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Antônio Martins Filho

Nascimento: 1904 Fortaleza, Ceará, Brasil
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Jurista e educador cearense, idealizou e foi o primeiro reitor da UFC; fundou ainda a UECE e a URCA e presidiu a Academia Cearense de Letras.

Antônio Martins Filho nasceu no sítio Santa Teresa, no Cariri, em 1904, e morreu em Fortaleza em 2002, a dois dias de completar 98 anos. Nesse intervalo, idealizou e dirigiu a primeira universidade do Ceará, participou da criação de outras duas e editou centenas de livros. Quem chega ao nome dele pela Universidade Federal do Ceará encontra, antes da reitoria, um menino que entregava jornais na Gazeta Cariry, no Crato, aos onze anos de idade.

Jurista de formação, professor de Economia Política, comerciante no Maranhão e no Piauí e editor em Fortaleza, Martins Filho acumulou funções que hoje parecem distantes entre si. O fio que as une é a educação — sobretudo a construção de instituições duradouras em um estado que, nos anos 1940, ainda não tinha universidade.

Quem foi Antônio Martins Filho

Martins Filho ficou conhecido como o reitor que tirou do papel o projeto de uma universidade pública para o Ceará. Foi o primeiro reitor da Universidade Federal do Ceará, entre 1954 e 1967, e mais tarde fundou a Universidade Estadual do Ceará (UECE) e a Universidade Regional do Cariri (URCA). Presidiu ainda a Academia Cearense de Letras e o Instituto do Ceará, duas casas que guardam a memória intelectual do estado, e recebeu o Troféu Sereia de Ouro em 1974.

Do sítio Santa Teresa à Faculdade de Direito do Piauí

Antônio Martins Filho nasceu em 22 de dezembro de 1904, no sítio Santa Teresa, no Cariri cearense, em uma família conhecida como os Terésios. A avó teve papel decisivo na alfabetização: foi ela quem colocou o menino em contato com a saga de Carlos Magno e com autores como Alexandre Herculano, José de Alencar, Guerra Junqueiro e Augusto dos Anjos. Aos onze anos, ele já trabalhava na Gazeta Cariry, no Crato, começando pela entrega dos jornais aos assinantes e passando depois para a parte técnica da impressão.

Dez anos depois, estava no Maranhão, trabalhando como caixeiro. Em 1929, abriu em Caxias a firma A Cearense. Em Teresina, foi dono do Cine-Rex e do jornal Voz do Povo, criou o Ginásio Caxiense e cursou a Faculdade de Direito do Piauí, concluindo o bacharelado na década de 1930. O declínio dos negócios na região e problemas de saúde na família o levaram a Fortaleza.

Na capital, dirigiu a Editora Fortaleza e lançou, em 1937, a revista O Valor, publicada semanalmente por mais de nove anos. Em parceria com Raimundo Girão, lançou O Ceará em 1939. Entre 1939 e 1943, esteve à frente da Academia de Comércio Padre Champagnat. Tornou-se doutor em Direito pela Faculdade de Direito do Ceará e professor catedrático de Direito Comercial, além de ter lecionado Economia Política no Liceu do Ceará e na Faculdade de Ciências Econômicas.

A campanha pela primeira universidade do Ceará

Em 1948, Martins Filho assumiu a liderança do movimento pela criação da Universidade do Ceará, que se transformou em campanha pública. O projeto enfrentou resistência: parte da imprensa nacional defendia que a Universidade do Recife já bastava para a região. O debate ganhou as páginas da revista O Cruzeiro, em uma polêmica entre Martins Filho e o sociólogo Gilberto Freyre.

A universidade foi criada em 1954 e instalada no ano seguinte. Martins Filho permaneceu na reitoria até 1967, período em que a instituição ganhou estrutura para crescer. Sob seu comando, a UFC criou a Imprensa Universitária, adquiriu o prédio da Reitoria e incorporou a Casa de José de Alencar, hoje um dos espaços culturais ligados à universidade.

  • criação da Imprensa Universitária;
  • aquisição do prédio da Reitoria, no Benfica;
  • incorporação da Casa de José de Alencar;
  • condições de infraestrutura para a expansão da universidade.

