Em 1989, a repórter iniciante Giuliana Morrone fazia plantão na porta da residência do presidente eleito Fernando Collor, em Brasília. Era o primeiro emprego dela na Globo, conseguido por indicação de uma professora que editava o Jornal Hoje na capital, e o começo de uma trajetória que passaria por SBT, Nova York e Jornal Nacional antes de desembocar na agenda ESG.
Nascida em Brasília, em 30 de março de 1967, Giuliana Faria Morrone formou-se em jornalismo pela Universidade de Brasília em 1988. A carreira em televisão começou cedo, como estagiária da Radiobras, em 1986, e ganhou forma na cobertura política: eleições, escândalos de corrupção, crises econômicas e tragédias ambientais estão entre os temas que acompanhou de perto. É esse repertório que ela leva hoje para palestras e treinamentos sobre sustentabilidade, liderança e comunicação.
De Brasília ao impeachment: a formação de uma repórter de política
A primeira passagem pela Globo foi curta. Em 1990, Giuliana foi para Roma com uma bolsa de estudos em jornalismo. O confisco da poupança no governo Collor travou a verba da instituição que bancaria o curso, e ela passou um ano na Europa dando aulas de ginástica para se sustentar. Voltou ao Brasil em dezembro de 1991, passou três meses na Band e logo chegou ao SBT, onde integrou o time do TJ Brasil, comandado por Boris Casoy.
No SBT, cobriu o processo que levou ao impeachment de Collor, em 1992. Depois, transferiu-se para a sucursal do Rio de Janeiro, onde participou da cobertura da queda do edifício Palace II. Em 1995, com o fechamento do departamento de jornalismo carioca da emissora, voltou a Brasília e retomou o contato com a Globo. Entrou por uma vaga temporária, cobrindo uma licença-maternidade, e reconstruiu a carreira na casa.
Uma das primeiras matérias que exibiu no Jornal Hoje marcou a maneira como ela passou a olhar o ofício: o acidente com um caminhão que transportava boias-frias para trabalhar em Brasília. A cena de corpos carbonizados e de famílias chegando ao local em busca de informação ficou na memória dela, que conta ter entendido ali o papel social do jornalismo.
O episódio ajuda a explicar por que a trajetória dela não se resume à cobertura do poder. Na Globo Brasília dos anos 2000, fez pautas sobre seca, economia popular e a célebre marmelada de Luziânia, ao mesmo tempo em que acompanhava a eleição de Lula em 2002, o Fome Zero, as cotas universitárias e denúncias como os casos Jader Barbalho, Luiz Estevão e Waldomiro Diniz.
Nova York, Obama e as Crônicas de Nova York
Em 2007, Giuliana recebeu o convite para ser correspondente da Globo em Nova York. Chegou em dezembro daquele ano, no fim da Era Bush, e acompanhou a disputa democrata entre Barack Obama e Hillary Clinton até a eleição histórica de Obama. Ficou nos Estados Unidos por quatro anos e meio.
A agenda americana incluiu a crise financeira de 2008, a morte de Michael Jackson, a prisão de Dominique Strauss-Kahn, a morte de Osama bin Laden, o terremoto no Haiti e a passagem do furacão Sandy. Da rotina na cidade nasceu o quadro Crônicas de Nova York, exibido aos sábados no Jornal Hoje, em que ela observava hábitos, arquitetura e personagens da vida nova-iorquina.
A crise financeira de 2008, acompanhada de perto por ela, é um dos temas que ela aborda em palestras sobre economia e negócios.
Bom Dia Brasil, Jornal da Globo e a saída da emissora
De volta ao Brasil em janeiro de 2012, Giuliana se estabeleceu em Brasília. Em 2013, passou a participar ao vivo do Bom Dia Brasil, então apresentado por Ana Paula Araújo e Chico Pinheiro, e no ano seguinte integrou a equipe de cobertura das eleições presidenciais. Em janeiro de 2015, cobriu o atentado ao jornal Charlie Hebdo e a um supermercado judaico em Paris.
Foram oito anos no Bom Dia Brasil. Em 5 de julho de 2021, ela trocou a manhã pela noite e passou a comentar política no Jornal da Globo, além de participar do Jornal das Dez, da GloboNews. Em 2023, fez parte do time de apresentadores eventuais do Jornal Nacional, então comandado por William Bonner e Renata Vasconcellos, e participou do Globo Repórter.
Em abril de 2023, deixou a Globo. A saída ocorreu durante uma política de cortes de gastos no jornalismo da emissora, que também dispensou outros profissionais de longa carreira.
Do jornalismo à sustentabilidade: o que mudou
A transição não foi abrupta. Giuliana cursou MBA em ESG pela PUC Rio e passou a usar a experiência de três décadas em televisão para tratar de sustentabilidade de forma sistêmica, conectando ambiente, governança, desigualdade e decisões de negócio. Na apresentação pública de seu trabalho, ela diz que não trata ESG de maneira fragmentada, como a simples soma de práticas ambientais, sociais e de governança.
Hoje, integra o programa Lideranças Virtuosas, da Virtuous Company, voltado a executivos comprometidos com integridade e responsabilidade social, e atua como palestrante em eventos corporativos. Já subiu ao palco de encontros como RH Summit, CONARH, Fórum ESG da Amcham Brasil, CoopTalks Summit e a reunião técnica do Conselho Nacional de Controle Interno (Conaci).
Os temas que leva para esses encontros vão de ESG e agronegócio a cooperativismo, economia, liderança e comunicação. A variedade acompanha a trajetória de quem cobriu eleições, escândalos, tragédias ambientais e movimentos sociais no Brasil e no exterior.
Mitos e verdades sobre o ESG: a proposta do livro
Em setembro de 2024, Giuliana publicou Mitos e verdades sobre o ESG pela Planeta Estratégia. O livro tem 288 páginas e parte de uma pergunta que a autora faz na apresentação: o que estamos perdendo e o que podemos conquistar?
A obra não é uma defesa automática do acrônimo. Ela alerta para os descaminhos da sustentabilidade, aponta a distância entre discurso e prática em parte das empresas e discute temas como liderança imatura, desigualdade, preconceito e discriminação. Ao mesmo tempo, sustenta que há caminhos concretos para quem quer transformar a agenda em prática.
O livro foi publicado depois de Giuliana deixar a Globo, em 2023, e reúne parte do repertório que ela apresenta em palestras sobre sustentabilidade e liderança.
Palestras, media training e comunicação
Além do livro e das palestras, Giuliana mantém treinamentos voltados à comunicação de líderes. O Media Training 4.0 prepara porta-vozes para entrevistas e para a relação com a imprensa no ambiente digital, com simulações por videoconferência e análise individual e coletiva. O Comunicação no ambiente digital, de 3 a 4 horas, trabalha presença online, clareza, comunicação não verbal e casos práticos.
As frentes se complementam:
- palestras sobre ESG, sustentabilidade, liderança, economia e cooperativismo;
- media training para porta-vozes e executivos;
- treinamentos de comunicação digital e oratória;
- mediação de debates e atuação como mestre de cerimônias.
A agenda atual reúne palestras, treinamentos de comunicação e mediação de eventos. O livro de 2024 e os cursos de media training marcam essa fase, que começou depois da saída da Globo.




