Bule-Bule é o nome artístico de Antônio Ribeiro da Conceição, cantador, repentista e cordelista nascido em 22 de outubro de 1947 em Antônio Cardoso, cidade do interior da Bahia onde as tradições do sertão e do Recôncavo se cruzam. Ele aprendeu a versejar em casa, acompanhando o pai, o sambador e tiraneiro Manoel Muniz, conhecido como Manoel Jararaca, e fez desse aprendizado uma carreira que atravessa o repente, o samba rural, o forró e a literatura de cordel.
O nome que o tornou conhecido foi escolhido pelo próprio cantador, em referência a uma espécie de abelha. Da primeira gravação, feita em 1979 em um disco coletivo, até os shows em Portugal, na Espanha, na Alemanha e nos Estados Unidos, Bule-Bule construiu um repertório autoral que ajudou a manter vivos o samba de improviso e as cantorias de viola da Bahia. É também autor de folhetos sobre personagens do sertão, acontecimentos históricos e homenagens a figuras populares.
Quem é Bule-Bule
Antônio Ribeiro da Conceição nasceu em Antônio Cardoso, no interior baiano, filho de Manoel Muniz, dançarino de tirana e sambador, e de Isabel Ribeiro da Conceição, doceira, louceira, benzedeira e parteira. Nas novenas e festejos da região, o menino aprendeu com o pai as chulas, os agalopados e os licutixos, modalidades do samba rural de improviso que se tornariam a espinha dorsal de sua obra.
Já adulto, mudou-se para Salvador, onde passou a se apresentar em shows e praças públicas. A primeira gravação veio em 1979, em um LP coletivo de cantadores. Diabético, conciliou durante anos a carreira artística com o trabalho de gerente de cultura na Prefeitura de Camaçari, cidade onde vive. Em 2008, um acidente com o moto-táxi que o levava ao trabalho o obrigou a um longo período de repouso; mais tarde, problemas renais o levaram à hemodiálise até 2017, quando recebeu um transplante de rim.
Qual é a obra de Bule-Bule na música
A discografia de Bule-Bule começa em 1980, com o disco Cantadores da Terra do Sol, e ganha corpo nos anos 1990. Em 1994, A Fome e a Vontade de Comer, gravado em parceria com Antônio Queiroz, trouxe dois sucessos que o acompanham até hoje: a faixa que dá nome ao álbum e A Máquina de Lavar Roupa. Depois vieram Só Não Deixei de Sambar (1997), Repente Não Tem Fronteira (2000) e Licutixo (2006), álbum inteiro dedicado ao samba rural, do qual o licutixo é uma das vertentes.
Em 2011, lançou o CD e o DVD Cordealizando a Canção, registrados ao vivo no Teatro Jorge Amado, em Salvador. O show mistura forró pé-de-serra, baião e xote, com um repertório que passeia pela carreira do cantador e por canções inéditas. Bule-Bule costuma se apresentar com o grupo Cacimba Nova e já dividiu palco com nomes como Gilberto Gil, Beth Carvalho, Tom Zé e Gabriel o Pensador, além de ter participado de edições do São João Carioca.
O cordelista e o repentista
Se o repente é o estandarte de Bule-Bule, o cordel é o outro lado do mesmo ofício. Sua bibliografia reúne mais de 80 folhetos, segundo o Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Os temas vão de tragédias urbanas, como A Tragédia do Incêndio do Mercado Modelo, a bandeiras ambientais, como Peço pra Não Acabar com o Raso da Catarina, passando por homenagens a figuras como Irmã Dulce, Tancredo Neves e o mestre Bimba.
Outra marca de sua produção são os personagens criados em versos, caso de Quatro Touros Endiabrados e Um Vaqueiro Corajoso e O Tremendo Duelo de Quirino Beiçola com Tomaz Tribuzana. Bule-Bule é membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, sediada no Rio de Janeiro, e tem entre seus livros Bule-Bule: Literatura de Cordel e Um Punhado de Cultura Popular.
Homenagens e reconhecimento
Em 1993, Bule-Bule recebeu o título de cidadão honorário de Salvador. Em 2008, foi condecorado com a Ordem do Mérito Cultural, honraria do Ministério da Cultura destinada a reconhecer contribuições à cultura brasileira. Na mesma década, foi premiado no Rio Grande do Norte com o Prêmio Hangar de Música, ao lado de Ivete Sangalo e Margaret Menezes. Em 2017, foi um dos homenageados da Bienal Internacional do Livro do Ceará, ao lado do cordelista Leandro Gomes de Barros e do repentista Geraldo Amâncio.
A obra também rendeu aproximações com gerações mais jovens: Bule-Bule subiu ao palco com a BaianaSystem, e o vocalista Russo Passapusso já descreveu o cantador como alguém que carrega regiões e épocas na própria fala. Em 2013, participou da programação do Ano do Brasil em Portugal, levando a cantoria de viola e o samba rural para o público europeu.
Projetos em escolas e palcos
Além dos discos e dos folhetos, Bule-Bule mantém projetos que levam a cultura popular para dentro de escolas, bibliotecas e eventos. O Baú do Bule-Bule reúne um kit com oito CDs, dois DVDs, dois livros e 50 cordéis de sua autoria para circular em escolas públicas, bibliotecas, centros culturais e pontos de cultura. Já a Palestra Cantada transforma as cantigas de roda em material de formação para professores, e o Papo de Mestre propõe uma conversa cantada sobre a história do repente e do cordel brasileiro, com causos dos mais de quarenta anos de carreira do cantador.
Por onde começar a conhecer Bule-Bule
Quem chega agora à obra do cantador pode montar um roteiro simples, que parte da música e chega ao cordel:
- A Fome e a Vontade de Comer (1994) — disco em parceria com Antônio Queiroz, com dois dos maiores sucessos do forró de Bule-Bule;
- Licutixo (2006) — álbum dedicado ao samba rural baiano e às suas modalidades de improviso;
- Cordealizando a Canção (2011) — registro ao vivo em CD e DVD que resume a carreira e o forró tradicional;
- Literatura de Cordel de Bule-Bule — livro que apresenta o cordelista por trás do cantador;
- Baú do Bule-Bule — projeto que reúne o acervo do artista em um kit voltado para escolas e bibliotecas.
Onde acompanhar o cantador
Bule-Bule mantém o site oficial em bulebule.com.br, com discografia, fotos, vídeos e páginas dos projetos. O cantador também publica vídeos no canal Bule Bule no YouTube e está no Instagram e no Facebook pelo perfil @bulebuleoficial. Para entender a ponte entre a música baiana e a cultura popular nordestina, vale conhecer também a trajetória de Gilberto Gil, com quem Bule-Bule dividiu palcos.






