Andrucha Waddington é um diretor, produtor e roteirista brasileiro que atravessou três décadas do audiovisual nacional, do videoclipe dos anos 1990 ao cinema de festival e às séries de streaming. Nascido no Rio de Janeiro em 20 de janeiro de 1970, ele assina a direção de Eu, Tu, Eles (2000), Casa de Areia (2005), Sob Pressão, Chacrinha — O Velho Guerreiro (2018) e Vitória (2025), além de ser sócio da Conspiração Filmes desde 1995.
O que dá unidade à carreira é a variedade de formatos: longas de ficção, documentários musicais, cinebiografias, séries médicas e uma cerimônia olímpica. Andrucha passou por Cannes, Berlim, Toronto e Sundance, produziu temporadas inteiras para a TV Globo e o Globoplay e viu seus filmes alcançarem milhões de espectadores sem abandonar o trabalho de produtor na empresa que ajudou a construir.
De onde vem o nome Andrucha e os primeiros passos
Andrucha é o apelido de família de Andrew Popov Waddington. Filho da psicanalista ucraniana Irina Popov com Helenio Waddington, ele recebeu da mãe o hipocorístico de Andrei, equivalente ucraniano de Andrew. O nome artístico pegou a ponto de o público tratar "Andrucha" como parte indissociável de sua identidade profissional.
Antes do cinema, veio o videoclipe. No início dos anos 1990, ele dirigiu clipes que ficaram marcados na memória da MTV brasileira, como "Garota Nacional", do Skank, ao lado de Arthur Fontes, e "Lourinha Bombril" e "Busca Vida", dos Paralamas do Sucesso. Os dois últimos lhe renderam o prêmio de melhor diretor no MTV Video Music Brasil, em 1996 e 1998.
Em 1995, tornou-se sócio da Conspiração Filmes, produtora carioca que se consolidou como uma das principais casas de produção do audiovisual brasileiro, em sociedade com o cunhado Cláudio Torres. Foi nesse ambiente de publicidade, clipes e pós-produção que ele preparou a passagem para os longas-metragens.
Gêmeas e Eu, Tu, Eles: a estreia no cinema e o salto para Cannes
A estreia na direção de um longa de ficção veio com Gêmeas (1999), estrelado por Fernanda Torres, com roteiro assinado por Elena Soarez e pelo próprio Andrucha. O passo seguinte foi decisivo: Eu, Tu, Eles (2000) levou para a tela a história real de uma mulher do interior do Ceará que vivia com três companheiros, com trilha de Gilberto Gil e elenco formado por Regina Casé, Lima Duarte, Stênio Garcia e Luiz Carlos Vasconcelos.
O filme entrou na Seleção Oficial do Festival de Cannes, na mostra Un Certain Regard, e saiu com menção especial do júri. A temporada de prêmios continuou com o Globo de Cristal de melhor filme no Festival de Karlovy Vary e com as premiações de melhor filme nos festivais de Havana e Cartagena. De uma só vez, o diretor deixou para trás o rótulo de realizador de clipes e passou a ser disputado por coproduções internacionais.
Casa de Areia, Lope e a carreira em festivais
Casa de Areia (2005) consolidou o prestígio do cineasta. Filmado nos Lençóis Maranhenses, o drama acompanha mãe e filha em duas épocas e foi estrelado por Fernanda Montenegro e Fernanda Torres. O longa foi seleção oficial dos festivais de Berlim e Toronto e venceu o prêmio Sundance/NHK de melhor roteiro.
Em Lope (2010), coprodução entre Brasil e Espanha sobre o dramaturgo Lope de Vega, o diretor voltou a circular por circuitos internacionais: o filme conquistou dois prêmios Goya. Na mesma década, assinou um dos segmentos de Rio, Eu Te Amo (2014), da franquia internacional Cities of Love, e dirigiu e produziu Os Penetras (2012), comédia vista por mais de 2,5 milhões de espectadores e que ganhou continuação em 2017.
Sob Pressão, Chacrinha e O Juízo: cinema e televisão
A incursão pelo universo da saúde pública rendeu um dos maiores acertos de sua carreira. O filme Sob Pressão (2016) deu origem à série homônima exibida pela TV Globo e pelo Globoplay entre 2017 e 2022, em cinco temporadas e 59 episódios, coproduzida pela Conspiração Filmes. Pela direção da atração, Andrucha recebeu o Troféu APCA de melhor diretor em 2019.
