Cristina Lyra Fialho nasceu no Rio de Janeiro, em 3 de abril de 1976, e ficou conhecida em duas fases bem distintas da televisão brasileira: primeiro como apresentadora de esportes e de telejornais — no BandNews, na BandSports e, por quase oito anos, na RedeTV! — e depois, a partir de 2022, como autora infantojuvenil, criadora da bruxinha Draguxa, que hoje circula em gibis, livros, audioséries e canções próprias.
Quem pesquisa o nome dela costuma chegar por um desses dois caminhos: a memória de quem acompanhava o Esporte Interativo, o TV Esporte Notícias ou o Leitura Dinâmica no início dos anos 2000, ou a curiosidade de pais e educadores que encontraram Draguxa em feiras literárias, eventos escolares e na loja oficial da franquia. O perfil abaixo reúne as duas trajetórias — a jornalista de estúdio e a escritora de histórias infantis —, que são, na prática, capítulos da mesma carreira.
Formação e os primeiros passos na TV
Formada em Jornalismo pelo Centro Universitário da Cidade do Rio de Janeiro, a antiga UniverCidade, em 1997, Cristina começou a trabalhar em uma produtora independente, a Rio Sport Lux, responsável pelos programas Circuito Rio e SportMix, exibidos pela CNT. Foi ali que aprendeu, na prática, a editar imagens, escrever roteiros e operar câmera — um repertório técnico que ela levaria para todas as redações seguintes.
Antes de se firmar em frente às câmeras, passou pela carreira de modelo, na agência Mega Models, e por uma temporada de comerciais que a reaproximou da televisão. Ainda no Rio, fez reportagens para o programa Ataque, da TVE Brasil, na área de esportes. Em 2002, já em São Paulo, chegou como apresentadora às operações da Rede Bandeirantes: telejornais e programas esportivos no BandNews e no BandSports, com passagens por atrações como Esporte Total, Show do Esporte e Jornal da Noite.
A fase RedeTV!: do esporte aos telejornais
Em janeiro de 2004, transferiu-se para a RedeTV!, inicialmente à frente do Esporte Interativo, projeto que envolvia transmissões da NBA, da Liga dos Campeões da UEFA e do Campeonato Inglês. Em setembro daquele ano, assumiu o TV Esporte Notícias ao lado de Cláudia Barthel. No ano seguinte, quando Roberto Avallone deixou o RedeTV! Esporte, Cristina entrou no lugar dele, dividindo a bancada noturna com Fernando Vanucci e apresentando transmissões do Campeonato Brasileiro da Série B, do Showbol e da Liga Futsal.
Em 2006, apresentou aos domingos o reality show The Contender — O Desafiante, período em que um bordão seu entrou no vocabulário da atração: "Vai correr ou vai encarar?". A partir de 2007, voltou às reportagens com os bastidores do Campeonato Paulista para o Bola na Rede, participou do quadro Jogos Perdidos e passou a fazer a previsão do tempo do Notícias das 7 e do RedeTV! News. Em 2008, assumiu a edição matutina do Leitura Dinâmica e o Good News; em 2009, apresentou interinamente o RedeTV! News e comandou o UFC Sem Limites, dedicado ao MMA.
- 1997 — formada em Jornalismo, estreia em produtora que fazia programas para a CNT;
- 2002 — apresentadora de esportes e telejornais no BandNews e no BandSports;
- 2004 — chega à RedeTV!, onde permanece até o fim de 2011;
- 2006 — apresenta o reality The Contender — O Desafiante;
- 2011 — deixa a emissora, que não renova seu contrato;
- 2022 — estreia na literatura infantil com Draguxa e os Guardiões da Floresta.
No fim de 2011 — quando estava em licença-maternidade, após o nascimento do primeiro filho —, a RedeTV! informou que não renovaria seu contrato. A saída foi noticiada pela coluna de Flávio Ricco, no UOL, em 1º de dezembro daquele ano, e encerrou um ciclo de quase oito anos na emissora.
Depois da TV: poesia, palco e uma bruxinha em casa
Fora do ar, Cristina somou ao jornalismo outras formações — Yoga e Artes Cênicas — e passou a se apresentar publicamente como poetisa, compositora e contadora de histórias. Em 2022, quando lançou seu primeiro livro infantil, a imprensa a apresentava como autora de cinco livros publicados no Brasil e em Portugal.
A personagem que mudaria sua carreira nasceu dentro de casa. O filho pequeno, Lucas, queria brincar de luta; para desviar a brincadeira, a mãe virou bruxa — e a bruxa virou rotina. "Ele queria brincar de luta e desde que me transformei nessa bruxinha a primeira vez essa virou a brincadeira preferida dele", contou ela à imprensa em 2022. A invenção doméstica cresceu com os amigos do menino, virou história e chegou à literatura infantojuvenil como Draguxa e os Guardiões da Floresta, com ilustrações de Marcelo Tibúrcio.
O lançamento na Fliti e a saga da bruxinha
O livro foi lançado na Feira Literária de Tiradentes, a Fliti, entre 3 e 6 de novembro de 2022, em Minas Gerais. Na apresentação, a autora contou que a própria mãe, Maria Helena Lyra, funcionava como fonte de ideias para a trama — e que os "estudos prévios de ciências ocultas" do grupo apareciam na história como bônus para os adultos, "com insights de sabedoria que poderão ser aproveitados" também por eles.
Draguxa, a protagonista, tem oito anos, é filha de um dragão com uma bruxa e vive com a mãe, Luna, em uma casa-caverna na floresta do reino encantado de Lótus. A saga acompanha a aprendiz de bruxa por temas como bullying, descoberta de identidade e preservação ambiental — escolhas que fizeram da personagem uma presença recorrente em histórias lidas em voz alta em casa e na escola.
Gibis, músicas e novelinha: o universo que cresceu
De 2022 para cá, a bruxinha deixou de ser um livro e virou franquia. No site oficial da Draguxa, convivem o gibi com as três histórias iniciais e 18 tirinhas, uma coleção de cinco livrinhos, uma audiosérie de cinco episódios com canções originais — finalista do Série Lab — e itens colecionáveis vendidos com envio para todo o Brasil.
A música entrou em setembro de 2024, com o lançamento de "A Luna e o Duque", composição de Cris Lyra com João Arruda, Bruna Barros e Mariana Donner, gravada no estúdio Delyra com direção musical de João Arruda. Em janeiro de 2025, a história chegou às plataformas digitais como ebook e audiolivro, sob o selo da Lyra Editora. No audiovisual, a franquia gravou a primeira temporada da novela infantojuvenil Draguxa na Escola de Magia, estruturada para exibição nos formatos vertical e horizontal.
Em 2025, eventos escolares passaram a receber a autora para sessões de autógrafos do gibi e atividades da Trupe da Draguxa, com apresentações que levam às crianças os temas da saga: bullying, autoestima e natureza. É essa frente — a de criadora de um universo infantojuvenil brasileiro — que hoje responde por boa parte das buscas pelo nome dela.
Onde acompanhar o trabalho de Cristina Lyra
Hoje, a produção de Cristina Lyra se concentra no universo Draguxa: a loja e o site oficial da franquia, o perfil da bruxinha no Instagram e o canal do universo no YouTube. O vínculo com o jornalismo continua público — o Portal dos Jornalistas mantém sua ficha profissional, e a Wikipédia registra sua passagem pelas emissoras —, mas é na literatura e nas canções que ela tem construído os capítulos mais recentes da própria trajetória.





