Antonio Calloni estreou na TV Globo em 1986, aos 25 anos, na minissérie Anos Dourados, como o atrapalhado Clau-Clau. Antes disso, ele já subia ao palco em montagens de periferia de São Paulo: começou a atuar em 1978, dois anos antes de entrar na escola de teatro Célia Helena. Quatro décadas depois, é um dos nomes mais presentes da dramaturgia brasileira — o imigrante Bartolo Migliavacca de Terra Nostra, o médico acusado de abusos na série Assédio, o fazendeiro Matias Tapajós de Além da Ilusão — e também um autor com cerca de dez livros de poesia e romance publicados.
Formado no Centro de Pesquisa Teatral dirigido por Antunes Filho, Calloni fez da versatilidade a marca de sua carreira: passou de galã a vilão, do palco ao cinema, da dramaturgia à literatura, e emprestou a voz ao gato Garfield em dois filmes. É essa travessia entre mundos que costuma levar o público a procurar seu nome, seja para reconstituir a trajetória, seja para descobrir o que ele escreve quando não está gravando.
Quem é Antonio Calloni
Egízio Antonio Calloni nasceu em São Paulo, em 6 de dezembro de 1961, filho de italianos. Ator, poeta, escritor, produtor e dublador, ele soma mais de 40 anos de televisão: estreou na minissérie Anos Dourados e, no mesmo 1986, apareceu em sua primeira novela, Hipertensão. Desde então, participou de dezenas de produções da TV Globo, alternando papéis de destaque na televisão, no cinema e no teatro.
Em 2026, ele está no ar na novela das sete Coração Acelerado, como Walmir Santana, personagem que enfrenta o vício em apostas — tema que o ator passou a comentar publicamente em entrevistas. No mesmo período, Terra Nostra voltou à TV Globo na faixa Edição Especial, 26 anos depois da exibição original, recolocando o ator diante de uma nova geração de espectadores.
Formação e primeiros passos no teatro
Calloni começou a atuar em 1978, no teatro de periferia. Depois de passar seis meses no curso de Ciências Sociais da USP, deixou a universidade para se dedicar à atuação: em 1980, ingressou na escola de teatro Célia Helena, onde estudou por três anos, e em seguida passou um ano no Centro de Pesquisa Teatral (CPT), dirigido por Antunes Filho. A mesma década o viu estrear no palco em A Barra do Jovem (1980) e colecionar montagens como Louco de Amor e Quem te Fez Saber que Estavas Nu?, que lhe rendeu indicação ao Prêmio Shell.
Em 1990, viveu Karl Marx na peça A Secreta Obscenidade de Cada Dia, trabalho que lhe valeu o Prêmio Molière de melhor ator. Mais tarde, nos palcos, interpretou personagens como o Marquês de Cerralbo, na montagem Torre de Babel, e Herodes, em A Paixão de Cristo (2016).
De Anos Dourados ao Bartolo de Terra Nostra
Depois da estreia em Anos Dourados e da passagem por Hipertensão, Calloni se tornou presença frequente nas novelas: Bambolê (1987), O Salvador da Pátria (1989), O Dono do Mundo (1991), Deus Nos Acuda (1992), Zazá (1997) e Suave Veneno (1999) antecederam o papel que o consolidou. Em Terra Nostra (1999), novela de Benedito Ruy Barbosa sobre a imigração italiana no Brasil, deu vida ao bonachão Bartolo Migliavacca e conquistou o prêmio Melhores do Ano de melhor ator coadjuvante, além do Prêmio Qualidade Brasil.
A novela, com direção geral de Jayme Monjardim, foi um fenômeno de audiência e voltou à TV Globo em 2025, na faixa Edição Especial, com a reprise encerrada em maio de 2026. Para o ator, o retorno teve gosto de balanço: em 2026, sua trajetória na televisão completou 40 anos de novelas.
Vilões, séries e o reconhecimento da crítica
Calloni passou boa parte da carreira em núcleos dramáticos, mas foi como vilão que viveu alguns de seus momentos mais comentados. Em Além do Horizonte (2013), interpretou o empresário LC, seu primeiro grande antagonista em novelas. Em Justiça (2016), minissérie de Manuela Dias, foi Antenor Ferraz, e em Assédio (2018), série do Globoplay sobre o caso do médico Roger Abdelmassih, viveu o acusado de abusos sexuais — papel que lhe rendeu indicações ao Troféu APCA e ao Troféu UOL TV e Famosos, além do prêmio Melhores de TV Press em 2019.
