Em 1998, uma menina de dez anos nascida em Canoas, no Rio Grande do Sul, entrou para o elenco de Chiquititas e viu a rotina virar de cabeça para baixo: shows, capas de disco, uma boneca com o próprio rosto e uma temporada morando em Buenos Aires. A menina era Elisa Veeck, a intérprete da pequena Fran, e boa parte do país decorou o nome dela. Quase três décadas depois, o rosto continua na televisão — agora ancorando o noticiário. Elisa é hoje âncora do Live CNN, telejornal diário que comanda sozinha na CNN Brasil desde dezembro de 2022.
Elisa Vignochi Veeck tem 38 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade do Vale do Paraíba (Univap), em São José dos Campos, e uma das vozes mais presentes da programação ao vivo da CNN no Brasil. Antes de chegar à bancada de alcance nacional, apresentou por quatro anos o telejornal do meio-dia da TV Vanguarda, afiliada da Globo no Vale do Paraíba — trabalho que lhe rendeu o Troféu Mulher Imprensa 2017 de melhor âncora de televisão. Entre a novela que a lançou e o estúdio da emissora de notícias, há uma carreira construída degrau por degrau, com passagens por teatro, música, esporte e uma relação com a TV que ela mesma resume em uma frase: “Eu cresci na televisão”.
A menina de Chiquititas e a infância na TV
Filha de uma família sem nenhuma ligação com o meio artístico, Elisa pediu à mãe para fazer o teste da novela infantil do SBT porque era fã do formato. Passou. Em 1998, aos dez anos, estava escalada como a órfã Fran, personagem que fazia parte do núcleo das meninas do orfanato e que dividia cena com nomes como Jonatas Faro e Bruno Gagliasso, então também no início da carreira. As gravações levaram a menina de Canoas para Buenos Aires, na Argentina, onde viveu parte da infância longe de casa.
O sucesso de Chiquititas no fim dos anos 1990 foi além da telinha: rendeu turnês de shows, discos, produtos licenciados e um tipo de reconhecimento que atravessa gerações. “Ser uma criança e ter uma boneca com a sua cara, ver seu rosto em capa de CD, revistas, adesivo de chiclete, fazer shows, morar em outro país, é algo fora do normal”, contou ela à coluna de Leo Dias, no Metrópoles, ao lembrar daquela fase. A voz grave — hoje uma das marcas do seu jeito de apresentar — já chamava atenção na época: criança, ela surpreendeu Hebe Camargo em uma passagem pelo programa da apresentadora, episódio que a própria Elisa gosta de recordar.
Encerrado o ciclo da novela, Elisa seguiu na dramaturgia e na música: passou pelo teatro em espetáculos no circuito paulistano, entre eles O Homem que Queria Ser um Village People, e, em 2008, protagonizou o clipe de “Daqui Pra Frente”, da banda NX Zero — produção que virou uma microssérie de 16 capítulos exibida pela MTV. O gosto por apresentar nasceu nessa mesma fase: em 2010, comandou o MIT TV, programa de automobilismo da Mitsubishi em canal por assinatura, e integrou o elenco da série Morando Sozinho, no papel da síndica Verônica.
Da TV regional à bancada da CNN
A virada profissional veio com uma decisão de recomeço. Ainda atuando, Elisa prestou vestibular e cursou Comunicação Social com habilitação em Jornalismo na Univap, formando-se em 2016. No mesmo ano, estreou na apresentação do Link Vanguarda, telejornal do horário do almoço da TV Vanguarda, a afiliada da Globo que cobre São José dos Campos e o Vale do Paraíba. Ficou no comando por quatro temporadas e, em 2017, foi premiada no Troféu Mulher Imprensa como melhor âncora de televisão.
Em fevereiro de 2020, veio o convite da CNN Brasil, que estreava a sua programação no país. A entrada foi pela madrugada: Elisa apresentou os boletins do CNN Newsroom, ainda como parte da equipe que montava o ritmo do canal. Em poucos meses, assumiu o matinal CNN Novo Dia, que apresentou até 2022, e, no mesmo ano, ancorou o Expresso CNN, o telejornal noturno que ficou no ar até dezembro.
A grande virada dentro da emissora aconteceu com a reformulação geral da grade, em dezembro de 2022: Elisa passou a comandar sozinha o Live CNN, que até então dividia a bancada entre dois apresentadores. No ar diariamente por três horas, o telejornal se tornou o principal cartão de visitas dela — e ajudou a firmá-la como um dos nomes conhecidos da CNN Brasil.
A carreira em programas e telejornais
Em mais de 25 anos de televisão, a trajetória de Elisa Veeck cruza formatos que costumam ficar distantes entre si. Os principais programas da carreira dela:
- Chiquititas (SBT, 1998) — novela infantil que a lançou nacionalmente como a órfã Fran;
- MIT TV (2010) — programa de automobilismo da Mitsubishi em canal por assinatura;
- Morando Sozinho (2010–2011) — série de TV em que interpretou a síndica Verônica;
- Link Vanguarda (2016–2020) — telejornal do meio-dia da TV Vanguarda, afiliada da Globo;
- Live CNN (desde 2022) — telejornal diário da CNN Brasil, como âncora única.
Poucas âncoras do noticiário brasileiro carregam um currículo tão variado, e é essa mistura de programas de TV que explica a naturalidade dela diante das câmeras — do palco de um show infantil à bancada de um telejornal de três horas.
O que Elisa Veeck faz hoje
Elisa Veeck segue como âncora do Live CNN, nos dias úteis, e participa das coberturas especiais da emissora. Em março de 2026, ela foi uma das apresentadoras da live especial da CNN Brasil para o Oscar, ao lado de Mari Palma — sinal de que a ex-Chiquititas virou presença fixa também nas grandes noites de cobertura do canal.
Quem procura a Fran de Chiquititas encontra, hoje, uma jornalista de 38 anos que atravessou a dramaturgia, o esporte e o entretenimento antes de chegar ao noticiário — e que ocupa a bancada com a mesma voz grave dos tempos de novela. Ela mantém um perfil discreto no Instagram, onde divide menos a vida pessoal e mais o ritmo de plantões e coberturas da emissora.




