Imagem de capa do perfil de Ana Paula Maia
Foto de perfil de Ana Paula Maia

Ana Paula Maia

Nascimento: 1977 Curitiba, Paraná
Escritora e roteirista de Nova Iguaçu, autora de Enterre seus mortos e finalista do International Booker Prize 2026. Prosa do trabalho sujo e de Edgar Wilson.

Há escritoras que pedem silêncio ao leitor. Ana Paula Maia pede outra coisa: que ele entre no trabalho sujo, no cheiro de carcaça, no pátio da colônia penal e no posto de quem recolhe o que a estrada mata. Nascida em Nova Iguaçu em 1977 e radicada em Curitiba desde 2015, ela se tornou uma das vozes mais reconhecíveis da ficção brasileira contemporânea ao tratar ofícios brutos, violência cotidiana e o universo masculino do trabalho pesado sem aliviar a cena.

Quem busca seu nome costuma chegar por um romance, por um prêmio ou pela indicação internacional que em 2026 a colocou entre as finalistas do International Booker Prize. Por trás do reconhecimento estão décadas de prosa curta e densa, o personagem recorrente Edgar Wilson e uma filmografia e televisão que ampliaram o alcance de um projeto literário nascido longe dos holofotes.

Quem é Ana Paula Maia

Ana Paula Maia é escritora e roteirista brasileira. Cresceu na periferia de Nova Iguaçu, filha de professora de língua portuguesa e literatura e de comerciante dono de bar. A infância, segundo relatos públicos da própria trajetória, misturou a violência do bairro com o contato com livros por influência da mãe e com o cinema de terror e western que assistia com o irmão.

Na adolescência tocou bateria em banda de punk rock e chegou a estudar teatro na Casa de Artes de Laranjeiras, de onde saiu após reprovação. A leitura intensiva voltou aos 18 anos; a escrita veio pouco depois. Fez graduação em Ciência da Computação e Comunicação Social, sem exercer as carreiras ligadas a esses cursos. O primeiro romance, O habitante das falhas subterrâneas, saiu em 2003 pela 7 Letras, com financiamento parcial da própria autora.

Como a obra se tornou referência

O salto de reconhecimento veio com a chamada Saga dos brutos e com romances posteriores em que o trabalho sujo deixa de ser cenário e vira motor moral. Em volumes como Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos, O trabalho sujo dos outros e Carvão animal, e depois em De gados e homens, Maia fixa Edgar Wilson e um conjunto de homens que abatem, recolhem lixo, cremam, atordoam gado ou removem animais mortos de estrada.

Assim na terra como embaixo da terra (Record, 2017) e Enterre seus mortos (Companhia das Letras, 2018) consolidaram o prestígio crítico: o primeiro venceu o Prêmio São Paulo de Literatura de Melhor Romance do Ano em 2018; o segundo repetiu o prêmio em 2019. A indicação ao International Booker Prize em 2026 e a adaptação cinematográfica de Enterre seus mortos, com estreia em 2025, ampliaram a circulação da obra para públicos que chegam pelo cinema e pela imprensa cultural.

Temas, método e estilo

A prosa de Maia é direta, curta e física. Prefere o gesto ao discurso, o ofício ao retrato sentimental. Em entrevistas e ensaios críticos, ela aparece ligada a influências como Dostoiévski e Edgar Allan Poe no início da carreira, e ao western e ao horror como formação cultural de infância. O nome Edgar Wilson, personagem recorrente, homenageia Edgar Allan Poe e o conto William Wilson.

Entre os eixos que atravessam os livros estão:

  • a relação do homem com o trabalho bruto e a moldagem do caráter pelo ofício diário;
  • profissões que geram repulsa social — abate, lixo, crematório, remoção de carcaças;
  • violência sem moralismo explícito, deixando o julgamento com o leitor;
  • um universo narrativo contínuo, em que romances se comunicam por personagens e ambientes;
  • o gosto por trama policial, faroeste de horror e tensão filosófica sem virar panfleto.

Para escrever Carvão animal, a autora relatou ter estudado manual de bombeiros e pedido revisão técnica a profissional da área. Para De gados e homens, partiu da observação de um açougue e da escala do consumo de carne. Não é pesquisa exibida no texto: vira precisão de gesto e de ambiente.

