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Chico Pinheiro

Chico

Nascimento: 1953 Santa Maria, RS
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Jornalista e apresentador, Chico Pinheiro ancorou o Bom Dia Brasil e o SPTV, dirigiu o jornalismo da Record e hoje comanda o Chico Pinheiro Entrevista, no ICL Notícias.

Em 12 de outubro de 1995, o Jornal da Record foi ao ar com os dois lados do episódio que ficaria conhecido como o Chute na Santa: a justificativa do bispo que agrediu uma imagem de Nossa Senhora Aparecida durante um programa religioso da madrugada e a resposta do cardeal dom Eugênio Sales. A decisão de exibir as duas falas era de Chico Pinheiro, então diretor de jornalismo e âncora do principal telejornal da emissora. Ele havia aceitado o cargo com a promessa de uma linha editorial independente das questões religiosas — e a apuração equilibrada de um caso que contrariava interesses da própria direção lhe custou o emprego.

Francisco de Assis Pinheiro nasceu em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, em 1953, e foi para Belo Horizonte ainda bebê. Radicado em São Paulo desde o início dos anos 1990, construiu uma das carreiras mais longas do jornalismo brasileiro: mais de 50 anos, 32 deles na TV Globo, com passagens por jornais impressos, rádio, televisão aberta e, mais recentemente, pelo jornalismo digital.

Como começou a carreira de Chico Pinheiro

O primeiro emprego veio em 1971, como estagiário do Diário de Minas, em Belo Horizonte: começou na editoria Geral e logo foi para Esportes, cobrindo o Cruzeiro — destino irônico para um torcedor declarado do Atlético Mineiro. Formou-se em jornalismo pela PUC Minas, depois de abandonar o curso de engenharia que havia começado.

No início dos anos 1970, trancou a faculdade por um período para participar do Projeto Rondon em Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, experiência que costuma citar como a origem de sua ideia de escuta no jornalismo: chegou disposto a ensinar e voltou convencido de que precisava, antes de tudo, ouvir. Ainda estudante, foi repórter da sucursal mineira do Jornal do Brasil, comandada por Eduardo Simbalista. Quando Simbalista assumiu a direção da Globo Minas, convidou Chico para chefiar a reportagem da emissora, no fim da década de 1970.

Como chefe de reportagem, conduziu em 1979 a primeira entrevista do então líder do MDB, Ulysses Guimarães, exibida na televisão mineira, e, na manhã seguinte ao atentado do Riocentro, entrevistou o ministro da Justiça Ibrahim Abi-Ackel; a conversa foi barrada pela censura e nunca foi ao ar. No início dos anos 1980, estudou na Espanha com uma bolsa para jornalistas latino-americanos e, de volta ao Brasil, foi repórter do Jornal Nacional em Belo Horizonte. Deixou a Globo em 1983 para lecionar na Universidade Federal de Minas Gerais, onde havia sido aprovado em concurso.

Fora das redações, foi chefe de gabinete da Secretaria de Saúde de Minas Gerais — período em que acompanhou de perto a criação do SUS — e superintendente da Secretaria de Cultura do estado. Trabalhou ainda na produtora Quilombo, que cuidava da carreira de Milton Nascimento, editou o jornal Trem Azul e apresentou o programa de debates Alta Tensão, na TV Minas.

Band, Record e Rádio CBN: os anos antes da volta à Globo

No fim de 1989, a convite da TV Bandeirantes, transferiu-se para São Paulo, cidade pela qual diz ter se apaixonado aos poucos. Na emissora, editou e apresentou diariamente o Canal Livre, fez comentários políticos no telejornal noturno e coordenou a cobertura da segunda visita do Papa João Paulo II ao Brasil. Em 1992, a cobertura do impeachment de Fernando Collor lhe rendeu o primeiro prêmio da APCA. Ainda na Band, ancorou o Jornal da Noite, o Jornal de Domingo e o Jornal da Band, no qual permaneceu até 1995.

A passagem pela Record durou menos de seis meses. Demitido, foi para a Rádio CBN, onde apresentou o Jornal da CBN até 1997. Ainda em 1996, foi convidado a voltar à Globo, agora em São Paulo, para comandar o Bom Dia São Paulo e editar o Bom Dia Brasil, que estreava um novo formato. Nos anos seguintes, passou a apresentar eventualmente o Jornal Nacional e o Jornal da Globo.

SPTV, Bom Dia Brasil e o estilo nas manhãs da Globo

Em 1998, assumiu o SPTV 1ª edição, telejornal local da Globo São Paulo que apresentou até 2011 — boa parte do tempo ao lado de Mariana Godoy. No GloboNews, comandou o Espaço Aberto e, depois, o Sarau, programa de entrevistas e música no qual conversou com nomes como Maria Bethânia, Adélia Prado e Paula Toller, somando mais de 500 edições.

