosto e comando editorial durou até o fim de 2025 e fez dele o apresentador mais longevo da história do telejornal.
No ar, dividiu a bancada com nomes centrais do jornalismo da emissora, entre eles Fátima Bernardes, Patrícia Poeta e Renata Vasconcellos. Fora da edição diária, mediou e apresentou coberturas eleitorais da Globo por anos, papel que o colocou com frequência no centro de debates de política e de campanhas nacionais.
Em 18 de agosto de 2023, chegou à marca de 10 mil dias como titular do JN. O número resume o óbvio e o excepcional ao mesmo tempo: poucas carreiras na TV aberta brasileira unem tanta permanência, audiência e responsabilidade editorial num único posto.
Livro, prêmios e a face pública além do teleprompter
Em 2009, no aniversário de 40 anos do JN, Bonner lançou o livro Jornal Nacional - Modo de Fazer, sobre a preparação das edições do telejornal. Doou os direitos autorais à ECA-USP, a mesma escola em que se formou. A obra é a principal publicação em livro ligada ao seu nome e funciona como registro do método de trabalho da redação, não como autobiografia íntima.
A carreira também acumulou reconhecimento institucional e de público: prêmios de Melhor Jornalista no Melhores do Ano (2009 e 2013), Troféu Mário Lago em 2014, Shorty Award de jornalismo em 2010, na fase em que usava o Twitter com forte repercussão, e menções ligadas a coberturas premiadas do próprio JN, incluindo o Emmy Internacional na categoria de notícia.
Nas redes, mantém presença oficial no Instagram e no X (@realwbonner). A relação com redes nunca foi o centro da biografia, mas ajudou a construir uma persona pública além da bancada: ironia seca, posts de rotina e, em certos períodos, defesa explícita do papel do telejornalismo de referência.
Saída do JN e a nova fase no Globo Repórter
No aniversário de 56 anos do Jornal Nacional, em 1º de setembro de 2025, a Globo anunciou a despedida de Bonner da bancada e da chefia do telejornal. Ele permaneceu no comando até 3 de novembro de 2025, quando César Tralli assumiu a apresentação ao lado de Renata Vasconcellos. A editoria-chefe passou a Cristiana Sousa Cruz, que já era editora-chefe adjunta e parceira de Bonner na função.
A partir de 2026, Bonner passa a apresentar o Globo Repórter com Sandra Annenberg. O movimento, construído ao longo de anos segundo a própria emissora e o apresentador, reduz a carga do jornalismo diário e das funções executivas e desloca a carreira para o formato de reportagem semanal em profundidade.
Quem acompanha o perfil de Bonner depois de 2025, portanto, não busca só a ficha do âncora do JN. Busca a transição de um editor-apresentador de telejornal diário para uma fase de reportagem, com menos rotina de fechamento noturno e mais espaço para outro tipo de narrativa na TV Globo.
Vida pessoal pública e o que não precisa de fofoca
Na vida pessoal de conhecimento público, Bonner foi casado com a jornalista Fátima Bernardes entre 1990 e 2016. O casal tem os trigêmeos Vinícius, Laura e Beatriz, nascidos em 21 de outubro de 1997. Desde 2018 é casado com a fisioterapeuta Natasha Dantas. É torcedor declarado do São Paulo Futebol Clube e vive no Rio de Janeiro desde o fim dos anos 1980.
Esses dados importam na medida em que já circulam em fontes públicas e ajudam a localizar a pessoa por trás do âncora. O resto da biografia útil está no trabalho: a formação em publicidade, a subida pelos telejornais da casa, o comando do JN e a saída planejada para o Globo Repórter.
Por que William Bonner ainda é buscado
William Bonner permanece uma autoridade do telejornalismo brasileiro porque sua trajetória resume uma era inteira da TV aberta: o âncora que também edita, a bancada estável do horário nobre, o debate eleitoral televisionado e a transição de um modelo de noticiário diário para outro tempo de carreira. Mesmo fora do JN, o nome continua ligado ao padrão de apresentação, à memória do telejornal e ao debate sobre o papel do jornalismo de referência no Brasil.
Para acompanhar a atuação institucional e o histórico de programas, o perfil em Memória Globo e a cobertura da despedida no G1 são pontos de partida sólidos. Para a obra em livro, o caminho natural é o Jornal Nacional - Modo de Fazer, registro público do ofício que ele exercitou por quase trinta anos na bancada principal da TV brasileira.