Em 2018, levou aos cinemas a cinebiografia Chacrinha — O Velho Guerreiro, sobre o apresentador Abelardo Barbosa, e no ano seguinte assinou O Juízo (2019), seu primeiro suspense sobrenatural. Os dois títulos mostram um diretor confortável tanto no drama de época quanto no terror de baixo orçamento.
Abertura das Olimpíadas, documentários e projetos musicais
Em 2016, Andrucha foi diretor criativo da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, ao lado de Fernando Meirelles, um dos momentos de maior audiência de sua trajetória. A música, aliás, sempre esteve no centro de parte de sua filmografia: ele dirigiu os documentários Viva São João (2002), Maria Bethânia — Pedrinha de Aruanda (2007), Gilberto Gil — Banda Dois (2009), Arnaldo Antunes — Ao Vivo Lá em Casa (2010) e André Midani — Do Vinil ao Download (2015).
Nos anos seguintes, transportou essa veia musical para o streaming, com Anitta: Made in Honório (2022), Em Casa com os Gil (2022) e Viajando com os Gil (2023), além de dirigir a série Fim (2023).
Vitória e Emergência 53: os projetos recentes
O drama Vitória (2025) chegou aos cinemas com uma história pesada nos bastidores: o longa começou a ser rodado por Breno Silveira, que morreu durante as gravações, em 2022, e foi assumido por Andrucha, amigo e parceiro do cineasta. Protagonizado por Fernanda Montenegro, o filme reconta a trajetória de Joana Zeferino da Paz, a Dona Vitória, que filmou da janela de casa a movimentação do tráfico em Copacabana. A produção levou mais de 700 mil espectadores aos cinemas, chegou ao Globoplay e rendeu ao diretor indicação ao Prêmio Grande Otelo de melhor direção.
Em 2026, ele voltou ao drama médico com Emergência 53, série Original Globoplay criada com Cláudio Torres e Marcio Maranhão e produzida pela Conspiração. A trama acompanha médicos, enfermeiros e motoristas de uma unidade do serviço móvel de urgência no Rio de Janeiro, filmada nas ruas da cidade. A produção foi premiada em festival internacional realizado em Berlim antes da estreia.
Estão em desenvolvimento projetos anunciados pela produtora, entre eles uma cinebiografia da jogadora Marta e o longa Os Corretores, estrelado por Fernanda Torres.
Família de artistas e reconhecimento
Andrucha é casado desde 1997 com a atriz Fernanda Torres, com quem tem dois filhos, e irmão do diretor de TV Ricardo Waddington. A convivência com o meio artístico não é apenas familiar: o cunhado Cláudio Torres é seu sócio na Conspiração. Em 2016, recebeu a Ordem do Mérito Cultural, honraria concedida pelo governo brasileiro a nomes de destaque na cultura do país.
Principais marcos da carreira
- 1996 e 1998 — melhor diretor no MTV Video Music Brasil por clipes dos Paralamas do Sucesso;
- 2000 — menção especial do júri em Cannes e Globo de Cristal em Karlovy Vary por Eu, Tu, Eles;
- 2005 — seleção oficial em Berlim e Toronto e prêmio Sundance/NHK de roteiro por Casa de Areia;
- 2016 — diretor criativo da cerimônia de abertura das Olimpíadas do Rio, com Fernando Meirelles;
- 2019 — Troféu APCA de melhor diretor por Sob Pressão;
- 2025 — indicação ao Grande Otelo de melhor direção por Vitória.
Como acompanhar o trabalho de Andrucha Waddington
Boa parte da filmografia do diretor está disponível em plataformas de streaming e em edições físicas, de Eu, Tu, Eles e Casa de Areia, clássicos do cinema nacional, às séries recentes no Globoplay. A página oficial dele na Conspiração Filmes reúne a lista completa de trabalhos, e o IMDb mantém a ficha técnica atualizada com os créditos de direção e produção. Para quem acompanha o cinema brasileiro de perto, vale observar os anúncios da produtora: os próximos passos do cineasta passam por lá.