Livros, cinema e televisão

Além dos romances pela Record e pela Companhia das Letras — entre eles De cada quinhentos uma alma (2021) e Búfalos selvagens (2024) —, Maia assinou com Guilherme Weber o roteiro do filme Deserto (2017), adaptação de Santa Maria do Circo, de David Toscana, com Lima Duarte no elenco. Foi coautora do monólogo teatral O rei dos escombros (2003). Na televisão, criou e escreveu a série sobrenatural Desalma para o Globoplay, com elenco que inclui Cássia Kis e Cláudia Abreu.

Enterre seus mortos nasceu de encomenda do produtor Rodrigo Teixeira (RT Features), que detinha direitos de adaptação. O filme homônimo estreou em 2025 e recolocou o livro no centro da conversa pública. A trajetória literária, no entanto, não depende de uma única obra: leitores e crítica costumam percorrer o ciclo de Edgar Wilson e a prosa de colônia penal e matadouro como conjunto.

Por onde começar a ler

Quem chega pelo cinema ou pela cobertura de prêmio costuma partir de Enterre seus mortos: é romance enxuto, com Edgar Wilson removendo animais de estrada e deparando com um cadáver humano. Quem prefere o choque da instituição total pode ir a Assim na terra como embaixo da terra. Para entender o ciclo do abate e do trabalho sujo, De gados e homens e Carvão animal abrem a porta do universo que Maia construiu ao longo de anos. O romance mais recente, Búfalos selvagens, retoma Edgar Wilson no pós-catástrofe e amplia o ciclo para leitores já familiarizados com o autor-personagem.

Há paralelo com outras autoridades da prosa brasileira de impacto, como o rigor e o silêncio editorial associados a nomes como Raduan Nassar, embora o terreno de Maia seja outro: o presente brutal, o corpo no trabalho e a moralidade sem discurso de cátedra. Quem navega por literatura no Autoridades encontra esse perfil no eixo de ficção contemporânea e romance brasileiro.

Onde acompanhar

A autora mantém presença pública em entrevistas, feiras literárias e redes. No Instagram, publica como @maiatravis. Há página de autor na Companhia das Letras e coleção na Editora Record, além de perfil de autor na Amazon. O blog antigo da escritora permanece online como arquivo de presença digital. Para quem quer a obra em mãos, os romances circulam em livrarias e nas páginas das editoras.

Por que Ana Paula Maia continua sendo buscada

Porque resolve uma curiosidade concreta: quem é a autora por trás de uma literatura que trata o Brasil pelo lado do abate, da estrada e da prisão sem maquiagem. Porque ganhou o Prêmio São Paulo de Literatura em anos consecutivos e entrou em lista internacional de prestígio. Porque o cinema e o streaming levaram Edgar Wilson e o horror cotidiano a quem ainda não tinha aberto um de seus livros. E porque a obra se recusa a ser só “romance de violência”: é um sistema de personagens, ofícios e ambiências que o leitor reconhece e quer mapear.

Se a pergunta for “por onde começar” ou “o que ela escreve de fato”, a resposta está menos no rótulo e mais no gesto: abrir um romance curto de Maia e acompanhar um homem que executa a tarefa que ninguém quer executar — até a tarefa se voltar contra ele.

O que você acha desta Autoridade?

A comunidade quer saber: Ana Paula Maia cumpre o que promete? Escreva seu parecer sincero sobre a qualidade, a ética e a utilidade do trabalho.

Projetos de Ana Paula Maia

Enterre seus mortos
Enterre seus mortos
Romance de Ana Paula Maia com Edgar Wilson na estrada: policial, horror e ofício bruto. Prêmio São Paulo de Literatura 2019.
00%
00%
De gados e homens
De gados e homens
Edgar Wilson no matadouro: romance central do ciclo de trabalho sujo de Ana Paula Maia.
00%
00%
Búfalos selvagens
Búfalos selvagens
Romance de 2024 de Ana Paula Maia: Edgar Wilson no matadouro após catástrofe. Companhia das Letras.
00%
00%