Licutixo é o disco em que Bule-Bule volta às raízes do samba rural baiano. Lançado em 2006, o álbum leva o nome de uma das modalidades de improviso que o cantador aprendeu na infância, em Antônio Cardoso, ouvindo o pai, o sambador Manoel Muniz, e aparece ao lado de A Fome e a Vontade de Comer (1994) e Só Não Deixei de Sambar (1997) entre os discos em que o cantador se dedica ao samba rural.
O que o disco propõe
O repertório parte do samba de improviso praticado na região de Antônio Cardoso, com suas chulas, agalopados e licutixos, e mostra como essas formas tradicionais continuam vivas na voz de um cantador que atravessou décadas de palco. É um disco para quem quer entender de onde vem a linguagem que Bule-Bule levou depois para o forró, para o repente e para os festivais de cantoria.
Ao longo da carreira, o músico gravou mais de oito discos e dois DVDs, apresentou-se em festivais de violeiros em todo o Nordeste e levou o samba sertanejo baiano para palcos nos Estados Unidos, na Alemanha, na Espanha e em Portugal. Licutixo ocupa um lugar central nessa trajetória porque devolve o cantador ao repertório que aprendeu em casa, antes de se tornar conhecido como cordelista e forrozeiro.
Para quem é indicado
O álbum interessa a quem pesquisa samba rural, cultura popular nordestina, cantoria de viola e a obra de Bule-Bule como um todo. Cada faixa funciona como uma amostra do samba malicioso e de desafio que o cantador descreve como herança de família, com versos improvisados e acompanhamento típico do sertão baiano.





