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Carlos Nascimento

Nascimento: 1954 Dois Córregos, São Paulo
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Jornalista paulista que ancorou telejornais na Globo, na Band e no SBT. Cobriu ao vivo o 11 de Setembro e o impeachment de Collor. Hoje vive da cafeicultura e do navio turístico no Tietê.

A voz que conduziu a transmissão da TV Globo nas horas que se seguiram aos ataques de 11 de setembro de 2001 começou a se formar em uma rádio de Dois Córregos, cidade do interior paulista onde nasceu em 5 de dezembro de 1954. Carlos Alberto Suriano do Nascimento, o Carlos Nascimento, atravessou cinco emissoras em mais de quatro décadas de televisão: foi repórter de rua, colunista de jornal impresso e âncora de telejornais — e, depois de 2020, trocou as bancadas pela cafeicultura e por um projeto náutico no Rio Tietê.

Quem procura o nome dele geralmente quer entender como se formou essa voz, que apresentou ao país o impeachment de Fernando Collor, a morte de Tancredo Neves, o 11 de Setembro e a captura de Saddam Hussein. Formado pela Faculdade Cásper Líbero, Nascimento chegou à TV em 1977 e passou onze anos como repórter da Globo. Em 1988, mudou de função: virou âncora na TV Cultura, passou pela Record e, em 1990, voltou à Globo, onde se firmou como um dos primeiros âncoras da casa.

De Dois Córregos ao Jornal Nacional: como começou a carreira

Antes da televisão, Carlos Nascimento trabalhou em rádio e em jornal. Em Dois Córregos, começou na Rádio Cultura e no jornal O Democrático. Já em São Paulo, passou pelas rádios Nacional, Excelsior e América e pelo jornal Super News, além de assinar colunas no Diário Popular e no Diário de São Paulo. A graduação em jornalismo pela Cásper Líbero veio no mesmo período em que ingressou na Globo, em 1977.

Na emissora, foi repórter do Bom Dia São Paulo, do Globo Rural, do Globo Repórter e do Jornal Nacional. A popularidade junto ao grande público chegou em 1985, durante a cobertura da doença e da morte do presidente eleito Tancredo Neves, quando suas entradas ao vivo passaram a ser acompanhadas por milhões de telespectadores.

As coberturas que marcaram o telejornalismo brasileiro

Como âncora, Nascimento esteve à frente de transmissões que pararam o país. Comandou longas horas da cobertura da TV Globo no 11 de Setembro de 2001 e narrou a captura de Saddam Hussein, em 2003, coberturas que marcaram sua passagem pela emissora.

  • a morte e o funeral de Tancredo Neves, em 1985;
  • o impeachment de Fernando Collor e a posse de Itamar Franco, em 1992;
  • o velório e o funeral de Ayrton Senna, em 1994;
  • a chegada da seleção brasileira tetracampeã mundial, também em 1994;
  • os funerais do grupo Mamonas Assassinas, em 1996;
  • o sequestro do empresário Sílvio Santos, em 2001;
  • a Guerra do Iraque e a posse de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003;
  • o acidente da TAM em Congonhas, em 2007, e as eleições americanas de 2008.

Em 3 de janeiro de 2019, foi o jornalista escolhido para a primeira entrevista exclusiva do presidente Jair Bolsonaro após a posse, um dos momentos de maior audiência de sua fase no SBT.

Da Globo ao SBT: a rotina nas bancadas

Entre 1990 e 1998, apresentou o São Paulo Já e o SPTV. Em 1998 e 1999, assumiu o Bom Dia São Paulo; de 1999 a 2004, foi o titular do Jornal Hoje, além de apresentar eventualmente o Jornal Nacional e o Fantástico. A imprensa já o apontou como o mais cotado para ancorar o Jornal Nacional antes de a bancada ser assumida por William Bonner.

Em 31 de janeiro de 2004, fez sua última edição do Jornal Hoje e deixou a Globo. Em março, estreou na Band como âncora do Jornal da Band. Na mesma casa, apresentava um programa diário na BandNews FM e comentava política e economia na BandNews TV e na Rádio Bandeirantes.

Em fevereiro de 2006, assinou com o SBT, onde ficou catorze anos. Apresentou o SBT Brasil e o Jornal do SBT — este último ao lado de Cynthia Benini e, depois, de Karyn Bravo — e comandou, em 2012, o programa O Maior Brasileiro de Todos os Tempos. Em setembro de 2013, afastou-se das bancadas para tratar um câncer colorretal; voltou ao ar em maio de 2014, dividindo a bancada do SBT Brasil com Rachel Sheherazade. Ficou na emissora até abril de 2020, quando a pandemia de covid-19 o afastou por integrar o grupo de risco. O contrato seguiu até dezembro daquele ano, sem renovação.

Prêmios e reconhecimento entre colegas

Ao longo da carreira, recebeu dois Prêmios Vladimir Herzog, em 1980 e 1981, como repórter; dois Troféus APCA, em 1988 e 1989, por telejornais que apresentou; e o Prêmio Comunique-se de 2005, quando foi escolhido por cerca de 80 mil jornalistas o melhor apresentador da TV brasileira.

Cafeicultura, o navio no Tietê e o livro em preparação

Fora da televisão, Carlos Nascimento mantém laços antigos com o campo. Cafeicultor e criador de gado há cerca de duas décadas, passou a se dedicar à propriedade na serra paulista depois de deixar o SBT, em 2020, e tem se posicionado em defesa do meio ambiente na região onde vive.

Seu projeto mais conhecido fora das redações é o navio turístico NM Homero Krähenbühl, que navega o Rio Tietê a partir de Barra Bonita. A embarcação de 47 metros nasceu de um sonho de infância dividido com o amigo Homero Krähenbuhl, engenheiro que morreu em 1991 antes de ver o barco pronto. Nascimento tocou o projeto por dez anos junto à família e o inaugurou em 2022, com restaurante, música ao vivo e roteiros inspirados na navegação do vapor Visconde de Itu no início do século XX.

Em novembro de 2024, participou da estreia da CNBC no Brasil narrando um documentário sobre a história global do canal. Em fevereiro de 2025, foi ao The Noite revelar que prepara seu primeiro livro, um registro das histórias que viveu nas redações — “Narro as coisas que vivi na carreira e o que aprendi com cada uma delas”, disse na ocasião.

Hoje, a rotina de Carlos Nascimento se divide entre a propriedade rural, a operação do navio e a escrita do livro. Para quem estuda a história da televisão brasileira, sua trajetória funciona como uma linha do tempo das grandes coberturas das últimas décadas — das transmissões ao vivo na Globo às bancadas do SBT, sempre com o noticiário no centro.

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Navio Homero Krähenbühl
Navio Homero Krähenbühl
Embarcação turística de 47 metros que navega o Rio Tietê em Barra Bonita, com restaurante, música ao vivo e estrutura para eventos a bordo.
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