Antes de virar sobrenome de marca, o “Wizard” de Carlos Roberto Martins era um professor de inglês dando aula à noite na sala de casa. Filho de motorista de caminhão e costureira, nascido em Curitiba em 1956, ele construiu a maior rede de escolas de idiomas do Brasil e, em 2013, vendeu o Grupo Multi para a britânica Pearson por cerca de US$ 720 milhões — um marco ainda citado quando se fala de educação privada e franquias no país.
Quem busca Carlos Wizard Martins costuma querer separar o fundador da Wizard, o empresário por trás de novos negócios e o autor de livros de empreendedorismo. Este perfil reúne a trajetória pública, as viradas documentadas e o contexto que explica por que o nome dele permanece ligado a educação, franquia e expansão de marcas.
Quem é Carlos Wizard Martins
Carlos Roberto Martins, conhecido publicamente como Carlos Wizard, é empresário, executivo, escritor e ex-professor de inglês brasileiro. Ficou conhecido por fundar a rede Wizard e o Grupo Multi, conjunto de escolas de idiomas que chegou a milhares de unidades e centenas de milhares de alunos antes da venda à Pearson em dezembro de 2013.
Depois da negociação, ele passou a concentrar investimentos em outras frentes — varejo de bem-estar, alimentação, educação e projetos sociais — e a publicar livros sobre negócios e mentalidade empreendedora. O apelido “Wizard” permanece no nome público, embora a marca original de idiomas tenha mudado de controle e ele tenha atuado, em anos seguintes, como sócio de concorrentes do setor.
Origem, inglês e formação
Nascido em Curitiba, Paraná, em 19 de setembro de 1956, Martins cresceu em família de origem humilde. Aos 12 anos, os pais se tornaram membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Foi nesse ambiente, com aulas de missionários norte-americanos, que ele começou a aprender inglês — ponto de partida da trajetória que depois daria nome à escola.
Ainda jovem, morou nos Estados Unidos e, por volta dos 19 anos, serviu em missão religiosa em Portugal. Retornou ao Brasil e depois estudou na Brigham Young University (BYU), nos Estados Unidos, onde se formou em ciência da computação e estatística. No campus e no Centro de Treinamento Missionário da igreja, observou adultos adquirindo fluência em prazos curtos — experiência que ele costuma citar ao explicar a aposta em métodos intensivos de conversação.
Após a faculdade, estagiou em Cincinnati, Ohio, em empresa de papel e celulose, e foi transferido para a filial brasileira em Mogi Guaçu (SP), atuando como analista de sistemas. Para complementar a renda familiar, passou a dar aulas de inglês à noite. A demanda cresceu até o ponto em que a atividade paralela se tornou o negócio principal.
Da sala de casa à Wizard e ao Grupo Multi
O começo da Wizard foi caseiro: aulas com foco em conversação, expansão para uma escola e, em seguida, o modelo de franquias. Ao longo das décadas, o grupo reuniu redes de idiomas — entre elas marcas como Wizard, Skill, Yázigi e outras sob o guarda-chuva Multi — e se consolidou como referência do ensino de inglês no Brasil.
Em 2010, o Itaú investiu cerca de US$ 125 milhões por participação no negócio, em movimento que reforçou a escala do grupo. Em dezembro de 2013, a Pearson comprou o Grupo Multi por aproximadamente US$ 719,6 milhões em dinheiro. A operação colocou Martins na conversa de bilionários brasileiros e encerrou sua posição de proprietário da Wizard: desde 2014, ele não controla mais a marca que o popularizou.
- Fundação e expansão: de aulas domésticas a rede franqueada de idiomas.
- Grupo Multi: portfólio de escolas de inglês com escala nacional.
- Venda à Pearson (2013): cerca de US$ 720 milhões, marco do setor de educação privada.
- Pós-venda: novos investimentos e presença pública como autor e empresário de portfólio.
