Erika Palomino registrou a noite brasileira em tempo real por mais de uma década: de 1992 a 2005, a coluna Noite Ilustrada, na Folha de S.Paulo, acompanhou festas, clubes, DJs, drag queens e as modas que apareciam nas pistas antes de chegar às passarelas e às grandes marcas. O trabalho abriu caminho para livros, revistas, projetos digitais e uma segunda carreira na direção de instituições culturais, como o Centro Cultural São Paulo e o MAM Rio.
Nascida no Rio de Janeiro, em 19 de novembro de 1967, Erika se radicou em São Paulo ainda nos anos 1980 e entrou na redação da Folha em 1988. As primeiras matérias sobre comportamento, publicadas em 1990, deram origem à coluna fixa dois anos depois. No jornal, criou o projeto Atitude, o caderno Moda e a revista Moda, que editou por quatro anos, e começou a atuar como consultora de tendências e palestrante — trabalho que a levou a marcas, eventos e semanas de moda em todo o país.
Como a Noite Ilustrada documentou a cultura jovem
A coluna acompanhou o que se inventava nas pistas: as festas, as gírias, os clubbers, os DJs, as drags e o figurino que atravessava a fronteira entre a balada e a passarela. Dois anos depois da estreia, o território da Noite Ilustrada se ampliou para além de São Paulo, incorporando outras cidades. A coluna seguiu até 2005, quando Erika deixou a Folha, depois de 17 anos na casa.
Esse repertório de reportagem é o que sustenta o trabalho mais conhecido dela fora do jornal: o livro Babado Forte, lançado em 1999 e ampliado em 2025, que organiza a história da cultura jovem brasileira a partir da moda, da música e da noite. É também a base da consultoria de tendências que ela desenvolveu em paralelo e que a manteve próxima do mercado de moda nas décadas seguintes.
Babado Forte: da coluna ao livro sobre a noite brasileira
Lançado em 1999 pela editora Mandarim, Babado Forte reuniu mais de cem relatos e entrevistas sobre a cena clubber dos anos 1990, com foco no eixo Rio–São Paulo. O livro se tornou um título cult — citado até hoje por quem pesquisa cultura jovem — e ganhou uma versão remixada em 2009.
Em 2025, a obra voltou às livrarias em uma edição ampliada pela Ubu Editora, com 672 páginas e cerca de 70% de conteúdo inédito, cobrindo de 2000 a 2024. O novo recorte inclui cenas de capitais como São Luís, Belém, Recife e Salvador e fenômenos como a cultura ballroom, as festas itinerantes, as aparelhagens e os bailes funk. O projeto foi realizado com o Centro Cultural Vale Maranhão e tem capa assinada pelo artista Eli Sudbrack.
Internet, rádio e revistas: os projetos dos anos 2000
Erika migrou para a internet em 2001, quando lançou o site que levava seu nome, dedicado a moda, música e comportamento. Em 2005, deixou a editoria de Moda da Folha e passou a apresentar boletins diários na rádio Alpha FM. No ano seguinte, criou a revista Key e a House of Palomino, na Vila Madalena, em São Paulo — um galpão que funcionava como redação, espaço de exposição e centro de pesquisa.
Na TV, foi jurada do Brazil's Next Top Model, do canal Sony, e, mais tarde, contratada pela Gazeta para repaginar o figurino de apresentadores e jornalistas. Entre 2010 e 2011, assinou coluna no portal iG. De 2012 a 2015, dirigiu a redação da edição brasileira da revista L'Officiel, respondendo por publicações femininas, masculina e de viagem. No mesmo período, atuou como consultora criativa da Melissa, marca com a qual colaborou por mais de uma década — inclusive na celebração dos 35 anos da grife, em 2015.
CCSP e MAM Rio: a virada para a gestão cultural
Em fevereiro de 2019, Erika assumiu a direção do Centro Cultural São Paulo (CCSP), um dos maiores equipamentos culturais da capital paulista, a convite do então secretário municipal de Cultura, Alê Youssef. Em entrevistas da época, descreveu o desafio como o maior da sua trajetória profissional. Em 2021, deixou o CCSP para assumir a gerência de comunicação e design do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), a convite do diretor-geral Fábio Szwarcwald.
No museu, permaneceu por três anos e meio. O período teve 17 exposições e 17 publicações, a série de depoimentos Memória MAM 75 e o livro Atos de Revolta entre os dez finalistas do 65º Prêmio Jabuti, na categoria Projeto Gráfico. Em 2023, representou o MAM Rio no palco do Web Summit Rio, no Riocentro. A saída foi anunciada por ela em janeiro de 2025.
Ao longo da carreira, conquistou prêmios de veículos e instituições como Folha, Pini e MTV, além de um New York Festival, na categoria Interactive and Alternative Media. Em 2014, entrou na lista do FFW com os 50 brasileiros mais estilosos da moda. O reconhecimento internacional aparece também no BoF 500, o diretório do Business of Fashion com os nomes que moldam a indústria da moda global.
Onde acompanhar o trabalho de Erika Palomino hoje
Depois de deixar o MAM Rio, Erika voltou a se dedicar a projetos de curadoria, consultoria e edição, e acompanhou a nova edição de Babado Forte, publicada em 2025. Ela também publicou ensaios e reportagens na revista piauí e na Vogue Brasil, sobre moda, comportamento e cultura.
Quem quer acompanhar a produção dela encontra canais oficiais ativos:
- Instagram: @erikapalomino, com mais de 60 mil seguidores;
- X (Twitter): @ErikaPalomino, com comentários sobre cultura e comportamento;
- LinkedIn: perfil profissional, com o histórico de atuação em jornalismo, comunicação e gestão cultural.
Para quem pesquisa o campo da moda e do comportamento, a página de moda do site reúne outros nomes que cruzam esse universo.



