Carlos Severiano Cavalcanti nasceu em 31 de julho de 1936, na Fazenda Monte, em Campina Grande, na Paraíba, e aprendeu a ler já adolescente, depois de passar a infância na zona rural. Dessa demora veio o material que sustenta sua poesia: o homem da caatinga, do agreste, do cariri e do sertão, com seu vocabulário e seus costumes. É autor de Sertanidade, livro que se tornou objeto de dissertação de mestrado e ganhou uma edição em Braille publicada em Portugal.
Radicado no Recife, ele construiu a trajetória em duas frentes. Antes da literatura, foi comerciante de tecidos em Guarabira, no interior da Paraíba, cidade que o reconheceu como cidadão em 1967. Depois, formou-se em Comunicação Social e passou a dar aulas no mesmo curso em que se graduou, enquanto publicava livros de poemas e se filiava a entidades literárias de Pernambuco.
Da Fazenda Monte ao comércio de tecidos em Guarabira
Carlos Severiano Cavalcanti cresceu no campo e só saiu da zona rural aos quinze anos. Aos dezesseis, migrou para Pernambuco, onde aprimorou o aprendizado e entrou no comércio de tecidos. O retorno à Paraíba o levou a Guarabira, cidade em que se firmou como empresário do ramo têxtil e onde recebeu, em 1967, o título de Cidadão Guarabirense. Foi também em Guarabira que a atividade comercial se somou a uma presença social constante, antes de ele voltar a Pernambuco e fixar residência no Recife.
Formação em Comunicação Social e docência
Já adulto, retomou os estudos e se formou bacharel em Comunicação Social. A graduação abriu caminho para a docência: ele passou a lecionar Comunicação Social na faculdade onde havia se formado. A experiência acadêmica e a escrita literária correram lado a lado na sua trajetória, e a poesia conviveu com a sala de aula em boa parte de sua vida pública.
Os livros de Carlos Severiano Cavalcanti
A estreia em livro veio em 1997, com Caminhos da vida, publicado pela editora Bagaço, no Recife. De lá para cá, o poeta manteve um ritmo constante de publicação, com títulos que circulam entre a memória da vida no campo, a paisagem sertaneja e a reflexão sobre o tempo. Entre as obras estão:
- Caminhos da vida — Recife: Bagaço, 1997;
- Reflexos de Terra e Sol — Recife: CEPE, 2001;
- Sertanidade — Recife: Facform, 2004;
- Histórias sertanejas — Recife: Edições Edificantes, 2008;
- A gênese do tempo — Recife: Facform, 2008;
- Tresafio — Recife: Paulo Camelo, 2009, escrito em parceria com Paulo Camelo e Rosa Lia Dinelli.
Sertanidade é o título que mais se associou ao seu nome. O livro reúne poemas de formas variadas — motes e glosas, sonetos, versos decassílabos e alexandrinos — e tem como personagens principais o homem da caatinga, do agreste, do cariri e do sertão nordestinos. A linguagem culta incorpora verbetes e falares campesinos, trazendo para a cidade grande palavras que continuam vivas no interior. A obra foi relançada em Braille, em Portugal, em 2010, e motivou o estudo acadêmico de que se fala mais adiante.
Prêmios, estudos e reconhecimento
Pela Academia Pernambucana de Letras, recebeu o prêmio de poesia De Lyra e César por Caminhos da vida. Na mesma instituição, conquistou menção honrosa no Prêmio Edmir Domingues de poesia, em 2006, com Sertanidade, e repetiu a menção em 2007, com o livro ainda inédito A gênese do tempo. A produção do poeta também chegou à universidade pela via crítica: Sertanidade foi objeto da dissertação de mestrado O popular e o erudito na poesia brasileira, de autoria do professor Carlos Alberto de Assis Cavalcanti.
Academias literárias e vida associativa
Além dos livros, Carlos Severiano Cavalcanti mantém uma atuação institucional extensa. Ele integra entidades literárias e culturais de Pernambuco e ocupou a presidência da Academia de Artes, Letras e Ciências de Olinda (AALCO). Entre as instituições de que faz ou fez parte estão:
- União Brasileira de Escritores — UBE, seção Pernambuco;
- União Brasileira de Trovadores — UBT;
- Sociedade de Poetas Vivos de Olinda;
- Sociedade Brasileira de Médicos Escritores — regional Pernambuco, como sócio colaborador;
- Instituto Histórico de Olinda;
- Academia Recifense de Letras;
- Academia de Letras e Artes do Nordeste;
- Academia de Artes, Letras e Ciências de Olinda;
- Academia Olindense de Letras.
A passagem por essas entidades conecta a poesia de temática sertaneja a um circuito urbano de leitura, no Recife e em Olinda. Outros autores que fizeram da paisagem e da fala do interior matéria de literatura estão reunidos na seleção de literatura brasileira do diretório.
Perguntas frequentes sobre Carlos Severiano Cavalcanti
Carlos Severiano Cavalcanti é paraibano ou pernambucano?
Nasceu em Campina Grande, na Paraíba, em 1936, e migrou ainda jovem para Pernambuco. Vive no Recife e recebeu o título de Cidadão Guarabirense em 1967, depois de ter sido empresário do ramo têxtil na cidade paraibana de Guarabira.
Qual é o livro mais conhecido de Carlos Severiano Cavalcanti?
Sertanidade, lançado em 2004 pela editora Facform, é a obra mais associada ao seu nome. O livro foi objeto de dissertação de mestrado e ganhou edição em Braille publicada em Portugal em 2010.
Quando começou a publicar poesia?
A primeira obra em livro é Caminhos da vida, de 1997, publicada pela editora Bagaço. Antes disso, o poeta viveu a experiência do comércio de tecidos e só retomou os estudos já adulto, formando-se em Comunicação Social.