Novos negócios depois da Wizard
A partir de 2014, Martins voltou ao mercado com aquisições e parcerias. No mesmo ano, o grupo ligado a ele adquiriu a rede Mundo Verde, de produtos naturais e bem-estar. Em 2016, com os filhos, entrou como master franqueado da Taco Bell no Brasil. Em 2017, comprou cerca de 35% da Wise Up, rede de idiomas fundada por Flávio Augusto da Silva, e passou a se associar publicamente a esse ecossistema de educação.
Reportagens de negócios também ligaram o Grupo Sforza — holding familiar associada a Martins — a marcas como KFC, Pizza Hut, Rainha e Topper, além de iniciativas em esportes e logística. Em 2023, ele adquiriu 50% da Enjoy, rede de idiomas voltada a crianças e pré-adolescentes, reforçando a volta ao setor de ensino após a saída da Wizard.
O conjunto mostra um padrão recorrente: escalar por franquia, comprar ou se associar a marcas com rede e repetir a lógica de capilaridade que marcou a primeira fase da carreira — agora em mais de um setor.
Brasil do Bem e atuação social
Em 2018, com a esposa Vânia, Martins impulsionou o projeto Brasil do Bem, voltado ao acolhimento e à recolocação de venezuelanos em situação de vulnerabilidade no Brasil, com base em Roraima. A proposta pública misturava mobilização da sociedade civil, emprego e moradia em cidades do interior. Coberturas de imprensa e da própria igreja à qual é ligado registraram milhares de pessoas atendidas e a interrupção parcial do trabalho presencial com o fechamento de fronteiras na pandemia de covid-19.
Esse capítulo também alimentou o livro Meu maior empreendimento (2020), em que ele relata a experiência humanitária como continuidade, e não ruptura, da lógica de organização que usava nos negócios.
Livros e presença como autor
Além do papel de empresário, Martins publicou obras de desenvolvimento pessoal e negócios. Entre os títulos mais citados estão Desperte o milionário que há em você e Do zero ao milhão, além de volumes anteriores sobre motivação e superação. Em 2013, saiu a biografia Carlos Wizard: Sonhos não têm limites, escrita por Ignácio de Loyola Brandão e lançada pela Editora Gente.
Os livros costumam circular entre leitores de empreendedorismo, franquias e histórias de “do zero ao bilhão”. Nas páginas de projeto deste diretório, cada obra principal ganha espaço próprio; aqui, elas servem para situar a voz pública de Martins como autor, não para substituir a trajetória empresarial.
Polêmicas e vida pública recente
Em 2020, Martins se filiou ao PSDB e chegou a ser cotado para cargos e candidaturas. Na mesma época, gerou controvérsia ao questionar dados oficiais de mortes por covid-19 e se aproximar do entorno político do então presidente Jair Bolsonaro. Em 2021, foi convocado pela CPI da Covid; após não comparecer de imediato, houve pedido de condução coercitiva e, em depoimento, exerceu o direito ao silêncio com base em habeas corpus, enquanto o relator da comissão apresentou vídeos em que ele defendia o chamado “tratamento precoce”.
Esses episódios fazem parte do registro público da figura e dividem interpretações, mas não apagam o núcleo pelo qual a maioria ainda o busca: a construção e a venda da Wizard, a escalada por franquias e a segunda vida empresarial em educação, varejo e alimentação.
Por que a busca por Carlos Wizard ainda importa
Quem digita o nome dele costuma cruzar três intenções: entender como nasceu a Wizard, saber o que ele faz depois da Pearson e avaliar livros ou cases de negócios ligados à marca pessoal. A trajetória combina origem periférica, domínio do inglês como alavanca, franquia como motor de escala e reinvenção de portfólio após um exit bilionário.
Para acompanhar a obra escrita e os projetos editoriais vinculados, use as páginas de projetos e os links oficiais de redes e lojas. Para o lado de idiomas contemporâneo ao qual ele se associou após a Wizard, o perfil de Flávio Augusto da Silva ajuda a contextualizar a Wise Up no mesmo mapa de educação e negócios.



