Gustavo Gayer Machado de Araújo nasceu em Goiânia, em 13 de abril de 1981, e chegou ao Senado Federal em 2026, depois de uma trajetória que começou em salas de aula de inglês e passou por um canal de YouTube com milhões de inscritos. Professor e empresário, foi eleito deputado federal por Goiás em 2022 e, em 4 de outubro de 2026, conquistou uma das duas vagas de Goiás no Senado com 1.639.247 votos — 24,5% dos votos válidos, segundo a totalização do Tribunal Superior Eleitoral.
Conhecido pela comunicação direta e pelo tom de confronto, Gayer se tornou um dos nomes mais influentes do campo conservador goiano antes mesmo de assumir o primeiro mandato. A mesma exposição que o levou à Câmara dos Deputados também acumulou processos, condenações e pedidos de cassação, o que faz dele uma figura de reputação dividida: elogiado por apoiadores como voz da oposição ao governo Lula e criticado por adversários por declarações consideradas racistas e por episódios de desinformação.
A origem em Goiânia e a escola de idiomas
Gustavo Gayer é filho de Maria da Conceição Gayer, delegada, vereadora e deputada estadual que morreu em dezembro de 2006 e que, no início dos anos 1980, militou contra a ditadura militar. Em entrevista concedida em 2020, ele contou que o pai deixou a família ainda durante a gravidez da mãe e que foi criado por um irmão dez anos mais velho.
Antes de entrar na política, construiu a vida profissional no ensino de inglês. Em julho de 2013, fundou em Goiânia a Gayer e Gayer Idiomas, escola registrada com o nome fantasia Gustavo Gayer Language Institute, da qual é proprietário e onde atua como professor. O negócio de idiomas continuou associado à sua imagem pública mesmo depois da eleição — inclusive porque virou alvo de investigação da Polícia Federal em 2024, tema tratado mais adiante neste perfil.
Do YouTube à política
Gayer criou o canal no YouTube em junho de 2016, mas foi a partir de 2020 que o projeto ganhou escala. Naquele ano, em meio ao avanço do conservadorismo nas redes sociais, o canal passou de 290 mil inscritos, segundo reportagens da época, e ele começou a participar das manifestações pelo impeachment de Dilma Rousseff e em apoio à Operação Lava-Jato — movimentos que, segundo ele próprio, despertaram seu interesse pela política em 2015.
A estreia nas urnas veio na eleição municipal de Goiânia, em 2020, pelo Democracia Cristã. O registro da candidatura foi indeferido pela Justiça Eleitoral por falta de certidões do candidato a vice, mas Gayer disputou e terminou em quarto lugar, com 45.928 votos (7,62% dos válidos), à frente do candidato oficialmente apoiado por Jair Bolsonaro na cidade. No ano seguinte, tornou-se comentarista fixo do programa de análise política Hora do Strike, da Gazeta do Povo, ao lado da jornalista Cristina Graeml e do jornalista Kim Paim.
A popularidade nas redes, no entanto, veio acompanhada de alertas sobre desinformação. Em junho de 2021, reportagem do jornal O Globo baseada em dados entregues pelo Google à CPI da Pandemia apontou o canal de Gayer como o segundo que mais lucrou com vídeos com notícias falsas sobre a covid-19: foram 56 vídeos e quase US$ 8 mil em receita antes de as publicações serem removidas pela plataforma. Em agosto do mesmo ano, após decisão do Tribunal Superior Eleitoral que suspendeu repasses a canais que divulgassem mentiras sobre as eleições, o canal de Gayer apagou 59 vídeos — o maior número entre 25 canais analisados na época.
Deputado federal por Goiás
Filiado ao Partido Liberal em 2022, Gayer foi eleito deputado federal por Goiás com 200.586 votos (5,82%), o segundo parlamentar mais votado do estado. O mandato na Câmara dos Deputados ficou marcado pela oposição ao governo Lula e pela defesa de pautas conservadoras. Segundo a Agência Senado, ele atuou como vice-líder da Oposição e líder da Minoria na Casa.
O desempenho parlamentar rendeu reconhecimento do Ranking dos Políticos, iniciativa da sociedade civil que avalia senadores e deputados em exercício desde 2011: Gayer recebeu o Prêmio Excelência Parlamentar em todos os anos da 57ª legislatura (2023–2026), como melhor parlamentar de Goiás e 21º na colocação geral do período. Em setembro de 2025, votou a favor da PEC 3/2021, a chamada PEC da Blindagem, que restringe a prisão de parlamentares e altera regras para processos criminais contra congressistas.
