Buscar autoridades

Imagem de capa do perfil de João Moreira Salles
Foto de perfil de João Moreira Salles

João Moreira Salles

Nascimento: 1962 Rio de Janeiro, RJ
Ver projetos (5)
Documentarista e produtor, João Moreira Salles dirigiu Santiago e Entreatos, fundou a revista piauí e criou com Branca Vianna o Instituto Serrapilheira.

Durante treze anos, João Moreira Salles manteve intocadas as imagens que gravara em 1992 com Santiago, o mordomo que servira sua família por três décadas. Voltou a elas em 2005, remontou o material e lançou Santiago em 2007, um documentário sobre memória, classe e o próprio ato de filmar. O arquivo abandonado e retomado resume um método: observar, esperar e só então encontrar a forma.

Nascido no Rio de Janeiro em 1962, João é filho do banqueiro e diplomata Walther Moreira Salles e irmão do cineasta Walter Salles. Formou-se em Economia, mas construiu a carreira no cinema, na produção, no jornalismo e na filantropia. Em 1987, fundou com o irmão a VideoFilmes. Em 2006, criou a revista piauí. Em 2017, com Branca Vianna, deu origem ao Instituto Serrapilheira. É autor de Arrabalde: Em busca da Amazônia, publicado pela Companhia das Letras.

Como João Moreira Salles chegou ao documentário

O primeiro trabalho creditado veio em 1985, no roteiro da série Japão, uma Viagem no Tempo, exibida pela TV Manchete. Dois anos depois, ele dirigiu China, o Império do Centro e assinou o roteiro de Krajcberg, o Poeta dos Vestígios, que recebeu prêmios na Itália, em Cuba e no Brasil. Ainda em 1987, os irmãos criaram a VideoFilmes, produtora inicialmente voltada a documentários para televisão.

Entre 1991 e 1996, João trabalhou em publicidade. A experiência no audiovisual comercial não o afastou do documentário: em 1998, lançou a série Futebol, codirigida com Arthur Fontes. No ano seguinte, dirigiu com Kátia Lund Notícias de uma Guerra Particular, seu primeiro longa-metragem.

O filme partiu de dois anos de entrevistas com moradores, traficantes e policiais do morro Santa Marta, no Rio. Em vez de explicar o conflito por uma única voz, montou depoimentos em paralelo e deixou que as contradições aparecessem. A estreia aconteceu no GNT, em abril de 1999, e o documentário ganhou o prêmio de melhor longa brasileiro no festival É Tudo Verdade no ano seguinte.

Qual é a marca dos filmes de João Moreira Salles

Os filmes dele raramente se organizam como reportagens explicativas. Trabalham com tempo, escuta e montagem. Em Nelson Freire (2003), o pianista é observado em ensaios e conversas, e a música aparece como ofício, não como trilha. Em Entreatos (2004), João acompanhou os bastidores da campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002 e transformou o material em um retrato de poder, estratégia e convivência.

Santiago levou essa pesquisa ao limite pessoal. O diretor revisita um personagem que conhecia desde a infância, mas descobre que as imagens de 1992 diziam menos sobre o mordomo do que sobre a relação entre quem filma e quem é filmado. Já No Intenso Agora (2017) parte de imagens de arquivo, inclusive filmagens feitas por sua mãe na China de 1968, para pensar os sonhos políticos de 1968 na França, na Tchecoslováquia e no Brasil.

Em todos esses trabalhos, a montagem não é um recurso neutro. Ela organiza o olhar, cria ausências e devolve ao espectador a responsabilidade de interpretar. É uma obra que se interessa menos por respostas do que pelas condições em que uma história pode ser contada.

O que a VideoFilmes produziu

A produtora fundada pelos irmãos Salles em 1987 nasceu para fazer documentários televisivos, mas cresceu junto com a retomada do cinema brasileiro. João assinou a produção de filmes como Lavoura Arcaica, de Luiz Fernando Carvalho; Madame Satã, de Karim Aïnouz; e Babilônia 2000, Edifício Master, Jogo de Cena e As Canções, de Eduardo Coutinho.

Essa atuação como produtor explica uma parte importante da carreira: João não construiu a obra apenas como diretor, mas também como alguém que viabiliza filmes de outros realizadores. A parceria com Coutinho atravessa vários filmes e ocupa um capítulo à parte na história da produtora.

Por que a revista piauí é um projeto central

Em 2006, João criou a piauí, revista mensal que apostou em reportagens longas, humor, ficção, poesia e ensaio. O projeto nasceu com uma ideia simples e custosa: dar tempo ao jornalismo. Em vez de perseguir o furo curto, a publicação investiu em histórias apuradas com profundidade e em uma relação de leitura que não depende de pressa.

A revista também abriu espaço para podcasts, como o Foro de Teresina, e para uma presença digital própria. Em outubro de 2021, João deixou a função de publisher e financiador; a piauí passou a operar com recursos de um fundo patrimonial doado ao Instituto Artigo 220, sob direção de redação de André Petry e supervisão de um conselho editorial. A mudança preservou a independência do título e separou o projeto jornalístico da figura do fundador.

