Contexto e proposta de Chiquititas
Antes de ser âncora, Elisa Veeck foi criança no horário nobre do SBT. Chiquititas, a novela infantil que o canal exibiu entre 1997 e 2001, foi o palco onde ela viveu a órfã Fran a partir de 1998 — personagem que a colocou em turnês de shows, discos e produtos licenciados, e que até hoje faz gente pará-la na rua.
Baseada no formato argentino de mesmo nome, a versão brasileira da novela acompanhava o dia a dia das meninas de um orfanato e virou um dos maiores fenômenos infantis da TV brasileira no fim dos anos 1990. Elisa entrou na trama com dez anos e mudou-se para Buenos Aires durante a produção — experiência que ela descreve como parte de uma infância fora do comum.
Como era viver Fran. A personagem fazia parte do núcleo das meninas do orfanato e dividia cena com um elenco mirim que também dava os primeiros passos na TV, entre eles Jonatas Faro e Bruno Gagliasso. As gravações misturavam cenas de estúdio e números musicais, e a menina de Canoas — que já chamava atenção pela voz grave — aprendeu cedo a rotina de uma produção de sucesso nacional.
O fenômeno Chiquititas. As músicas da novela viravam discos, os personagens ganhavam bonecos e o elenco saía em turnês de shows pelo país. Para uma criança de dez anos, como Elisa gosta de lembrar, era “algo fora do normal”: rosto estampado em capa de CD, revistas, adesivos — e uma boneca com a sua cara. O sucesso foi tão duradouro que o SBT revistou a novela em novas versões nas décadas seguintes.
Da novela para a carreira adulta. A passagem pelo SBT não ficou como peça de saudosismo: foi o começo de uma relação com a televisão que só cresceu. Depois de Chiquititas, Elisa seguiu no teatro e na música e, anos mais tarde, migrou para a apresentação e o jornalismo — reviravolta que a levou à CNN Brasil. Em dezembro de 2024, ela voltou ao universo da novela como convidada do especial Geração Chiquititas, onde relembrou os anos de gravação, como a manha do elenco para disfarçar o tamanho das camas do cenário: “a gente tinha que encolher a perna, mas fingia que cabia”.
Chiquititas é, para quem procura a Fran, o ponto de partida da trajetória de Elisa Veeck — e a explicação de por que o nome dela desperta memória afetiva em uma geração inteira que hoje a reencontra no noticiário.