UECE e URCA: outras duas universidades fundadas por Martins Filho

Depois de se aposentar, em 1974, ele voltou ao trabalho de criar universidades. Em 1977, ajudou a fundar a Universidade Estadual do Ceará (UECE) e tornou-se seu primeiro reitor. Em 1986, participou da criação da Universidade Regional do Cariri (URCA), também como primeiro reitor. A trajetória institucional inclui o Conselho Federal de Educação, onde atuou por treze anos, e a representação brasileira no comitê latino-americano de avaliação de sistemas de bolsas de estudo da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Academia Cearense de Letras e Instituto do Ceará

A presença institucional de Martins Filho não se limitou às universidades. Ele tomou posse no Instituto do Ceará em 6 de janeiro de 1943, presidiu a casa entre 1985 e 1989 e recebeu o título de presidente de honra. Na Academia Cearense de Letras, ingressou em 15 de agosto de 1951, saudado pelo acadêmico Andrade Furtado, e ocupou a Cadeira 3, cujo patrono é Antônio Augusto. Foi presidente da Academia no biênio 1963–1964 e presidente de honra desde 1967, até a sua morte.

Como editor, coordenou programas que publicaram mais de 400 livros, passando pela Casa de José de Alencar, pela Editora Fortaleza e pelo Instituto do Ceará. Na juventude, colaborou com os jornais cratenses O Paladino e A Classe. A poesia permaneceu como assunto recorrente em sua obra e em suas falas: “Na cronologia das Belas-Letras a poesia representa o pólen de ouro da vida; é a eterna floração das coisas belas”, costumava dizer.

Livros e memórias

A produção bibliográfica de Martins Filho é variada: começa com o documentário O Ceará, de 1939, passa por títulos jurídicos e educacionais e chega às memórias. Entre as obras listadas pela Academia Cearense de Letras e pelo Instituto do Ceará estão Noções de Economia Política (1942), Disciplina jurídica do comércio aéreo (1944), Uma universidade para o Ceará (1949), Autonomia das universidades federais (1961), A presença da poesia no mundo dos negócios (1978), Reflexões sobre Augusto dos Anjos (1987) e História abreviada da UFC (1996).

Nos anos 1990, reuniu a própria trajetória em quatro volumes de Memórias, publicados entre 1991 e 1997. Entre os títulos dessa fase estão o documentário O Ceará, escrito com o historiador Raimundo Girão e reeditado ao longo de três décadas, e o volume comemorativo Memória Histórica: Personalidade do Povo, de 1991.

Honrarias, homenagens e a Cátedra Reitor Antônio Martins Filho

Em 1974, recebeu o Troféu Sereia de Ouro, do Sistema Verdes Mares, por sua contribuição ao Ceará. Foi condecorado com a Ordem do Mérito Militar — admitido em 1994 no grau de Oficial especial e promovido a Comendador em 2000 — e com honrarias da Alemanha, da Itália, da França e da Espanha, além de medalhas nacionais como a do Mérito Naval e a Santos Dumont.

O nome dele batiza ruas, escolas e um viaduto em Fortaleza. Em 2003, a UECE e a URCA criaram medalhas de mérito com seu nome; em 2010, a OAB-CE instituiu a Medalha Professor Advogado Padrão Antônio Martins Filho. A UFC mantém a Cátedra Reitor Antônio Martins Filho, primeira cátedra de sua história, dedicada à formação de lideranças e desenvolvida em parceria com o Instituto Mucuripe e o Colégio de Estudos Avançados.

O vínculo com a universidade que ajudou a criar segue visível no entorno da Reitoria, em Fortaleza, onde uma estátua do reitor traz a inscrição “Idealizador e Fundador da Universidade Federal do Ceará”. Antônio Martins Filho morreu na capital cearense em 20 de dezembro de 2002, por falência múltipla dos órgãos. Tinha 97 anos e um legado institucional que continuou a ser lembrado por universidades, academias e órgãos profissionais.

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O Ceará
O Ceará
Livro documental sobre o Ceará escrito em parceria com Raimundo Girão, publicado em 1939 e reeditado em 1945 e 1966.
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