Claudionor Viana Teles Velloso nasceu em 16 de setembro de 1907 em Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano, e morreu na mesma cidade em 25 de dezembro de 2012, aos 105 anos. Entre uma data e outra, virou Dona Canô — apelido que ganhou na infância, quando uma amiga não conseguia pronunciar "Claudionor" — e se tornou uma das figuras mais conhecidas da Bahia, menos por um cargo ou um título do que por uma casa: a dela, que recebeu artistas, jornalistas e governantes ao longo de décadas.
Foi mãe de oito filhos, dois deles de criação, entre os quais Caetano Veloso, Maria Bethânia e a também cantora Mabel Velloso. Casada desde 1931 com José Teles Veloso, o Seu Zeca, funcionário dos Correios, ficou viúva em 1983 e nunca deixou Santo Amaro. A canção "Dona Canô", gravada por Daniela Mercury no álbum Feijão com Arroz (1996), e o livro de memórias que publicou aos 101 anos fizeram dela personagem da cultura popular brasileira.
Quem foi Dona Canô?
Dona Canô era o nome público de Claudionor Viana Teles Velloso, nascida em uma família de Santo Amaro da Purificação, cidade do Recôncavo Baiano marcada pelas festas religiosas e pelos cortejos populares. Na juventude, teve contato com música e teatro, experiência que ajudaria a moldar o ambiente artístico em que criou os filhos. A trajetória dela se confunde com a da própria cidade: organizava o Terno de Reis, acompanhava as celebrações da padroeira e fazia da casa da família um ponto de encontro aberto a parentes, músicos e visitantes.
Considerada uma das cidadãs mais ilustres de Santo Amaro, Dona Canô construiu uma reputação própria, independente dos filhos famosos. Em janeiro de 2010, o então governador da Bahia, Jaques Wagner, visitou a matriarca em sua casa — registro que circulou na imprensa e mostra como a rotina dela interessava para além do círculo familiar.
O que era o Terno de Reis organizado por Dona Canô?
O Terno de Reis é um cortejo natalino tradicional da Bahia: grupos de cantadores passam de casa em casa entre o Natal e o Dia de Reis entoando versos religiosos. Em Santo Amaro da Purificação, o terno reunido por Dona Canô se tornou uma das manifestações mais esperadas do calendário da cidade. Era ela quem articulava os grupos e mantinha a tradição em movimento, papel citado em reportagens sobre a cultura do Recôncavo e lembrado até hoje por moradores e pesquisadores da região.
Como Dona Canô influenciou a formação musical dos filhos
Antes de ser reconhecida como mãe de dois nomes da música popular brasileira, Dona Canô já tinha ligação com a arte: passou pela música e pelo teatro e apoiou o caminho artístico dos filhos desde cedo. Caetano Veloso e Maria Bethânia saíram de Santo Amaro para se tornar referências nacionais, enquanto Mabel Velloso seguiu carreira como cantora e compositora. A própria Dona Canô resumia a fama com modéstia, em entrevista à revista Vida Simples, em 2007: "Apenas fiquei conhecida por causa de meus dois filhos que nunca se esqueceram de onde vieram nem da mãe que têm."
O livro "Canô Velloso: lembranças do saber viver"
Em 2009, aos 101 anos, Dona Canô viu suas memórias publicadas pela Edufba, a editora da Universidade Federal da Bahia. O livro "Canô Velloso: lembranças do saber viver" foi escrito pelo historiador Antônio Fernando Guerreiro de Freitas com Arthur de Assis, que morreu antes da conclusão da obra. São 179 páginas com as lembranças da matriarca sobre a própria vida e sobre Santo Amaro, um registro raro de uma mulher que atravessou o século XX no interior da Bahia. O lançamento, quando ela já passava dos cem anos, chamou a atenção da imprensa nacional.
Qual canção homenageia Dona Canô?
O nome dela também virou verso. A faixa "Dona Canô", assinada por Neguinho do Samba, integra o álbum Feijão com Arroz (1996), de Daniela Mercury, um dos discos mais vendidos da música baiana. A canção ajudou a levar o apelido da matriarca para fora da Bahia e reforçou a ligação entre a família Veloso e a música popular brasileira.
Os últimos anos e as homenagens
Dona Canô completou 105 anos em setembro de 2012, com festa em Santo Amaro e homenagem de Maria Bethânia. Três meses depois, morreu em casa, no dia de Natal. A notícia ganhou as páginas de veículos de todo o país, que trataram a perda como o fim de um capítulo da cultura baiana. Na cidade natal, o nome dela permanece em um teatro, e sua história segue presente em livros, reportagens e na memória de quem conviveu com a matriarca.
Linha do tempo de Dona Canô
- 1907 — nasce Claudionor Viana Teles Velloso em Santo Amaro da Purificação, na Bahia;
- 1931 — casa-se com José Teles Veloso, o Seu Zeca, funcionário dos Correios;
- 1983 — fica viúva e permanece em Santo Amaro, onde viveu o resto da vida;
- 1996 — Daniela Mercury grava "Dona Canô", de Neguinho do Samba, no álbum Feijão com Arroz;
- 2009 — publica o livro de memórias "Canô Velloso: lembranças do saber viver" pela Edufba;
- 2012 — morre em casa, em 25 de dezembro, aos 105 anos.


