De que lado você está? não pergunta só por elegância de título. Publicado em 2015 pela Boitempo, o livro reúne reflexões de Guilherme Boulos sobre a conjuntura política e urbana brasileira num momento em que protestos, crise de representação e disputa de narrativa tomavam a cena pública. É o volume em que o coordenador do MTST escreve como analista de época, sem abandonar o chão das periferias e das ocupações.
A obra ajuda a localizar Boulos no debate intelectual da esquerda nos anos 2010: não apenas como líder de movimento, mas como autor que traduz tensão social em argumento. Para quem chegou a ele pelas eleições de 2018, 2020 ou 2024, o livro funciona como flashback — mostra o repertório que antecedeu as campanhas e a ida à Câmara.
Temas e utilidade prática
O texto discute cidade, desigualdade, polarização e o papel dos movimentos sociais. Não é biografia. Tampouco é programa de governo. É ensaio de conjuntura com pergunta moral e política no centro: de que lado o leitor se posiciona diante da exclusão urbana e da disputa de poder.
- Ensaios de conjuntura política e urbana
- Publicado pela Boitempo Editorial
- Boa leitura para entender a formação de discurso de Boulos antes das grandes campanhas
- Diálogo natural com temas de moradia, periferia e representação
Quando vale a compra
Indicado para leitores de política contemporânea, urbanismo crítico e história recente do Brasil. Quem já leu Por que ocupamos? encontra aqui o salto da introdução ao movimento para a análise de cenário. Quem prefere o Boulos mais institucional, dos mandatos e do ministério, ainda assim se beneficia: o livro registra o diagnóstico de um período que moldou a carreira pública dele.
A edição impressa da Boitempo permanece como referência de catálogo; a página de venda na Amazon costuma concentrar as opções de compra e frete no Brasil.
Lugar na obra e no debate público
Entre a introdução às ocupações e os ensaios mais recentes, De que lado você está? ocupa o meio do caminho. Boulos escreve sob o impacto dos protestos e da polarização que redefiniram a política brasileira na década de 2010. A Boitempo, casa editorial com tradição em pensamento crítico, encaixa o volume em catálogo de leitores já habituados a ensaio político.
O livro não promete neutralidade. O título força posicionamento e, ao mesmo tempo, serve de termômetro: o leitor identifica rapidamente se o autor fala a sua língua. Para pesquisa, entrevista ou formação política, funciona como fonte primária do discurso de Boulos na transição de liderança de movimento a figura nacional de esquerda.




