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Carlos Chagas

Nascimento: 1937 Brasília, DF
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Jornalista, professor e escritor mineiro, Carlos Chagas (1937-2017) cobriu a política brasileira em jornais, TV e rádio e escreveu livros sobre a ditadura militar.

Carlos Chagas fez do jornalismo político o ofício de uma vida. Nascido em Três Pontas, no sul de Minas Gerais, em 20 de maio de 1937, atravessou quase seis décadas de imprensa brasileira em três frentes que raramente convivem com tanta naturalidade: a cobertura diária do poder nos jornais, o comentário político no rádio e na televisão e a docência na Universidade de Brasília (UnB). Morreu em Brasília, em 26 de abril de 2017, e foi sepultado na capital onde construiu a maior parte da carreira.

Quem procura o nome de Carlos Chagas costuma encontrar primeiro o rosto de comentarista de televisão. A trajetória, no entanto, explica melhor a obra: foi o repórter que acompanhou de perto os bastidores de Brasília e depois transformou esse acervo em livros sobre a história republicana. A combinação entre formação jurídica, passagem pelo governo e leitura diária da imprensa deu ao seu trabalho uma marca própria, reconhecível tanto nas colunas quanto nos programas de televisão e nas salas de aula.

Formação e primeiros passos no jornalismo

Carlos Chagas formou-se em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Começou a trabalhar em redação no fim da década de 1950, ainda estudante, e teve no O Globo a primeira contratação como jornalista. Em seguida, passou a integrar a equipe de O Estado de S. Paulo, jornal em que se dedicou a assuntos políticos por quase duas décadas.

Entre o Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, construiu uma rotina que combinava reportagem, coluna e análise. Foi nessa fase que consolidou a especialidade que o acompanharia até o fim da vida: traduzir o noticiário do poder para o leitor comum sem abrir mão da apuração.

A passagem pelo Palácio Guanabara e pelo governo

Na década de 1960, Carlos Chagas deixou temporariamente a rotina das redações para trabalhar no Palácio Guanabara, no Rio de Janeiro, como secretário de imprensa do governador Negrão de Lima, a quem conhecera durante coberturas do PSD. Em 1969, no regime militar, foi nomeado secretário de imprensa do governo Costa e Silva, período em que escreveu uma série de reportagens sobre os acontecimentos políticos daquele momento.

A experiência dentro do poder não o afastou do jornalismo. Ao contrário: alimentou a matéria-prima que mais tarde apareceria em seus livros, sempre apoiados em documentos, jornais e no testemunho de quem viveu os acontecimentos.

O comentarista de televisão e de rádio

Instalado em Brasília, foi chefe da TV Manchete na capital e passou por outros canais. Tornou-se conhecido como comentarista de política nacional e apresentador: comandou o programa Jogo do Poder, exibido pela Manchete, pela RedeTV! e depois pela CNT, e apresentou o Falando Francamente. Em paralelo, assinava coluna em jornais — ao todo, passou por doze publicações — e participava da cobertura política do Jornal do SBT e da rádio Jovem Pan.

Seu último trabalho regular foi como comentarista do CNT Jornal, em Brasília. Em dezembro de 2016, participou pela última vez do Jogo do Poder, quando anunciou a saída da emissora e a aposentadoria da televisão. No programa derradeiro, entre os convidados, estava sua filha, Helena Chagas, que foi ministra-chefe da Secretaria de Comunicação Social no governo Dilma Rousseff.

Nas colunas e nos comentários, Carlos Chagas também criticava com frequência a forma como a própria imprensa brasileira cobria a política — um traço que o distinguia de boa parte dos colegas de bancada e que rendeu alguns dos seus textos mais lembrados.

O professor da UnB

Por 25 anos, Carlos Chagas lecionou na Universidade de Brasília, onde se tornou professor emérito do curso de comunicação. A atuação em sala de aula foi reconhecida por gerações de estudantes, que o elegeram paraninfo e patrono de sucessivas turmas de formandos.

Quando ele morreu, a direção da Faculdade de Comunicação da UnB destacou publicamente o exemplo de dedicação do professor e o compromisso dele com a ética e com a liberdade de expressão. Ensinar jornalismo, para ele, era uma extensão natural do trabalho que fazia nas redações.

Os livros e a história contada por jornais

A produção literária de Carlos Chagas nasceu da convivência diária com o noticiário. Em O Brasil sem Retoque: 1808-1964, publicado pela Editora Record em 2001, ele reconstrói mais de um século de história do país a partir de jornais e jornalistas, em dois volumes. Uma década depois, voltou ao período militar em dois livros: A Ditadura Militar e os Golpes Dentro do Golpe: 1964-1969, de 2014, e A Ditadura Militar e a Longa Noite dos Generais: 1970-1985, de 2015.

Antes, em 1975, havia publicado Resistir é Preciso, reunião de artigos escritos para O Estado de S. Paulo entre 1972 e 1974. Em comum, as obras partem de fontes publicadas no calor dos acontecimentos — jornais, colunas e documentos da época — para explicar como o Brasil chegou até aqui.

Honrarias e reconhecimento público

Ao longo da carreira, Carlos Chagas recebeu condecorações de Portugal e do Brasil:

  • Comendador da Ordem de Cristo, em 1958;
  • Comendador da Ordem do Mérito, em 1987;
  • Oficial especial da Ordem do Mérito Militar, em 1996.

O episódio da Sociedade dos Amigos de Plutão

Em setembro de 2006, um texto de Carlos Chagas sobre uma suposta organização não governamental chamada Sociedade dos Amigos de Plutão foi lido como notícia e provocou repercussão política em Brasília, chegando a motivar a proposta de uma CPI no Senado. Semanas depois, ele publicou uma retratação em que explicou que o conteúdo era uma metáfora que não havia sido caracterizada como tal.

Últimos anos

Carlos Chagas morreu em 26 de abril de 2017, em Brasília, a poucos dias de completar 80 anos. Deixou colunas, programas, livros e uma geração de alunos formados na UnB. Para quem estuda jornalismo político ou a história brasileira do século XX, seu nome continua ligado a um jeito direto de contar o poder: com a fonte na mão e o leitor em mente.

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