Em Éramos Seis (2019), fez par romântico com Gloria Pires ao interpretar Júlio Abílio de Lemos. Na novela Além da Ilusão (2022), de Alessandra Poggi, viveu Matias Tapajós, o fazendeiro que sofre de esquizofrenia e se torna um dos personagens mais perturbadores de sua carreira — atuação elogiada pela crítica, em uma trama que teve Larissa Manoela como protagonista, no papel de sua filha. Depois vieram Vai na Fé (2023), Renascer (2024), como o coronel Belarmino, e Coração Acelerado (2026).
O escritor: poesia, romance e um padrinho ilustre
A literatura de Calloni começou a ser publicada no fim dos anos 1990. O livro de estreia, Os Infantes de Dezembro (2000), chegou às mãos do poeta Manoel de Barros, que assinou uma carta-prefácio e se tornou uma espécie de padrinho do autor. “Sua linguagem é muito sua, não emprestou de ninguém”, escreveu Manoel de Barros, que descreveu os versos como uma “autêntica poesia da vida comum”, feita “sem pose, sem sofisticação”. No ano do lançamento, Calloni recebeu o Prêmio Jorge de Lima de autor revelação.
Vieram depois A Ilha de Sagitário (2000), Amanhã Eu Vou Dançar (2002), O Sorriso de Serapião e Outras Gargalhadas (2005), Paisagem Vista do Trem (2008), Escrevinhações de Samuel, o Eterno (2010) e 50 Anos Inventados em Dias de Sol (2014). Em 2005, o poema O Trem venceu o Concurso Nacional de Poesia do Prêmio SEERJ.
O romance mais recente é Filho da Noite (2020), publicado pela editora Valentina: uma narrativa em duas partes que mistura terror psicológico, suspense e romance noir em torno de um pai, um filho e segredos de família. Lançado em meio à pandemia, o livro saiu sem noite de autógrafos — o autor declarou na época que nunca foi fã do formato e comparou os ofícios de ator e escritor: o primeiro tem o filtro do personagem; o segundo é despudorado e “sem filtro”.
Leitor de Albert Camus, Guimarães Rosa e Clarice Lispector, entre outros, Calloni mantém na literatura a mesma matéria-prima que Manoel de Barros identificou em seus primeiros versos: as coisas comuns da vida.
Cinema, dublagem e outros palcos
No cinema, Calloni atuou em Policarpo Quaresma, Herói do Brasil (1998), Outras Estórias (1999) e O Passageiro — Segredos de Adulto (2006). O papel de Saraiva em Anjos do Sol (2006), filme de Rudi Lagemann sobre exploração sexual de crianças e adolescentes, lhe rendeu o Kikito de melhor ator no Festival de Gramado, além dos prêmios ACIE e Contigo! de cinema. Depois vieram Faroeste Caboclo (2013), Polícia Federal: A Lei É para Todos (2017) e Minha Família Perfeita (2022).
Ele também é dublador: foi a voz brasileira do gato Garfield em Garfield — O Filme (2004) e Garfield 2 (2006).
Vida pessoal
Filho de italianos, Calloni é casado desde 1993 com a jornalista Ilse Rodrigues Garro, com quem tem um filho, Pedro Antonio. Discreto em relação à vida privada, ele mantém no Instagram o perfil @antonio_calloni, onde publica trabalhos e leituras.
Principais marcos da carreira
- Estreia na TV em 1986, na minissérie Anos Dourados, e primeira novela no mesmo ano, Hipertensão.
- Prêmio Molière de melhor ator por A Secreta Obscenidade de Cada Dia (1990).
- Bartolo Migliavacca em Terra Nostra (1999), com o prêmio Melhores do Ano de ator coadjuvante.
- Livro de estreia Os Infantes de Dezembro (2000) e Prêmio Jorge de Lima de autor revelação.
- Kikito de melhor ator no Festival de Gramado por Anjos do Sol (2006).
- Romance Filho da Noite, publicado pela editora Valentina em 2020.
Perguntas frequentes
Quantos anos tem Antonio Calloni?
Nascido em 6 de dezembro de 1961, em São Paulo, o ator tem 64 anos.
Em quais novelas Antonio Calloni se destacou?
Ele ficou conhecido como Bartolo em Terra Nostra (1999) e teve papéis de destaque em O Clone (2001), Caminho das Índias (2009), Além do Horizonte (2013), Justiça (2016), Éramos Seis (2019), Além da Ilusão (2022) e Renascer (2024). Em 2026, está em Coração Acelerado.
Quais livros Antonio Calloni escreveu?
São cerca de dez títulos, entre poesia e romance, como Os Infantes de Dezembro (2000), O Sorriso de Serapião e Outras Gargalhadas (2005) e Filho da Noite (2020), seu romance mais recente.
Antonio Calloni dublou algum personagem?
Sim. Ele foi a voz do gato Garfield nas versões brasileiras de Garfield — O Filme (2004) e Garfield 2 (2006).