Bandeiras e atuação
Nas redes e nos discursos, Gayer repete um conjunto de bandeiras que orientam sua atuação pública:
- defesa da liberdade de expressão e críticas aos que chama de excessos do Supremo Tribunal Federal;
- fiscalização do governo federal e oposição declarada à gestão de Lula;
- projetos para a educação de alunos com deficiência, área em que apresenta proposições desde o primeiro mandato;
- endurecimento de penas e apoio às forças de segurança;
- redução de impostos, com votos contrários a aumentos de tributos;
- aproximação com o agronegócio e defesa de menos burocracia para o produtor rural.
O site oficial do parlamentar também destaca números do mandato, como a marca de mais de 2.000 propostas legislativas apresentadas entre 2023 e 2026 — dado que representa toda a produção protocolada, não apenas projetos de lei aprovados.
Caminhada pela Liberdade
Em janeiro de 2026, Gayer caminhou mais de 200 quilômetros de Paracatu, em Minas Gerais, até Brasília ao lado do deputado Nikolas Ferreira, na chamada Caminhada pela Liberdade, ato em defesa da liberdade do ex-presidente Jair Bolsonaro e dos presos pelos ataques de 8 de janeiro. A mobilização, organizada por Ferreira, durou cerca de uma semana e projetou a aliança entre os dois parlamentares nas redes sociais.
Eleição ao Senado em 2026
Na eleição de 4 de outubro de 2026, Gayer foi o mais votado da disputa ao Senado em Goiás: 1.639.247 votos, 24,5% dos válidos, garantindo uma das duas vagas em jogo ao lado de Gracinha Caiado (União). Seus suplentes são Leonardo Rizzo e Emerson Lima, ambos do PL. O mandato começa em 2027, na 58ª legislatura. No Distrito Federal, o PL elegeu Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, que assumem na mesma legislatura.
Controvérsias, processos e condenações
A trajetória pública de Gayer acumula episódios judiciais e institucionais:
- Em maio de 2020, o Conselho Federal de Enfermagem pediu ao Ministério Público Federal a responsabilização dele por declarações que, segundo o conselho, ridicularizaram profissionais de enfermagem durante um protesto em Brasília.
- Em junho de 2023, declarações em podcast que associaram ditaduras africanas a uma suposta falta de capacidade cognitiva da população provocaram pedidos de cassação no Conselho de Ética da Câmara e acusações da Procuradoria-Geral da República de disseminar ideias racistas e segregacionistas.
- Em outubro de 2024, a Polícia Federal deflagrou a Operação Discalculia, que investiga a formação de associação criminosa para desvio de recursos públicos da cota parlamentar por meio de uma OSCIP. Gayer foi um dos alvos, com 19 mandados de busca e apreensão cumpridos em cinco cidades; ele nega irregularidades e afirma ser vítima de perseguição política.
- Em agosto de 2024, foi condenado em primeira instância pela Justiça de São Paulo, junto com a deputada Carla Zambelli, a pagar R$ 3 mil de indenização por danos morais a uma professora cujo número de telefone foi exposto nas redes sociais. A decisão ainda admite recurso.
- Em 28 de abril de 2026, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal aceitou queixa-crime da PGR e tornou Gayer réu por injúria contra o presidente Lula, por causa de uma publicação de fevereiro de 2024 com uma imagem alterada do presidente.
Vida pessoal e presença digital
Cristão, Gayer é casado com Ethienne e tem dois filhos, Gabriel e Maria Fernanda. Nas redes, mantém uma das maiores audiências do campo conservador brasileiro: além do canal no YouTube, com mais de 2,4 milhões de inscritos, soma mais de 3 milhões de seguidores no Instagram. O site oficial reúne ainda os pontos de contato com apoiadores, como a comunidade Zap do Gayer, no WhatsApp.
- Canal no YouTube — vídeos de comentário político e conteúdos de campanha;
- Instagram @gusgayer — publicações diárias sobre política e sobre o mandato;
- X (Twitter) @GayerGus — comentários e respostas a notícias;
- Facebook e site oficial — agenda, propostas e materiais de campanha.