Instituto Serrapilheira e o apoio à ciência

Em 2017, João e Branca Vianna criaram o Instituto Serrapilheira, instituição privada sem fins lucrativos dedicada a promover a ciência no Brasil. A base foi uma doação de R$ 350 milhões, que formou um fundo patrimonial. Os rendimentos sustentam programas de pesquisa, formação em ecologia quantitativa e jornalismo científico.

O instituto financia jovens cientistas com recursos flexíveis, apoia projetos de comunicação da ciência e incentiva práticas de ciência aberta. Segundo a própria instituição, mais de 400 projetos já receberam apoio, com mais de R$ 120 milhões investidos. Entre os resultados citados estão o levantamento Epicovid-19 e os modelos do ModCovid19, usados durante a pandemia.

Arrabalde e a Amazônia

Em Arrabalde: Em busca da Amazônia, João parte de seis meses de estadia no Pará para investigar como o território vem sendo ocupado desde os anos 1960. O livro mistura relatos, entrevistas e pesquisa, e se filia à literatura de viagens para observar a floresta como espaço social, não apenas paisagem. A obra foi publicada pela Companhia das Letras e tem 424 páginas.

O tema dialoga com o restante da produção dele: a atenção ao que está fora do quadro, a desconfiança de explicações rápidas e o interesse por pessoas que vivem as consequências de decisões tomadas longe delas. Quem se interessa por relatos de viagem e reportagem sobre a Amazônia encontra uma leitura extensa, que combina experiência de campo e pesquisa histórica. O livro não é um manual sobre o bioma, e sim uma narrativa que acompanha pessoas e paisagens.

Qual é a relação com o Instituto Moreira Salles

O Instituto Moreira Salles foi fundado por Walther Moreira Salles em 1992 e é administrado pela família. Mantém acervos e programas nas áreas de fotografia, literatura, iconografia, artes plásticas, música e cinema, com centros culturais no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Poços de Caldas.

A ligação de João com o instituto é familiar: ele é filho do fundador, e a família administra a instituição. O IMS não se confunde com a produtora VideoFilmes nem com a revista piauí; é uma entidade cultural com acervo próprio, exposições, publicações e programação de cinema.

Quais prêmios e obras marcaram a carreira

A trajetória de João acumula prêmios em festivais e associações de crítica. Notícias de uma Guerra Particular venceu o É Tudo Verdade; Nelson Freire recebeu o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro; Santiago ganhou o prêmio principal do Cinéma du Réel e foi eleito melhor documentário no Festival de Miami; No Intenso Agora também foi premiado em Paris. Em 2015, Santiago entrou na lista da Abraccine dos 100 melhores filmes brasileiros.

  • Notícias de uma Guerra Particular (1999), codirigido com Kátia Lund;
  • Nelson Freire (2003);
  • Entreatos (2004);
  • Santiago (2007);
  • No Intenso Agora (2017).

Onde encontrar a obra de João Moreira Salles

Os filmes circulam em festivais, mostras e plataformas de streaming, com disponibilidade variável. A revista piauí mantém o arquivo de suas edições e o site da publicação. O Instituto Serrapilheira publica chamadas, projetos apoiados e relatórios. O Instituto Moreira Salles reúne parte da produção cultural ligada à família e à história do cinema brasileiro.

A obra dele está nos filmes, nos livros e nas instituições que ajudou a criar. A trajetória começou no roteiro de televisão e chegou à direção, à produção, ao jornalismo e à filantropia científica.

Projetos de João Moreira Salles

Alguns links podem gerar comissão para o Autoridades.org. Confira o preço e a disponibilidade na plataforma antes de comprar.

Revista piauí
Revista piauí
Revista mensal fundada por João Moreira Salles em 2006, dedicada a reportagens longas, humor, ficção e poesia.
0—
0—
Arrabalde
Arrabalde
Livro de João Moreira Salles sobre a Amazônia, escrito a partir de seis meses de viagem e pesquisa no Pará.
0—
0—
Santiago
Santiago
Documentário de 2007 em que João Moreira Salles revisita imagens gravadas em 1992 com Santiago, mordomo da família.
0—
0—
Entreatos
Entreatos
Documentário de 2004 em que João Moreira Salles acompanha os bastidores da campanha presidencial de Lula em 2002.
0—
0—

Experiências da comunidade

Avaliações sobre João Moreira Salles

Veja as opiniões dos leitores e compartilhe sua experiência.

0 avaliações positivas e 0 negativas com comentário.

Relatos publicados

Opiniões dos leitores sobre suas experiências. As avaliações não comprovam fatos nem representam a posição do site.

Ainda não há avaliações com comentário. Sua experiência pode ajudar o próximo leitor.

Para contestar um relato ou solicitar a remoção dos seus dados, entre em contato e informe a página e o comentário.

Compartilhe sua avaliação

Escreva de 60 a 200 palavras sobre esta pessoa ou projeto. Não inclua anúncios, links, insultos ou dados pessoais.

Sua experiência

0 de 200 palavras · mínimo de 60

Carregando verificação humana...