O combate ao tráfico de animais silvestres ganhou escala nacional depois que Dener Giovanini fundou, em 1999, a RENCTAS — Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres. Jornalista, documentarista e ambientalista, ele ajudou a transformar um crime tratado como problema menor em assunto de política pública, campanha internacional e documentário — e por esse trabalho é reconhecido como empreendedor social por organizações como Ashoka, Avina e a Schwab Foundation for Social Entrepreneurship.
Nascido em 1967, Giovanini levou para o meio ambiente a bagagem de quem estudou letras e jornalismo, trabalhou em rádio e passou pela gestão pública antes de criar a rede que o projetaria em âmbito nacional. A mesma trajetória o conduziu da militância em Três Rios, no interior do Rio de Janeiro, às telas da TV Globo, do Canal Futura, do cinema e das plataformas de streaming, sempre com a fauna brasileira no centro do trabalho.
Quem é Dener Giovanini
Dener José Giovanini é coordenador-geral da RENCTAS, segundo o site da própria organização, e uma das vozes mais constantes da comunicação ambiental brasileira. Sua atuação combina três frentes que raramente andam juntas: a militância de base, a gestão de organizações e empresas de comunicação, e a produção de conteúdo jornalístico e audiovisual sobre conservação.
Em mais de duas décadas de trabalho, assinou séries de televisão sobre biodiversidade, assinou colunas de meio ambiente no Estadão, dirigiu documentários exibidos em cinema e TV e passou a levar o tema do tráfico de fauna para plateias corporativas, universidades e conferências ambientais no Brasil e no exterior.
Origem, formação e os primeiros anos de atuação
Giovanini formou-se em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e em Jornalismo pelo Instituto de Educação Superior de Brasília. O envolvimento com o meio ambiente começou cedo: ainda adolescente, passou a atuar em causas ambientais e, já em 1992, participou da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a ECO-92, realizada no Rio de Janeiro.
Foi no interior fluminense que a militância virou ofício. Em Três Rios, criou a ONG Sociedade Mata Viva, por meio da qual desenvolveu ações e projetos ambientais na região. O trabalho local rendeu convite para cargo público: em 1998, foi nomeado secretário de meio ambiente do município — experiência administrativa que mais tarde ajudaria a explicar sua capacidade de dialogar com o poder público em Brasília.
RENCTAS: a rede que colocou o tráfico de animais silvestres no mapa
A RENCTAS foi fundada em 1999 e se consolidou como Organização Social Civil de Interesse Público, com sede em Brasília e escritório regional na Amazônia. A rede atua em parceria com a iniciativa privada, o poder público e o terceiro setor, e o próprio Giovanini assina como coordenador-geral.
Entre as iniciativas que ajudaram a dar visibilidade ao tema está o 1º Relatório Nacional sobre o Tráfico de Animais Silvestres, publicado em 2001, que mapeou rotas e o funcionamento do comércio ilegal de fauna. Em 2006, a campanha internacional de combate ao tráfico foi lançada no Ministério das Relações Exteriores, com apoio do Ministério do Meio Ambiente — pasta então comandada por Marina Silva — e do Ibama.
Os números que a organização divulga dão a medida do problema: segundo a rede, cerca de 38 milhões de animais silvestres são retirados da natureza todos os anos no Brasil, o comércio ilegal movimenta em torno de 2 bilhões de dólares por ano no país e o tráfico é a terceira maior atividade ilegal do mundo, atrás apenas do tráfico de armas e do de drogas. Hoje, a RENCTAS mantém monitoramento permanente do tráfico online, publica relatórios periódicos — como o diagnóstico sobre a Amazônia Brasileira — e oferece canais de doação e voluntariado.
Reconhecimento internacional como empreendedor social
O trabalho à frente da RENCTAS rendeu a Giovanini credenciais que poucos ambientalistas brasileiros reúnem. Em 2003, foi reconhecido pela Schwab Foundation como Notável Empreendedor Social e recebeu, das mãos do então secretário-geral da ONU, Kofi Annan, o prêmio ambiental UNEP-Sasakawa. Também é fellow da Ashoka e foi reconhecido pela Avina, organizações que mapeiam empreendedores sociais de impacto na América Latina e no mundo — o mesmo campo de atuação que aparece na página de empreendedorismo do site.
No fim dos anos 2000, o nome do brasileiro passou a circular em listas internacionais de destaque: foi apontado pelo jornal francês Le Monde entre os maiores ambientalistas do mundo, em 2007, e destacado pela revista americana Newsweek entre os empreendedores sociais mais relevantes, em 2008.
Do Fantástico ao cinema: a fase documentarista
Em 2004, Giovanini criou a DGCA, empresa de comunicação ambiental que mais tarde daria origem à DGCA Filmes, produtora de conteúdo para TV e cinema. A estreia de peso na televisão aberta veio em 2007, com o quadro O Brasil é o Bicho, exibido no Fantástico, da TV Globo, e apresentado por ele. Em 2011, foi a vez de Ecos do Brasil, série produzida pela DGCA Filmes para o Canal Futura.
- O Brasil é o Bicho — série de 12 episódios exibida pelo Fantástico, com apresentação de Giovanini;
- Ecos do Brasil — série para TV produzida pela DGCA Filmes para o Canal Futura, sobre as principais questões ambientais brasileiras;
- Amores Santos — documentário longa-metragem de 2016, que abriu o festival Recifest;
- Brasil/África – Um Elo Natural — longa documental exibido em cinema e Globoplay;
- Wild – Rede Selvagem — longa sobre o tráfico ilegal de animais, exibido no cinema, na Globo News e no Canal Brasil.
Em 2018, a equipe deu um passo geográfico importante: a produtora Pajé Filmes nasceu em Santarém, no Pará, com foco em histórias que conectam a Amazônia ao mundo — documentários, séries e programas socioambientais e históricos, originados da experiência da DGCA Filmes.
O que Dener Giovanini faz hoje
Giovanini segue como coordenador-geral da RENCTAS, assina colunas de meio ambiente no Estadão e atua como palestrante e consultor em sustentabilidade. Em palcos corporativos, apresenta temas como riscos globais e impactos locais, a história ambiental do Brasil, biodiversidade para líderes empresariais e a relação entre conservação e agenda ESG.
Sua trajetória de empreendedor social também ocupa as telas: ele está entre os entrevistados do documentário Quem se Importa?, dirigido por Mara Mourão, que discute o empreendedorismo social ao lado de nomes como Muhammad Yunus e Bill Drayton, disponível no Prime Video.
Onde acompanhar Dener Giovanini
Ele mantém presença ativa no Instagram (@denergiovanini), no Facebook e em canal próprio no YouTube, com vídeos e entrevistas sobre conservação. O trabalho recente de documentários e séries pode ser acompanhado pela Pajé Filmes, produtora que ele representa e cujo catálogo está disponível em pajefilmes.com.br.






