Carla Pompeu começou a pintar aos 30 anos, quando trocou a rotina estável de Brasília pelas ruas coloridas de Arraial d'Ajuda, no litoral da Bahia. Foi nessa vila que nasceu a obra pela qual ela é procurada até hoje: telas de linguagem naïf em que céu, terra e mar dividem espaço com casas de cores intensas e cenas do cotidiano. A mesma artista escreveu mais de trinta peças de teatro, trabalhou como cenógrafa e figurinista e atuou na direção e na produção de espetáculos e filmes. O acervo que ela deixou continuou circulando depois de sua morte, com exposições no Brasil e no exterior.
Carla Pompeu de Miranda nasceu em Brasília, em 4 de agosto de 1961, e morreu em Arraial d'Ajuda em 15 de agosto de 2008. Formada em geologia, trabalhou em uma empresa de aviação antes de mudar de vida e se dedicar à arte. Em 1983, antes da carreira de pintora, foi eleita Miss Brasília Universo. A mudança para a Bahia, no início da década de 1990, é o ponto em que a observação da paisagem vira ofício: primeiro nos objetos que tinha à mão, depois nas telas.
De geóloga a pintora de Arraial d'Ajuda
Carla cresceu em Brasília e foi na capital que construiu a primeira carreira, longe das artes plásticas. A virada aconteceu em 1991, aos 30 anos, quando se instalou em Arraial d'Ajuda, vila marcada pelas casas pintadas de cores fortes. Os primeiros trabalhos foram feitos em tabuleiros de gamão, nos quais ela reproduzia a paisagem urbana local. Depois vieram as telas, e com elas os temas que se tornariam constantes: o céu, a terra e o mar, além do cotidiano colorido da cidade que ela escolheu para viver.
Autodidata, Carla só teve contato com o rótulo de arte naïf — conceito que costuma designar artistas que desenvolvem linguagem própria sem formação acadêmica — quando viu os próprios trabalhos circulando no mercado. A combinação entre pintura e cultura popular acabou sendo um dos traços mais reconhecíveis do conjunto que produziu.
Brasília, o cerrado e as séries de pintura
Arraial d'Ajuda foi a principal inspiração, mas não a única. A artista também pintou Brasília e os arredores para homenagear a cidade natal, com paisagens que incluem o Congresso Nacional. Morou por dois anos em São Jorge, na Chapada dos Veadeiros, para observar as flores do cerrado e retratá-las.
Da produção em série saíram conjuntos como a coleção inspirada na música popular brasileira, formada por telas que retratam canções. A intenção declarada era montar uma instalação em que o público ouvisse as músicas representadas nos quadros.
Teatro, cinema e a cena cultural de Arraial
A pintura conviveu com outras linguagens. Carla Pompeu escreveu mais de trinta peças de teatro, a maioria comédias, e atuou em cinema e teatro como cenógrafa, figurinista, diretora e produtora. Entre os textos está "O Planeta Terra Cultura Micro", peça que fazia alusão ao Cultura Mix, evento de arte idealizado pelo engenheiro e arquiteto Pedro Sérgio Félix e pelo artista plástico Keko Valenzuela, com primeira edição em Arraial d'Ajuda em 1998.
O Espaço Cultura Mix, sede criada pelos dois, recebeu montagens de textos dela. Quando o local ainda era uma casa simples, muitas dessas peças eram apresentadas na área externa da residência, onde havia uma horta. A dramaturgia e a presença em bases literárias, como a Biblioteca Digital de Literatura de Países Lusófonos, também colocam a produção dela no campo da literatura.
Exposições póstumas e o acervo no Museu do Senado
Depois de 2008, a irmã Cláudia Pompeu passou a trabalhar pela divulgação do acervo. Em dezembro de 2011, uma tela dedicada a "Lisbela e o Prisioneiro", clássico de Osman Lins, foi exposta no Salão Nacional de Belas Artes de Paris. Na mesma época, cinco telas da série "Através da Janela" foram selecionadas pela curadora Lêda Maria do Prado, da Ward-Nasse Gallery, para uma coletiva de artistas mulheres em Nova York.
As obras escolhidas integraram a exposição "Brasil: uma Viagem Mágica", na Macy's Herald Square, de 16 de maio a 15 de julho de 2012, ao lado de pinturas, esculturas e fotografias de outros 27 artistas plásticos brasileiros. No carnaval de 2009, a artista foi homenageada pelo bloco Bandeirosa, em Arraial d'Ajuda, junto ao centenário de Carmen Miranda.
Três pinturas de Carla Pompeu integram hoje o acervo do Museu do Senado Federal, em Brasília: Palipalã, Torre e Sem título, todas com ficha pública na coleção da instituição.
Onde ver as obras de Carla Pompeu
- Museu do Senado Federal (Brasília): as pinturas Palipalã, Torre e Sem título, com registros públicos de material, técnica, dimensões e assinatura.
- Exposições póstumas: a tela dedicada a "Lisbela e o Prisioneiro" (Paris, 2011) e as cinco telas da série "Através da Janela" (Nova York, 2012).
- Acervo da família: a irmã, Cláudia Pompeu, atua na divulgação dos trabalhos e de séries como a coleção inspirada na música popular brasileira.
Perguntas frequentes sobre Carla Pompeu
Quem foi Carla Pompeu?
Pintora, cenógrafa, figurinista, dramaturga e produtora brasiliense, conhecida pelas telas de arte naïf que retratam Arraial d'Ajuda, Brasília e o cotidiano do litoral baiano.
Qual é o estilo da pintura de Carla Pompeu?
A produção é associada à arte naïf: linguagem autodidata, marcada pela cor, pela paisagem e pela observação do cotidiano.
Quando Carla Pompeu começou a pintar?
Em 1991, aos 30 anos, depois de se mudar de Brasília para Arraial d'Ajuda. Antes disso, formou-se em geologia e trabalhou em uma empresa de aviação.
Onde estão as obras de Carla Pompeu?
Três pinturas fazem parte do acervo do Museu do Senado Federal. Outras obras integram o acervo divulgado pela família e passaram por exposições em Paris e Nova York.




