Contexto e proposta de Os Infantes de Dezembro
Os Infantes de Dezembro é o livro com que Antonio Calloni estreou na literatura, publicado pela Bertrand Brasil no ano 2000. São poemas de um autor que já era conhecido do público pela televisão — o texto de apresentação da edição lembra o Bartolo de Terra Nostra e o Tomás Siqueira de O Salvador da Pátria — e que chegou à página impressa com uma linguagem própria, construída longe das fórmulas da poesia de ocasião.
O padrinho da estreia foi Manoel de Barros, que assinou uma carta-prefácio para o livro. "Sua linguagem é muito sua, não emprestou de ninguém", escreveu o poeta, que também anotou: "Sua poesia vem natural, vem de uma aguda percepção de nossa mais vulgar vivência". Na avaliação de Manoel de Barros, tratava-se de uma "autêntica poesia da vida comum", feita com "coisas comuns" — a exemplo dos versos de Calloni que falam de gente bebendo água, aro de bicicleta e mulheres.
Na mesma carta, o autor de O Livro das Ignorãças observa que o poeta "entra para descobrir a poesia que anda nas menores coisas" e que a poesia de Calloni se encaixa na vida comum, "que é ainda muito mais mágica do que entortar garfos". O trecho se tornou uma das melhores apresentações públicas da escrita do ator, que passou a ser citado com frequência como um caso raro de artista de televisão com obra poética consistente.
A estreia teve reconhecimento imediato no meio literário: em 2000, o autor recebeu o Prêmio Jorge de Lima na categoria autor revelação. O livro abriu caminho para uma produção constante, que incluiria títulos de poesia e romances ao longo das duas décadas seguintes.
Os Infantes de Dezembro interessa a leitores de poesia brasileira contemporânea e a admiradores do ator que querem conhecer o ponto de partida de sua escrita — o mesmo autor que, anos depois, publicaria o romance Filho da Noite e veria seus versos citados como exemplo de simplicidade trabalhada.





