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Flávio Fachel

Fachel

Nascimento: 1965 Rio de Janeiro, RJ
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Jornalista gaúcho, apresentador e editor-executivo do Bom Dia Rio, na TV Globo, desde 2013. Venceu o Prêmio Esso de Telejornalismo de 2001 pela série Feira das Drogas.

Em 10 de junho de 2013, Flávio Fachel estreou na bancada do Bom Dia Rio com uma proposta simples de enunciar e difícil de executar: fazer o telejornal matutino da TV Globo no Rio de Janeiro perguntar mais, cobrar mais e aproximar notícia de serviço. Mais de uma década depois, o bordão "Olha a hora!", usado para chamar o telespectador de volta a cada bloco, virou fala de rua entre os cariocas — e o jornalista segue como apresentador e editor-executivo da atração.

Nascido em Porto Alegre, em 3 de agosto de 1965, Fachel construiu uma trajetória que atravessa o interior do Rio Grande do Sul, os rios da Amazônia, a redação da Globo no Rio e dois anos como correspondente internacional em Nova York. Antes de virar âncora, foi repórter de rua — e é essa fase que ele costuma apontar como a mais decisiva da própria formação.

Da engenharia ao telejornalismo: uma carreira decidida no meio do caminho

O plano original não tinha televisão nem jornalismo. Filho do publicitário Renato Basso Fachel, ele cresceu admirando a profissão do pai e chegou a ingressar em Engenharia Civil, decisão tomada aos 16 anos. Foi só depois de se alistar e servir como tenente do Exército em Manaus, por cinco anos, que o caminho mudou: sem faculdade de Publicidade na cidade, escolheu Jornalismo como a área mais próxima do que queria fazer.

O diploma veio em 1993, pela Famecos, a Faculdade de Comunicação Social da PUC-RS. A entrada na TV aconteceu por meio do projeto Caras Novas, do Grupo RBS, para o qual foi incentivado pela jornalista Alice Urbim. Fachel passou seis meses aprendendo todas as funções de televisão até encarar a primeira missão: cobrir férias por três meses na RBS TV de Cruz Alta, no interior gaúcho. Ficou seis anos na empresa, passou pela edição e chegou a repórter — e foi um plantão de sábado que o levou à rede.

O plantão que mudou tudo

Sem repórter disponível em Porto Alegre, ele foi escalado para cobrir um grupo de turistas isolado pela chuva na serra de Maquiné. A matéria rodou no Jornal Nacional, e a reportagem de rede nunca mais saiu da rotina. Em 1998, veio a escolha que definiria o resto da carreira: entre uma filial no Mato Grosso do Sul e a Amazônia, ficou com a segunda.

  • 1993 — diploma em Jornalismo pela Famecos (PUC-RS);
  • 1998 — inicia a cobertura da Amazônia para a rede Globo, baseado em Manaus;
  • 2000 — transfere-se para o Rio de Janeiro e recebe o Prêmio Interamericano de Jornalismo Ambiental;
  • 2001 — ganha o Prêmio Esso de Telejornalismo pela série Feira das Drogas;
  • 2010 — assume a correspondência da Globo em Nova York;
  • 2013 — estreia como apresentador e editor-executivo do Bom Dia Rio.

A Amazônia que moldou o repórter

Baseado em Manaus, Fachel cobriu por dois anos um terço do território brasileiro, com reportagens para o Jornal Nacional, o Globo Repórter e o Fantástico. Conheceu a aldeia Yanomami, o pico do monte Roraima, o rio Negro, o rio Solimões e o interior da floresta. Em depoimento ao Memória Globo, definiu o período como "a melhor parte da minha carreira inteira" e disse ter aprendido ali o olhar que carrega até hoje — o de procurar as pessoas que vivem na floresta, longe do mapa verde que o país aprendeu a ver.