Em março de 2000, foi o jornalista que levou ao ar a entrevista exclusiva de Nicéia Pitta, ex-mulher do então prefeito Celso Pitta, sobre o esquema de corrupção na prefeitura paulistana, exibida no Globo Repórter. Em setembro de 2011, deixou a bancada do SPTV para assumir o Bom Dia Brasil, ao lado de Renata Vasconcellos e, mais tarde, de Ana Paula Araújo. Ficou no telejornal até 2022, com uma pausa entre março de 2020 e julho de 2021, quando foi afastado da bancada por integrar o grupo de risco da Covid-19.

Em abril de 2022, encerrou em comum acordo a passagem de 32 anos pela TV Globo e anunciou um ano sabático que acabou durando pouco.

De onde vêm “Coragem, hoje é segunda-feira” e “é vida que segue”

Durante os anos em que apresentou o Bom Dia Brasil, Chico Pinheiro transformou duas saudações em bordões conhecidos de milhões de telespectadores: o “Coragem! Hoje é segunda-feira!”, que abria a semana, e o “Graças a Deus, hoje é sexta-feira: é vida que segue!”, que fechava. As frases se espalharam pelas redes sociais, viraram estampa de camiseta e continuam associadas ao seu nome.

Carnaval, samba e Atlético Mineiro

De 2003 a 2018, Chico Pinheiro participou das transmissões oficiais do Carnaval de São Paulo: narrou os desfiles das escolas de samba, comandou a “esquina do samba” e, nos últimos anos, dividiu a narração com Monalisa Perrone. Também ancorou estúdios de entrevistas do Carnaval do Rio de Janeiro, no sambódromo. Torcedor declarado do Atlético Mineiro, é conselheiro vitalício e benemérito do clube, recebeu o Galo de Prata e a medalha da conquista da Libertadores de 2013. Do samba vieram o título de cidadão mangueirense, da Estação Primeira de Mangueira, e o de sambista imortal, concedido pela Mocidade Alegre em 2024.

Sou da Paz e a atuação em causas públicas

Nos anos em que trabalhou na Globo São Paulo, Chico Pinheiro ajudou a desenvolver o movimento Sou da Paz, pelo desarmamento da população: a campanha nasceu de um seminário sobre o medo da violência na cidade e envolveu lideranças estudantis da época, como Orlando Silva, então presidente da UNE, e Kerison Lopes, da UBES. O movimento promoveu entregas voluntárias de armas em frente à Catedral da Sé e deu origem ao Instituto Sou da Paz, que atua até hoje pela redução da violência no país. Chico Pinheiro também é conselheiro do Instituto Ayrton Senna e do movimento Todos Pela Educação, e recebeu títulos de cidadão honorário de São Paulo, Belo Horizonte e Águas de Lindóia.

O que Chico Pinheiro faz hoje

Após deixar a Globo em 2022, colocou a experiência em comunicação à disposição da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva à presidência — à época, definiu a disputa como “a luta da civilização contra a barbárie”. Em 2023, voltou ao ar pela internet como âncora do ICL Notícias 2ª edição, telejornal do Instituto Conhecimento Liberta exibido ao vivo no YouTube, onde dividiu a bancada com jornalistas como Leandro Demori, Xico Sá e Juliana Dal Piva.

Em setembro de 2024, assumiu o Chico Pinheiro Entrevista, programa semanal dos canais do ICL em que recebe convidados da política, da cultura e das artes — pela atração já passaram nomes como a deputada Erika Hilton, o ator Pedro Cardoso, o padre Júlio Lancellotti e a ex-prefeita Luiza Erundina. Em 2026, o jornalista tornou público o diagnóstico de um câncer de intestino durante a conversa com o cantor Zeca Baleiro no seu programa; após cirurgia e quimioterapia, concluiu o tratamento em setembro, quando exames não indicavam mais evidência da doença.

Reconhecimentos

  • Prêmios APCA pela cobertura do impeachment de Fernando Collor, em 1992, e por seu trabalho à frente de telejornais, como o SPTV
  • Prêmio Comunique-se, na categoria âncora, em 2018
  • Troféu Raça Negra, em 2006
  • Títulos de cidadão honorário de São Paulo, Belo Horizonte e Águas de Lindóia

Projetos de Chico Pinheiro

Chico Pinheiro Entrevista
Chico Pinheiro Entrevista
Programa semanal em que Chico Pinheiro recebe convidados da política, da cultura e das artes para conversas longas nos canais do ICL Notícias.
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ICL Notícias 2ª Edição
ICL Notícias 2ª Edição
Telejornal diário do Instituto Conhecimento Liberta, exibido ao vivo no YouTube, com Chico Pinheiro na bancada a partir de 2023.
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