Jorginho Mello chegou ao governo de Santa Catarina depois de percorrer todos os degraus da política catarinense: foi vereador aos 20 anos, presidiu a Assembleia Legislativa, cumpriu dois mandatos na Câmara dos Deputados e um no Senado, onde assinou a autoria do Pronampe, o programa de crédito que atravessou a pandemia como principal socorro financeiro de micro e pequenas empresas do país.
Nascido em Ibicaré, no Meio-Oeste do estado, ele construiu a carreira pública em paralelo a mais de duas décadas de trabalho no Banco do Estado de Santa Catarina (Besc). Eleito governador em 2022, foi reeleito em 2026 e hoje tem na Universidade Gratuita e no Programa Estrada Boa as marcas mais visíveis de sua gestão.
De Herval d'Oeste ao comando do estado
Jorginho dos Santos Mello nasceu em 15 de julho de 1956, em Ibicaré (SC), filho de Oscar dos Santos Mello e Célia Maria Mello. Formou-se em Estudos Sociais pela Universidade do Oeste de Santa Catarina (1974-1977) e, mais tarde, em Administração e Direito pela Universidade do Sul de Santa Catarina (1988-1993). Antes da política, trabalhou no sistema financeiro: foi gerente e diretor do Besc entre 1975 e 2002.
A trajetória pública começou cedo. Em 1976, aos 20 anos, foi eleito vereador de Herval d'Oeste pela Arena e, entre 1977 e 1978, presidiu a Câmara municipal — à época, o mais jovem presidente de Câmara do Brasil, segundo o acervo político da Assembleia Legislativa de Santa Catarina. Em 1979, foi tesoureiro da União de Vereadores de Santa Catarina, um dos primeiros cargos de articulação que moldariam seu perfil de gestor municipalista.
Quatro mandatos estaduais e a presidência da Alesc
Filiado ao PL, elegeu-se deputado estadual em 1994 com 19.104 votos. Foi reeleito pelo PSDB em 1998 com 26.825 votos, o mais votado do partido naquela disputa, e novamente em 2002 e 2006, somando quatro legislaturas na Assembleia Legislativa (1995-2011).
No parlamento estadual, passou por comissões de Constituição e Justiça, Finanças e Tributação, Educação, Segurança Pública e Turismo. Entre fevereiro de 2009 e janeiro de 2010, presidiu a Alesc e, no exercício do cargo, governou o estado interinamente entre 9 e 20 de outubro de 2009. Foi vice-presidente da Casa até janeiro de 2011.
Câmara, Senado e o Pronampe
Deputado federal por dois mandatos (2011-2019), Jorginho Mello fez da defesa das micro e pequenas empresas sua principal bandeira. Presidiu a Frente Parlamentar Mista da Micro e Pequena Empresa, participou das negociações do Supersimples e, em 2011, foi apontado pela imprensa nacional como um dos parlamentares mais atuantes do Congresso.
No Senado, para onde foi eleito em 2018 com 1.179.757 votos, defendeu a criação da Empresa Simples de Crédito (Lei Complementar 167, de 2019), modelo que permite a pequenos negócios emprestar capital a empresas da mesma região. Em 2020, assinou a autoria do projeto que deu origem ao Pronampe, aprovado por unanimidade no Senado em abril daquele ano e sancionado em maio como Lei 13.999. Em outubro de 2020, foi escolhido vice-líder do governo de Jair Bolsonaro no Congresso.
Renunciou ao mandato no fim de 2022 para assumir o governo do estado, sendo substituído no Senado pela suplente Ivete da Silveira.
O governo de Santa Catarina
Eleito governador em 2022 com 70,69% dos votos válidos no segundo turno, a maior porcentagem entre os governadores eleitos naquele ano, Jorginho Mello tomou posse em 1º de janeiro de 2023 ao lado da vice-governadora Marilisa Boehm.
Na gestão estadual, transformou em programa a promessa de educação superior acessível com o Universidade Gratuita, criado pela Lei Complementar 831, de 2023, que cobre mensalidades de graduação em universidades comunitárias mediante contrapartida de serviços à população catarinense. O programa concedeu mais de 41 mil benefícios em 2024, segundo dados do governo estadual.
A outra frente de destaque é o Programa Estrada Boa, lançado em julho de 2025 para pavimentar e recuperar rodovias e estradas rurais em parceria com os municípios e o Badesc, com investimentos que já superam R$ 3,5 bilhões em obras em andamento ou concluídas. Em outubro de 2026, foi reeleito no primeiro turno com 68,98% dos votos.
Decisões sob contestação judicial
Dois episódios do primeiro mandato terminaram nos tribunais. Em janeiro de 2024, a nomeação de seu filho, o advogado Filipe Mello, para a Secretaria da Casa Civil foi suspensa por decisão liminar do Tribunal de Justiça de Santa Catarina. Em janeiro de 2026, o governador sancionou a lei estadual que proibia a adoção de cotas raciais em universidades que recebem verbas do governo, norma suspensa pelo TJSC dias depois da sanção.
Marcos da trajetória pública
- 1976 — eleito vereador de Herval d'Oeste pela Arena
- 1995 a 2011 — deputado estadual em quatro legislaturas
- 2009 — presidente da Assembleia Legislativa e governador interino
- 2011 a 2019 — deputado federal e presidente da Frente Parlamentar da Micro e Pequena Empresa
- 2019 a 2022 — senador; autor do Pronampe (Lei 13.999/2020)
- 2023 — assume o governo de Santa Catarina
- 2026 — reeleito governador no primeiro turno
Nas eleições de 2022, Jorginho Mello foi o único senador do país a vencer a disputa por um governo estadual naquele ano — um dado que o acervo da Assembleia Legislativa destaca ao registrar sua chegada ao Palácio Santa Catarina. A chapa foi formada por dois nomes do mesmo partido, ele e a vice-governadora Marilisa Boehm, e repetiu a dobradinha na reeleição de 2026.
Filiado ao Partido Liberal, Jorginho Mello preside o diretório estadual da sigla em Santa Catarina e mantém canais oficiais de comunicação nas principais redes sociais, onde publica a agenda de governo e as ações das secretarias estaduais. O perfil de gestor municipalista, construído desde os anos 1970 em Herval d'Oeste, segue como a principal chave de leitura de sua trajetória: a defesa de municípios pequenos e do empreendedor local atravessa os quase 50 anos de vida pública que separam o vereador eleito aos 20 anos do governador reeleito no primeiro turno.





