A senadora mais votada de Santa Catarina nas eleições de 2026 atende por Carol De Toni: 2.694.918 votos, 33,46% dos votos válidos, o maior percentual entre todos os senadores eleitos no país naquele ano. A votação recorde coroou uma trajetória que começou nas manifestações de rua no Oeste catarinense, passou por dois mandatos como deputada federal e chegou à presidência da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados.
Caroline Rodrigues De Toni nasceu em Chapecó em 1º de setembro de 1986. Formou-se em Direito pela Universidade Comunitária da Região de Chapecó (Unochapecó) em 2009 e concluiu o mestrado em Direito Público pelo Centro Universitário Estácio de Santa Catarina. É casada com o empresário Matheus Bortoluzzi e tem uma filha, Betina. A formação jurídica aparece até hoje na forma como conduz relatórios e pareceres na CCJ, a comissão que analisa a constitucionalidade de cada proposta antes da votação em plenário.
Da militância em Chapecó à Câmara dos Deputados
A vida pública de Carol De Toni começou longe dos gabinetes. Integrante do Movimento Brasil Livre (MBL), ela foi uma das principais lideranças do grupo em Santa Catarina durante as manifestações pelo impeachment de Dilma Rousseff, entre 2015 e 2016. A estreia nas urnas veio no mesmo ano: candidata a vereadora de Chapecó pelo Partido Progressista, recebeu 1.589 votos e terminou como primeira suplente.
Em 2018, já filiada ao PSL, foi eleita deputada federal com 109.363 votos — a mulher mais votada de Santa Catarina naquela eleição. O primeiro mandato começou com funções de peso, como a vice-liderança do governo de Jair Bolsonaro na Câmara e a terceira vice-presidência da CCJ.
Relatorias e projetos que marcaram o primeiro mandato
Foi na relatoria que ela construiu boa parte de sua reputação no Congresso. Assinou o parecer da PEC da Prisão em 2ª Instância, aprovada na CCJ em novembro de 2019, que antecipa os efeitos do trânsito em julgado e permite o início do cumprimento da pena após decisão de segunda instância. Relatou também o projeto que deu origem ao MEI Caminhoneiro, do então senador Jorginho Mello, sancionado em 2021 na forma da Lei Complementar 188. E foi a relatora do texto que tipificou como crime o induzimento e a incitação ao suicídio e à automutilação de crianças e adolescentes, que virou a Lei 13.968/2019.
Entre os projetos de lei que protocolou, aparecem temas que ela repete até hoje: a obrigatoriedade do ensino da norma culta do português nas escolas, sem a chamada linguagem neutra (PL 5385/2020); o voto direto e facultativo nas eleições da OAB (PL 3612/2020); o fim da reserva de 30% das candidaturas para mulheres (PL 4213/2020); a regulamentação do homeschooling (PL 3262/2019); a retirada da imunidade civil das redes sociais que censuram publicações de usuários (PL 246/2021); e a flexibilização das regras de posse e porte de armas (PL 3401/2021).
Reeleição, presidência da CCJ e liderança da Minoria
Em 2022, pelo Partido Liberal, Carol De Toni foi reeleita com 227.632 votos — a maior votação de Santa Catarina para a Câmara dos Deputados naquele pleito. Em 2024, tornou-se presidente da CCJ, posição que a colocou no centro da agenda legislativa do país. No ano seguinte, assumiu a liderança da Minoria na Câmara, a presidência da Frente Parlamentar do Livre Mercado e a vice-presidência Sul da Frente Parlamentar da Agropecuária.
O trabalho parlamentar rendeu reconhecimento público: em 2025, foi eleita a melhor deputada federal de Santa Catarina pelo prêmio Congresso em Foco, e acumula quatro edições seguidas do Prêmio Excelência Parlamentar, do Ranking dos Políticos, recebido em 2023, 2024, 2025 e 2026.
A eleição ao Senado em 2026
A disputa interna do PL pela vaga catarinense foi dura. No início de 2026, a sigla flertou com outras composições para o Senado, e a deputada chegou a negociar uma possível ida para o partido Novo. O impasse terminou em fevereiro, com a confirmação de seu nome na chapa "puro-sangue" ao lado de Carlos Bolsonaro. Nas urnas, ela superou com folga os concorrentes — 2.694.918 votos, contra 2.041.840 do companheiro de chapa. Com o resultado, tornou-se a segunda mulher eleita senadora por Santa Catarina, 24 anos depois de Ideli Salvatti, eleita em 2002. Os suplentes são Geraldo Wetzel Neto (Novo) e Andrey Tomazi (PL), e o mandato começa em fevereiro de 2027.
Em que Carol De Toni acredita
Ela se define como conservadora liberal e nunca escondeu a influência do filósofo Olavo de Carvalho, a quem já chamou de sua maior referência intelectual. As posições que repete em discursos, entrevistas e vídeos combinam liberalismo econômico e pauta de costumes:
- redução de impostos, liberdade econômica e defesa da propriedade privada;
- segurança pública, com endurecimento contra o crime organizado e apoio às forças policiais;
- agronegócio forte, com menos burocracia e mais segurança jurídica no campo;
- defesa da vida desde a concepção, da família e da liberdade religiosa;
- homeschooling, legítima defesa e flexibilização das regras sobre armas;
- limites às decisões monocráticas de ministros e ao que classifica como ativismo judicial.
Controvérsias e momentos de atrito
A atuação pública de De Toni também acumulou embates. Na CPMI das Fake News, em 2019, ficou entre os críticos mais duros da condução dos trabalhos e foi afastada temporariamente do colegiado pela cúpula do PSL após divergências internas. No ano seguinte, foi incluída no inquérito dos atos antidemocráticos por uma publicação em que falava de "golpe branco" e "ativismo judicial"; teve sigilos bancário e fiscal quebrados por decisão do ministro Alexandre de Moraes, e a Procuradoria-Geral da República arquivou a investigação em junho de 2021, sem apontar desdobramentos contra ela no relatório final.
Em 2023, protagonizou um bate-boca com a ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, em audiência na CCJ sobre o marco temporal das terras indígenas. Em 2024, votou com o partido contra a manutenção da prisão do deputado Chiquinho Brazão, acusado de ser mandante do assassinato da vereadora Marielle Franco. Em 2025, foi um dos votos favoráveis à PEC da Blindagem, que restringe as hipóteses de prisão de parlamentares.
Onde acompanhar Carol De Toni
Quem quer seguir promessas, votações e agenda tem canais diretos. O site oficial caroldetoni.com.br reúne bandeiras e trajetória; no Instagram, ela soma mais de 1 milhão de seguidores. Também publica no Facebook, no X (antigo Twitter), no TikTok e no YouTube, onde mantém um canal com mais de 550 vídeos entre discursos, entrevistas e prestações de contas. O registro oficial de cada voto e proposição fica disponível no perfil da Câmara dos Deputados, e o trabalho no Senado começa a aparecer a partir de 2027.



