Antes de virar sinônimo de rap brasileiro na década de 2010, Emicida era o MC que “matava” adversários nas batalhas de improviso de São Paulo. O apelido nasceu daí: a fusão de “MC” com o sufixo “-cida”, depois reescrito pelo próprio artista como o acrônimo Enquanto Minha Imaginação Compuser Insanidades Domino a Arte. Quem busca o nome hoje encontra bem mais do que freestyle: discografia, livros infantis, documentário na Netflix e um projeto cultural que atravessa música, moda e história negra.
Leandro Roque de Oliveira nasceu em 17 de agosto de 1985, em São Paulo. Cresceu na zona norte da capital, em família pobre, e perdeu o pai ainda criança — memória que atravessa canções como “Crisântemo” e “Ooorra…”. Irmão do produtor Evandro Oliveira (Fióti), construiu com ele a Laboratório Fantasma, selo e hub que organizou lançamentos, turnês e a marca LAB. A trajetória pública de Emicida é a de um artista que saiu das rinhas de MC e chegou ao Theatro Municipal, ao Coachella e a prateleiras de literatura infantil sem largar o vocabulário da periferia.
Quem é Emicida
Emicida é rapper, cantor, compositor, escritor e apresentador brasileiro. A obra combina hip hop com referências de MPB, samba, jazz e cultura afro-brasileira. Ele já atuou como repórter em Manos e Minas (TV Cultura), comandou o Sangue B na MTV Brasil e integrou o time de Papo de Segunda, no GNT. Em 2021, apresentou a série documental O Enigma da Energia Escura, no GNT e no Globoplay.
O público chega por portas diferentes: quem ouviu “Triunfo” no YouTube; quem entrou por “Hoje Cedo”, com Pitty; quem descobriu o álbum AmarElo e o documentário AmarElo — É Tudo pra Ontem na Netflix; ou quem comprou o livro Amoras para ler com crianças. Em todos os casos, o mesmo fio aparece: rima afiada, memória coletiva e um projeto de autoestima que não se resume a hit.
Das batalhas de MC ao primeiro estúdio
Por volta de 2005, Emicida entrou de vez nas batalhas de improviso. Venceu várias edições da Batalha de Santa Cruz e da Rinha dos MC, acumulando vídeos com milhares de visualizações. Em 2008, o single “Triunfo”, produzido com Felipe Vassão a partir de samples de jazz, virou cartão de visita e videoclipe de longa vida no YouTube.
Em 2009 veio a mixtape de 25 faixas Pra quem já Mordeu um Cachorro por Comida, até que eu Cheguei Longe…, vendida de mão em mão. Em 2010, o EP Sua Mina Ouve Meu Rap Também e a mixtape Emicídio consolidaram a voz independente sob o selo Laboratório Fantasma. O artista priorizou formato “caseiro” e rede de produtores parceiros antes de fechar o primeiro álbum de estúdio formal.
- 2008 — single e clipe de “Triunfo”
- 2009 — primeira mixtape longa, circulação boca a boca
- 2010 — Emicídio; aparições em programas de TV aberta
- 2011 — Coachella (primeiro rapper brasileiro no festival) e Rock in Rio
- 2013 — primeiro álbum de estúdio: O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui
Álbuns, turnês e o ciclo AmarElo
O primeiro álbum de estúdio, de 2013, trouxe “Hoje Cedo” (com Pitty) e “Crisântemo”, com a voz de Dona Jacira, mãe do artista. A Rolling Stone elegeu o disco como um dos destaques do ano. Em 2015, depois de viagem por Madagascar, Cabo Verde e Angola, saiu Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa…, indicado ao Grammy Latino de Melhor Álbum de Música Urbana, com participações de Caetano Veloso, Vanessa da Mata e Drik Barbosa.
Em 2019, AmarElo virou projeto-guarda-chuva: álbum de estúdio, singles com Pabllo Vittar, Majur, Zeca Pagodinho e Ibeyi, podcast, show no Theatro Municipal de São Paulo e o documentário Netflix AmarElo — É Tudo pra Ontem (2020). O título ecoa o poema de Paulo Leminski (“Amar é um elo / entre o azul / e o amarelo”). Em 2021 veio a versão ao vivo do show; em 2022, o artista se apresentou no Lollapalooza Brasil. Quem quiser acompanhar lançamentos e merch encontra o hub em emicida.com.br.
Livros, moda e outras frentes
Em 2018, a Companhia das Letrinhas publicou Amoras, livro infantil a partir do rap homônimo e de uma conversa do artista com a filha sob uma amoreira — texto sobre identidade e orgulho negro, com ilustrações de Aldo Fabrini. Em 2020 veio E foi assim que eu e a Escuridão ficamos amigas, sobre medo infantil e amizade com o escuro. Os dois títulos estão entre as obras mais buscadas de Emicida fora da música.
Na moda, a LAB (Laboratório Fantasma) desfilou na São Paulo Fashion Week com coleções como Yasuke, Herança e Avuá, misturando streetwear, herança familiar e referências afro-asiáticas. Emicida também compôs para o filme de animação O Menino e o Mundo e manteve presença constante em festivais e parcerias com nomes do rap e da MPB.
Por que a busca por Emicida continua alta
Quem pesquisa o nome costuma querer biografia curta, discografia, letras de “AmarElo” ou “Passarinhos”, o documentário da Netflix, os livros para crianças ou o próximo show. Emicida ocupa um lugar raro: autoridade de música urbana que também circula em literatura infantil e em debates de história e raça no Brasil contemporâneo.
Para acompanhar o trabalho, os canais oficiais são o Instagram @emicida, o YouTube @emicida e o site da marca. Discografia e playlists oficiais estão no Spotify; os livros infantis saem pela Companhia das Letrinhas e estão à venda em livrarias e na Amazon.




