Evandro Berlesi é um cineasta, roteirista e escritor brasileiro que fez de Alvorada, na Região Metropolitana de Porto Alegre, o cenário de uma produtora de cinema independente. Fundador da Alvoroço Filmes, ele dirigiu oito longas-metragens de baixo orçamento com elenco e equipe da própria cidade, além de curtas premiados, webséries e documentários. Para boa parte do público, no entanto, o nome apareceu primeiro nos livros: Eu Odeio o Orkut, lançado em 2007, virou assunto nacional e levou o autor a entrevistas em programas de televisão.
A trajetória dele interessa a quem acompanha produção cultural fora do eixo das grandes distribuidoras. Em vez de esperar aprovação de leis de incentivo ou salas de exibição, Berlesi montou um circuito próprio: financiamento coletivo, patrocínio de comércios locais, atores da região e participações especiais de nomes conhecidos. Os filmes chegaram ao público por home video, festivais e, mais tarde, pelo streaming.
Quem é Evandro Berlesi
Nascido em Porto Alegre, em 9 de março de 1977, Evandro Berlesi cresceu em Alvorada e passou infância e juventude na cidade que depois viraria personagem de seus filmes. A ligação com a escrita vem de antes do cinema: em 2006, recebeu o Prêmio Revelação Literária da Feira do Livro de Porto Alegre, na categoria contos. No mesmo período, assinava roteiros para a televisão, com passagens por produções do SBT RS e da TVCOM, como os seriados Verão o Amor, Perfume de Hortênsia e VidAnormal.
O reconhecimento maior viria em 2007, com o romance Eu Odeio o Orkut. Escrito com o dinheiro do seguro-desemprego, o livro transformou a irritação com a rede social da época em humor e rendeu uma agenda de entrevistas que incluiu o Programa do Jô, da Rede Globo. A partir dali, literatura e cinema passaram a caminhar juntos na carreira dele.
Como nasceu a Alvoroço Filmes
A produtora foi fundada em abril de 2008, com origem no projeto Alvoroço em Alvorada. No mesmo ano, saiu o primeiro longa: Dá um Tempo!, apontado como o primeiro filme inteiramente produzido em Alvorada, com equipe técnica, elenco e trilha sonora locais. A sociedade inicial reunia Berlesi e o produtor Rodrigo Castelhano, que deixou a empresa em 2011.
Em 2009, a produtora levou o cinema para dentro da rede pública municipal com o projeto Alvoroço nas Escolas, uma parceria com a Prefeitura de Alvorada que realizou oficinas e curtas-metragens com estudantes. A experiência consolidou um método de trabalho que segue até hoje: histórias contadas por quem vive na cidade, com orçamento enxuto e criatividade no lugar do dinheiro.
O financiamento sempre foi um capítulo à parte. Segundo o registro público da produtora, nenhum longa foi bancado por renúncia fiscal ou agência estatal — os recursos vieram de campanhas coletivas na internet, apoio de empresas locais e equipes reduzidas. Foi assim que uma cena final ambientada no Rio de Janeiro, em Eu Odeio o Big Bróder, acabou gravada pelo ator Marcelo Maresia, que viajou sozinho levando a câmera do filme. Em 2018, a Alvoroço Filmes comemorou dez anos com shows de bandas locais na Praça João Goulart.
O que é o projeto Alvoroço em Alvorada
Alvoroço em Alvorada é a ideia que dá identidade à produtora: filmes de baixo orçamento com moradores da cidade, cenários reais e uma rede de colaboradores que se formou a cada produção. Alvorada não tem salas de cinema, e esse detalhe moldou a distribuição das obras, lançadas diretamente para vídeo e, depois, em plataformas de streaming. O projeto também rendeu documentários e webséries sobre os costumes da região, casos de Coisas que Alvorada Desembucha, que ganhou duas temporadas, e de Regionália, documentário em sete episódios sobre músicos de invernadas.
Livros: da estreia ao humor sobre a vida a dois
A obra literária de Berlesi mistura humor, internet e especulação. Eu Odeio o Orkut (2007) partiu da experiência de um usuário comum das redes sociais para falar de vaidade e convivência online. Arrependimento Mata (2008) foi para o lado oposto: uma distopia em que o arrependimento é letal, e o protagonista se tranca em casa para não morrer de remorso. Já Game Over — Leia agora ou cale-se para sempre (2016) usa o casamento e a convivência como matéria de comédia, com uma abertura que remete à pré-história. Os títulos seguem disponíveis em livrarias online e aparecem com frequência em acervos de projetos de livro de autores independentes.
O que assistir primeiro de Evandro Berlesi
Para quem está chegando agora à filmografia, uma ordem possível começa pelo mais acessível:
- Dá um Tempo! (2008) — o primeiro longa produzido em Alvorada, em co-direção com Rodrigo Castelhano.
- Eu Odeio o Orkut (2011) — versão cinematográfica do livro, com participação especial de Luana Piovani.
- Eu Odeio o Big Bróder (2014) — a produção que levou o reality show ao centro da sátira, com Marcelo Dourado e Danny Gris.
- O Maníaco do Facebook (2016) — a rede social como labirinto pessoal, com Werner Schünemann e Oscar Simch no elenco.
- Cidade Dormitório (2018) — a cidade-dormitório da Região Metropolitana vira tema e personagem.
- Algo de Errado Não Está Certo (2020) — comédia sobre convivência e desencontro, com Nelson Freitas e Rogério Morgado.
- O Cara Que Não Aglomerava (2021) — filme rodado em meio à pandemia, com Jairo Mattos no elenco.
- Só Termina Quando Acaba (2024) — sequência de Dá um Tempo!, acompanha um catador de recicláveis que tenta se reabilitar e se obseda por uma desconhecida.
Boa parte dos longas está disponível para aluguel ou assinatura no Prime Video, dentro do catálogo da loja Looke.
Prêmios e presença na internet
Nos curtas, Berlesi acumulou prêmios em mostras independentes: Tem Gente! venceu a Mostra Independente de Porto Alegre de 2009, e Traz Papel! foi eleito melhor curta no 7º Cine Favela de São Paulo, em 2012. A produtora também mantém uma rotina de conteúdo em vídeo no canal Alvoroço Filmes, no YouTube, com esquetes, trechos de filmes e gravações antigas. Em 2024, ele concorreu a uma cadeira de vereador em Alvorada pelo PSD, com o nome de urna Evandro do Alvoroço.
Nas redes, mantém o apelido que virou marca: @eberlesi no Instagram e no TikTok, com dezenas de milhares de seguidores e uma mistura de humor, cenas de filmes e memórias de Alvorada.
Onde acompanhar o trabalho de Evandro Berlesi
Além dos livros e filmes, o trabalho dele pode ser acompanhado pelos canais oficiais: o perfil @eberlesi no Instagram, a página Evandro Berlesi no Facebook e o canal Alvoroço Filmes no YouTube. Para quem quer entender a região retratada nos filmes e o circuito independente gaúcho, vale visitar também as páginas de literatura do site, que reúnem autores e obras do mesmo universo editorial.






