Quando o nome Guilherme Boulos entra nas buscas, raramente é por curiosidade leve. Em geral, a pessoa quer saber quem é o coordenador do MTST que virou ministro, o candidato que quase ganhou São Paulo duas vezes, o escritor que transforma ocupação e moradia em argumento político. A trajetória dele mistura sala de aula, ocupação urbana e Palácio do Planalto — e é justamente esse caminho, pouco óbvio, que explica a presença pública que tem hoje.
Nascido em São Paulo em 19 de junho de 1982, Boulos saiu de uma família de médicos da USP para a coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto, passou pelo PSOL, pela Câmara dos Deputados e, em outubro de 2025, assumiu a Secretaria-Geral da Presidência no governo Lula. Este perfil reúne origem, formação, militância, mandatos, livros e canais oficiais com base no que é público e verificável.
Origem, família e formação em São Paulo
Guilherme Castro Boulos cresceu em São Paulo, neto de comerciante libanês e filho do casal de médicos Marcos Boulos e Maria Ivete Castro Boulos, ambos ligados à Universidade de São Paulo. A formação acadêmica acompanhou o interesse por filosofia e saúde mental: bacharel em Filosofia pela FFLCH-USP, especialização em Psicologia Clínica pela PUC-SP e mestrado em Psiquiatria pela Faculdade de Medicina da USP, com dissertação sobre sintomas depressivos e participação coletiva em ocupações de sem-teto na capital paulista.
Antes da projeção nacional, lecionou na rede pública, em faculdade de Mauá e na Escola de Educação Permanente do Hospital das Clínicas da FMUSP. A combinação de professor, psicanalista e militante não é adorno de biografia: ela atravessa a forma como ele fala de cidade, moradia e organização coletiva, e reaparece nos livros e nas campanhas.
Do movimento estudantil ao MTST
Aos 15 anos, em 1997, Boulos entrou no movimento estudantil pela União da Juventude Comunista. Em 2002, passou a integrar o MTST. A visibilidade pública veio forte em 2003, na coordenação da ocupação de um terreno da Volkswagen em São Bernardo do Campo, e voltou com força em 2014, na esteira das mobilizações da Copa do Mundo e da Ocupação Copa do Povo.
No MTST, consolidou-se como uma das principais vozes da luta por moradia no Brasil. Também se tornou colunista da Folha de S.Paulo entre 2014 e 2017 e participou de debates públicos, como o programa Havana Connection no UOL. Em 2017, sua detenção durante reintegração de posse em São Mateus, na Zona Leste de São Paulo, ganhou cobertura nacional; ele foi solto no mesmo dia e tratou o episódio como perseguição política.
- Coordenação nacional do MTST e protagonismo em ocupações urbanas
- Articulação de cozinhas solidárias durante a pandemia, com dezenas de unidades em vários estados
- Presença regular em debates sobre direito à cidade, desigualdade e política urbana
- Escrita pública em jornais, revistas e livros de conjuntura
Campanhas, mandatos e a chegada ao ministério
Em 2018, filiado ao PSOL, concorreu à Presidência da República com Sônia Guajajara como vice e obteve pouco mais de 617 mil votos. Em 2020, disputou a prefeitura de São Paulo com Luiza Erundina na chapa e chegou ao segundo turno, vencido por Bruno Covas. Em 2022, elegeu-se deputado federal por São Paulo com cerca de um milhão de votos — o mais votado do estado e o segundo mais votado do país naquele pleito.
Na Câmara, atuou como líder da Federação PSOL REDE e defendeu agendas de moradia, tributação de grandes fortunas e transformação das cozinhas solidárias em política pública. Em 2024, voltou a disputar a prefeitura de São Paulo, desta vez com Marta Suplicy como vice e apoio de legenda ampla, incluindo o PT; chegou novamente ao segundo turno e perdeu para Ricardo Nunes.
Em 21 de outubro de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva o nomeou ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, no lugar de Márcio Macêdo. A posse ocorreu em 29 de outubro do mesmo ano. Licenciado do mandato de deputado federal, Boulos passou a operar no elo entre o governo federal e movimentos sociais — função coerente com a biografia que o trouxe até ali. A lista Time 100 Next, em 2021, já o havia colocado entre lideranças emergentes internacionais.
Livros e o ofício de escritor político
Além da atuação de rua e de mandato, Boulos publicou obras que funcionam como mapa de suas ideias. Por que ocupamos? apresenta a luta dos sem-teto a um público amplo. De que lado você está?, pela Boitempo, reúne reflexões de conjuntura política e urbana. Sem medo do futuro, pela Editora Contracorrente, analisa o cenário contemporâneo a partir da experiência de movimento e de mandato. Em 2025, lançou Pra onde vai a esquerda?, também pela Contracorrente, com leitura sobre reconstrução e rumos da esquerda brasileira.
Os livros não substituem a biografia política: eles a documentam. Quem busca entender o método de Boulos — como ele conecta moradia, organização popular e disputa institucional — encontra nessas obras o complemento natural das campanhas e dos discursos. O detalhe de cada título está nas páginas de projeto ligadas a este perfil.
Onde acompanhar e por que a busca permanece
Boulos mantém presença ativa no Instagram (@guilhermeboulos.oficial), no Facebook e no YouTube (@GuilhermeBoulosoficial), além de perfil no LinkedIn. Na esfera institucional, sua biografia aparece na Câmara dos Deputados e, após a posse ministerial, no portal da Secretaria-Geral da Presidência.
Quem pesquisa o nome costuma cruzar perguntas práticas: quem é, o que defende, que livros escreveu, qual o papel no governo e como se relaciona com o MTST e com a esquerda paulista. O fio que une tudo é a passagem do ativismo de moradia à disputa institucional de alto nível, sem abandonar o vocabulário da periferia e da ocupação. No mesmo eixo de figuras públicas da política brasileira, o site também reúne perfis como o de Fernando Haddad, o de Marina Silva e o de Dilma Rousseff, úteis para comparar trajetórias e contextos. Para navegar por mais nomes do mesmo campo, há a tag política.





