Em 2009, quando completava 101 anos, Dona Canô publicou pela Edufba o livro de memórias "Canô Velloso: lembranças do saber viver". O volume reúne a trajetória de Claudionor Viana Teles Velloso, a matriarca de Santo Amaro da Purificação que se tornou uma das figuras mais conhecidas da Bahia — primeiro como mãe de Caetano Veloso e Maria Bethânia, depois como personagem da cultura popular brasileira.
O livro é um registro raro: uma mulher centenária contando a própria vida, sem mediação de autoficção, num país onde memórias populares raramente chegam à edição comercial. Por isso, interessa tanto a leitores de biografias quanto a pesquisadores da cultura do Recôncavo Baiano.
Quem escreveu "Canô Velloso: lembranças do saber viver"
A obra foi escrita pelo historiador Antônio Fernando Guerreiro de Freitas com Arthur de Assis, que morreu antes da conclusão do trabalho. Publicada pela Edufba, a editora da Universidade Federal da Bahia, a edição tem 179 páginas e reúne as lembranças de Dona Canô sobre a própria vida e a cidade onde nasceu e morreu.
A escolha de uma editora universitária não é casual: o livro dialoga com a história social da Bahia, com os estudos sobre memória e com a valorização das vozes populares do Recôncavo. Não se trata de uma biografia romanceada, e sim de um depoimento organizado por um historiador.
Qual é o tema central do livro
O fio condutor é o "saber viver" anunciado no subtítulo: a vida longa de uma mulher que atravessou o século XX em Santo Amaro da Purificação, criou oito filhos, ficou viúva em 1983 e se tornou referência afetiva e cultural da cidade. Dona Canô fala da família, da rotina no Recôncavo, das festas religiosas e do Terno de Reis que ajudou a manter vivo — a tradição natalina em que grupos de cantadores percorrem as casas entoando versos até o Dia de Reis.
As memórias ganham peso justamente porque a história dela acompanha as transformações de Santo Amaro: a cidade que viu nascer Caetano Veloso, Maria Bethânia e Mabel Velloso é a mesma que manteve, na casa da matriarca, um ponto de encontro para artistas, jornalistas e visitantes ao longo de décadas.
Por que o livro é relevante para quem acompanha a MPB
Quem se interessa pela música popular brasileira encontra no livro o pano de fundo da formação de dois dos maiores nomes da MPB. Dona Canô teve contato com música e teatro na juventude e apoiou o caminho artístico dos filhos desde cedo — contexto que ajuda a entender a ligação da família Veloso com a cultura baiana e com a cidade de Santo Amaro.
A canção "Dona Canô", assinada por Neguinho do Samba e gravada por Daniela Mercury no álbum Feijão com Arroz (1996), é outro capítulo dessa presença na música: o nome da matriarca virou verso e ajudou a projetar sua figura para fora da Bahia.
Para quem é este livro
- Leitores de biografias e memórias brasileiras;
- Admiradores de Caetano Veloso, Maria Bethânia e da música baiana;
- Pesquisadores de cultura popular, história oral e do Recôncavo Baiano;
- Quem se interessa pela tradição do Terno de Reis e pelas festas religiosas da Bahia.
Como conseguir "Canô Velloso: lembranças do saber viver"
A edição é de 2009 e não circula mais nas livrarias novas. Exemplares usados aparecem em sebos e plataformas de livros raros, geralmente com preço variável conforme o estado de conservação. Para quem quer ler o depoimento completo de Dona Canô, o mercado de usados é hoje o caminho mais realista — vale conferir a disponibilidade antes de comprar.