Dessa fase saiu a reportagem sobre seringueiros que passaram a derrubar a floresta depois do fim do comércio da borracha, trabalho reconhecido com o primeiro Prêmio Interamericano de Jornalismo Ambiental, em 2000. Era o primeiro grande prêmio de uma carreira que, no Rio de Janeiro, ganharia contornos de denúncia.

Tim Lopes, a feira de drogas do Alemão e o Prêmio Esso

Na editoria Rio, a primeira reportagem de peso foi uma investigação sobre uma quadrilha de policiais rodoviários que vendia carteiras falsas em um posto da Via Dutra — caso que terminou com os envolvidos demitidos. O reconhecimento nacional veio em 2001, com a série sobre a "feira livre" de drogas no Complexo do Alemão. O material começou a ser reunido por Tim Lopes, repórter com quem Fachel trabalhava e de quem se tornou grande amigo. As imagens mostraram traficantes anunciando maconha e cocaína em plena rua, em plena rua, à vista de quem passava.

A série, exibida no Jornal Nacional em 3 de agosto de 2001, deu à equipe o primeiro Prêmio Esso de Telejornalismo da história da premiação. Tim Lopes seria assassinado pela facção um ano depois, durante outra reportagem no mesmo conjunto de favelas — perda que Fachel ainda hoje lembra com pesar.

Correspondente em Nova York

Em 2010, veio o convite para representar a Globo como correspondente internacional em Nova York. Foram dois anos de cobertura que incluíram a erupção do vulcão Eyjafjallajökull, na Islândia, a destruição de cidades do meio-oeste dos Estados Unidos por tornados e o caso da brasileira Mônica Burgos, assassinada em Cancún, no México. Para o jornalista, a diferença do correspondente está menos na técnica e mais no repertório cultural: entender o país de fora para explicar a notícia a quem está no Brasil.

Bom Dia Rio: a bancada desde 2013

A volta ao Brasil aconteceu em 2012. Pouco depois, com a mudança de Ana Luiza Guimarães para o RJTV, Fachel foi convidado a assumir a apresentação e a edição-executiva do Bom Dia Rio. Desde a estreia, em 10 de junho de 2013, o telejornal ganhou um tom mais crítico e opinativo, com cobranças frequentes ao poder público, e passou a tratar mobilidade, transporte e serviços como assunto de primeira página.

Ao lado de Silvana Ramiro, que assina a coapresentação, ele comanda uma das faixas matinais de maior audiência da televisão brasileira, na janela que vai das 6h às 8h30. Foi do programa que saiu outro bordão repetido pelas ruas: "Enquanto o foco for na passagem e não no passageiro, nada vai mudar", síntese da cobertura que o telejornal faz da mobilidade urbana fluminense.

Desde 19 de janeiro de 2019, Fachel também integra o rodízio de apresentadores eventuais do Jornal Nacional, o mesmo telejornal que teve William Bonner como âncora e editor-chefe por quase três décadas.

O livro que nasceu no Twitter

Fora da bancada, Fachel mantém desde 2009 uma rotina de publicar dicas de telejornalismo para quem está começando. As orientações — mais de mil delas — foram reunidas no livro Dicas de #Telejornalismo, lançado de forma independente em agosto de 2011 e voltado a estudantes de Comunicação Social e jornalistas em início de carreira, o mesmo público que o motiva a dar palestras e a ensinar. O material reflete a filosofia de trabalho que ele resume em uma frase repetida nas redações: "Vamos para a rua, reportagem está na rua, se ela existe está lá."

Para quem quer acompanhar o dia a dia do jornalista, o Instagram (@flaviofachel) reúne mais de 200 mil seguidores, e o X, onde as dicas começaram, segue ativo. Da reportagem no interior gaúcho ao comando de um telejornal diário, a trajetória de Fachel passa por quase todas as funções de uma redação de televisão — e é essa bagagem que ele transforma em orientação para quem começa agora.

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Telejornal matutino da TV Globo no Rio de Janeiro, apresentado e editado por Flávio Fachel desde 2013, com notícias e serviços para todo o estado.
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