Carlos Bolsonaro foi eleito senador por Santa Catarina em outubro de 2026, com 2.041.840 votos — o segundo maior volume da disputa no estado —, e assume o mandato na legislatura que começa em fevereiro de 2027. A eleição coroou um percurso iniciado 26 anos antes na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, onde ele cumpriu sete mandatos consecutivos e se tornou, aos 17 anos, o vereador mais jovem eleito na história do Brasil.
Entre o Legislativo carioca e o Senado, Carlos construiu outro papel, menos formal e mais influente: o de operador da comunicação digital da família Bolsonaro. Foi esse trabalho que o levou ao centro da política nacional a partir de 2018 — e é também nele que se concentram parte das polêmicas, das investigações e das críticas que acompanham o nome dele.
O filho "02" que profissionalizou as redes sociais do pai
O ponto de partida foi doméstico. Por volta de 2010, ao pesquisar na internet e encontrar um mural de resultados negativos, Carlos criou um blog com fotos de família para apresentar Jair Bolsonaro, então deputado federal, sob outra luz. O blog virou laboratório: ali nasceram a linguagem direta, o tom de confronto e a lógica de mobilização que depois migrariam para as redes sociais.
A operação ganhou escala na campanha presidencial de 2018. Carlos licenciou-se do mandato de vereador e passou a coordenar o esforço digital em tempo integral, a partir de casa, no mesmo condomínio onde o pai morava. Jair Bolsonaro declarou em entrevistas que o "filho 02" foi o principal responsável pela vitória nas urnas — avaliação que o pai repetiu ao longo do mandato presidencial.
Nas eleições seguintes, o método se repetiu, e Carlos passou a ser tratado como o articulador digital do bolsonarismo. A exposição rendeu apelidos — "pit bull" da família e "Carluxo" — usados pela imprensa para descrever o estilo agressivo com que ele atacava adversários, ministros e integrantes do próprio governo do pai.
Sete mandatos, poucas leis e votação crescente
Eleito pela primeira vez em 2000, aos 17 anos, ele entrou na disputa pela vaga que então pertencia à mãe, Rogéria Bolsonaro, em segundo mandato. Com o apoio do pai, venceu com 16.053 votos, e Rogéria não conseguiu se reeleger.
De lá para cá, o desempenho nas urnas só cresceu. Reeleito em 2004, 2008, 2012 e 2016, chegou ao posto de vereador mais votado do Rio nesse último ano, com 106.657 votos. Em 2020, perdeu o título para Tarcísio Motta, do PSOL. Em 2024, quebrou o próprio recorde: 130.480 votos.
No Legislativo, a produção de leis é modesta. Entre as normas aprovadas com a assinatura dele estão o fim das votações secretas na Câmara Municipal, a exigência de apoio da maioria dos moradores para mudanças de nome de ruas e a proibição da distribuição do material conhecido como kit anti-homofobia nas escolas. Presidiu a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos em 2009 e foi vice-presidente dela entre 2013 e 2021, além de ter liderado as bancadas do PP e do PTB.
Durante o governo do pai, passou a despachar com frequência em Brasília. A ausência do Rio virou munição para os críticos, que cunharam o apelido "vereador federal".
Formação e primeiros anos
Carlos Nantes Bolsonaro nasceu em 7 de dezembro de 1982, no hospital da Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende, no Rio de Janeiro, posto onde o pai servia como primeiro-tenente do Exército. Segundo filho de Jair e Rogéria Bolsonaro, cresceu em um ambiente militar — sem nunca ter estudado em colégio militar, como contou em entrevistas ao lado dos irmãos Flávio e Eduardo.
Fora da política, formou-se em ciências aeronáuticas pela Universidade Estácio de Sá, depois de abandonar o curso de direito após seis meses por não se identificar com a área.
A virada para Santa Catarina e a eleição ao Senado
Em 15 de dezembro de 2025, Carlos renunciou ao sétimo mandato de vereador para disputar o Senado por Santa Catarina — um estado onde o bolsonarismo tem raízes eleitorais fortes, mas onde ele precisava se apresentar a um eleitorado que não o conhecia das urnas cariocas. A cadeira deixada no Rio foi assumida pela suplente Alana Passos.
A aposta deu certo. Em 4 de outubro de 2026, ele foi eleito com 2.041.840 votos (25,35% dos votos válidos), ao lado de Carol de Toni, do PL, que ficou à frente dele na apuração. A dupla assume a bancada catarinense no Senado na legislatura que se inicia em 2027, com mandato de oito anos.
Principais marcos da trajetória pública até aqui:
- 2000 — eleito vereador do Rio de Janeiro aos 17 anos, o mais jovem da história do país;
- 2010 — assume a construção da imagem do pai na internet;
- 2016 — vereador mais votado da cidade, com 106.657 votos;
- 2018 — coordena a comunicação digital da campanha presidencial de Jair Bolsonaro;
- 2024 — reeleito com 130.480 votos, recorde pessoal;
- 2025 — renuncia ao mandato para disputar o Senado por Santa Catarina;
- 2026 — eleito senador com 2.041.840 votos.
Investigações e episódios que acompanham o nome dele
Em fevereiro de 2022, um relatório da Polícia Federal enviado ao Supremo Tribunal Federal apontou a existência de um grupo dedicado a disseminar notícias falsas e ataques a adversários do governo — apelidado de "gabinete do ódio" — que, segundo os investigadores, era comandado por Carlos Bolsonaro. O caso integra o inquérito das fake news, relatado pelo ministro Alexandre de Moraes.
Antes disso, em agosto de 2021, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dele em uma investigação sobre supostos funcionários fantasmas no gabinete da Câmara Municipal — o episódio ficou conhecido como "rachadinha".
Em 29 de janeiro de 2024, ele foi alvo de busca e apreensão na operação que investiga o uso da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para espionagem ilegal, a chamada "Abin paralela". Em julho de 2026, o ministro Alexandre de Moraes determinou que a apuração sobre Carlos seguisse na Justiça Federal, em primeira instância, onde o processo seguia em andamento antes da eleição.
Trata-se de apurações em andamento, que não equivalem a condenação e seguem sob análise da Justiça.
O que deve marcar o mandato no Senado
O primeiro teste do novo mandato será a posse, em fevereiro de 2027, quando ele troca a voz das redes pelo voto no plenário. Dois temas devem concentrar a atenção em torno do nome dele: a regulamentação das plataformas digitais — que ele combate desde os tempos em que comandava as redes do pai — e a relação com os aliados em Santa Catarina, onde a candidatura dele expôs uma divisão no campo bolsonarista local.
O mandato começa com 25 anos de experiência legislativa e mais de uma década de exposição nas redes — combinação que fez dele uma das figuras mais conhecidas do campo conservador brasileiro e um dos alvos mais frequentes de críticas no debate público.


