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Drauzio Varella

Dr. Drauzio

Nascimento: 1943 São Paulo, SP
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Médico oncologista, escritor e comunicador paulistano. Popularizou a saúde no Brasil e relatou o Carandiru em livros premiados e no cinema.

Antes de virar referência nacional de saúde na televisão, Drauzio Varella já entrava toda semana na Casa de Detenção do Carandiru para atender presos, falar de HIV e ouvir histórias que o sistema prisional preferia manter longe do público. A combinação entre o médico de consultório e o narrador de um Brasil enclausurado é o que ainda puxa tanta gente até o nome dele: quem busca Drauzio quer entender a trajetória de um oncologista que transformou experiência clínica, voluntariado e comunicação em presença pública rara.

Paulistano do Brás, formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, ele se tornou um dos rostos mais reconhecíveis da medicina e da divulgação científica no país. O portal que leva seu nome, o quadro no Fantástico, o canal no YouTube e a trilogia sobre o sistema carcerário formam a mesma linha: explicar o corpo, a doença e a sociedade sem jargão inútil.

Quem é Drauzio Varella

Antônio Drauzio Varella nasceu em 3 de maio de 1943, em São Paulo. Cresceu no Brás, bairro operário da capital, neto de imigrantes galegos e portugueses. Passou no vestibular da USP em segundo lugar e se formou em 1967 como médico cancerologista. Ainda estudante, deu aulas no cursinho 9 de Julho; em 1965, com o amigo João Carlos di Genio, ajudou a fundar o Cursinho Objetivo, onde lecionou física e química por muitos anos. Mais tarde esteve entre os fundadores da Universidade Paulista e da Rede Objetivo.

No começo da década de 1970, trabalhou com o infectologista Vicente Amato Neto nas moléstias infecciosas do Hospital do Servidor Público de São Paulo. Depois dirigiu por cerca de 20 anos o serviço de imunologia do Hospital do Câncer (hoje A.C.Camargo Cancer Center) e, entre 1990 e 1992, o serviço de câncer do Hospital do Ipiranga. Também lecionou e fez estágios em instituições como o Memorial Hospital de Nova York, a Cleveland Clinic, o Instituto Karolinska e o National Cancer Institute em Tóquio.

Oncologia, aids e o começo da voz pública

Na chefia de imunologia do Hospital do Câncer, Drauzio viu de perto o surgimento dos primeiros casos de aids no Brasil. Um estágio de três meses em Nova York o colocou em contato com o sarcoma de Kaposi, tumor frequente em pacientes com a doença. De volta a São Paulo, tornou-se um dos médicos de referência no tema em um país que ainda associava a epidemia a preconceito e desinformação.

A partir de 1986, sob orientação do radialista Fernando Vieira de Mello, começou campanhas de rádio para explicar prevenção e contágio. Foi um dos primeiros médicos brasileiros a falar abertamente sobre o assunto em escala de massa, numa época em que o país também avançava na distribuição pública de medicamentos antirretrovirais. Essa passagem da clínica para a mídia não apagou o médico de hospital: ela ampliou o alcance de quem já tratava câncer e infecções graves.

O trabalho voluntário no Carandiru

Em 1989, durante uma gravação, Drauzio conheceu a Casa de Detenção de São Paulo, o Carandiru. O tema era a disseminação do HIV entre os detentos. Propôs uma pesquisa de prevalência e logo percebeu que só diagnóstico não bastava: era preciso conversar com milhares de presos sobre prevenção. Entre 1989 e 2002, frequentou o presídio semanalmente como médico voluntário, até a desativação e implosão do complexo.

Depois atendeu na Penitenciária do Estado, no Centro de Detenção Provisória da Vila Independência e, a partir de 2006, na Penitenciária Feminina da Capital. Dessa experiência nasceram os livros que o fixaram também como escritor de não ficção: Estação Carandiru (1999), Carcereiros (2012) e Prisioneiras (2017). O primeiro venceu o Prêmio Jabuti 2000 de livro do ano de não ficção e inspirou o filme de Hector Babenco em 2003.

  • Voluntariado no Carandiru de 1989 a 2002, com pesquisa e prevenção de HIV
  • Trilogia carcerária publicada pela Companhia das Letras
  • Adaptação cinematográfica de Estação Carandiru dirigida por Hector Babenco
  • Continuidade do atendimento e dos relatos na penitenciária feminina

Televisão, rádio, portal e redes

Na Rádio Bandeirantes, Drauzio apresentou por anos o Espaço Saúde. Na TV Globo, consolidou quadros de saúde no Fantástico — corpo humano, tabagismo, primeiros socorros, gravidez, obesidade, transplantes e outras pautas que levaram linguagem médica para a sala de jantar. Passou também pelo Canal Universitário e pela TV Senado. Desde 2000 escreve coluna na Folha de S.Paulo e, mais recentemente, colabora com a CartaCapital.

Na internet, o Portal Drauzio Varella reúne artigos, vídeos e o DrauzioCast. O canal no YouTube ultrapassa milhões de inscritos e funciona como extensão do mesmo ofício: traduzir evidência clínica e dúvida do paciente em conversa acessível. O perfil oficial do portal no Instagram e a página no Facebook reforçam essa presença digital sem substituir o trabalho de médico e escritor.

Livros, corrida e a Amazônia

Além da trilogia prisional, a bibliografia inclui títulos como Por um Fio, Borboletas da Alma, O Médico Doente, Correr e a autobiografia O Exercício da Incerteza: Memórias (2022). Em 2025 publicou O Sentido das Águas: Histórias do Rio Negro. Há também obras infantis, como Nas ruas do Brás, premiada em Bolonha e na Bienal do Livro do Rio.

Parou de fumar nos anos 1980 e, perto dos 50, decidiu treinar para a Maratona de Nova York. Completou as seis grandes maratonas do circuito World Marathon Majors e, em 2022, aos 79 anos, recebeu a Six Star Medal. No livro Correr, descreve o exercício menos como prazer e mais como disciplina de sobrevivência. Em paralelo, dirige projeto de bioprospecção de plantas na bacia do rio Negro, com apoio da UNIP e da FAPESP e colaboração do Hospital Sírio-Libanês, em busca de extratos com potencial contra câncer e bactérias resistentes — com dezenas de expedições e milhares de extratos catalogados.

Como ele se posiciona hoje

Drauzio continua ativo como comunicador de saúde, crítico de promessas sem base científica e autor que volta ao tema da incerteza médica e do sistema prisional. Mora em São Paulo, é casado com a atriz Regina Braga e tem duas filhas de casamento anterior. Para quem chega pelo Fantástico, pelo YouTube ou pelos livros do Carandiru, o fio comum é o mesmo: um médico que trata a informação pública como parte do cuidado.

Se a dúvida é por onde começar, o perfil público dele aponta para três portas: o portal oficial com conteúdo de saúde atualizado; a trilogia carcerária para entender o escritor; e a memória de O Exercício da Incerteza para acompanhar meio século de medicina brasileira vista de dentro.

Projetos de Drauzio Varella

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Estação Carandiru
Estação Carandiru
Relato de dez anos de atendimento voluntário na Casa de Detenção de São Paulo, com o cotidiano e o código não escrito do maior presídio do país.
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Carcereiros
Carcereiros
Segundo volume da trilogia carcerária: o olhar de Drauzio Varella sobre os agentes e o funcionamento da prisão para quem trabalha do outro lado das grades.
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Prisioneiras
Prisioneiras
Terceiro livro da trilogia carcerária de Drauzio Varella, com relatos do atendimento voluntário na Penitenciária Feminina da Capital, em São Paulo.
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