Quem é Joe Bennett
Joe Bennett é o nome artístico de Benedito José Nascimento, quadrinista nascido em Belém, no Pará, em 3 de fevereiro de 1968. Ele é o desenhista principal de O Imortal Hulk, série escrita por Al Ewing que devolveu o Gigante Esmeralda ao centro das atenções da Marvel entre 2018 e 2021 e rendeu a Bennett uma indicação ao Prêmio Eisner de 2019, na categoria Melhor Série.
A trajetória dele começa muito antes dos holofotes americanos. Desenhista autodidata, Bennett copiava os heróis da Marvel em cadernos escolares nos anos 1970 e decidiu ainda criança que queria desenhar o Thor para a editora. A teimosia deu certo: o menino de Belém passou de 500 revistas desenhadas na carreira, com passagens por Marvel, DC Comics e editoras independentes.
A carreira dele também ajuda a entender a produção brasileira de quadrinhos: enquanto Mauricio de Sousa construiu um universo próprio com a Turma da Mônica e Ziraldo transitou entre a charge, a revista e o livro infantil, Bennett escolheu o caminho inverso, desenhando personagens criados por outros autores e levando o traço paraense para o exterior.
De Belém para a Marvel
A primeira chance profissional veio em 1985, pelas mãos do editor Franco de Rosa. Pouco depois, ao lado do roteirista Gian Danton, Bennett criou A Insólita Família Titã, publicada nas revistas eróticas da Editora Sampa e idealizada como uma homenagem à Família Marvel. Antes de cruzar a fronteira, o desenhista também assinou histórias de terror nas revistas Calafrio e Mestres do Terror, títulos cultuados pelos leitores brasileiros de quadrinhos de horror.
Em 1992, ao ser contratado pela Marvel, adotou o nome Joe Bennett por sugestão dos editores: Benedito José Nascimento era longo demais para as capas americanas. A estreia no mercado dos Estados Unidos foi em Ravage 2099, personagem criado por Stan Lee. Depois vieram Homem-Aranha, Capitão América, Vingadores, Quarteto Fantástico, Thor, Hulk, Conan, Namor e Elektra, uma lista que mostra a confiança que a editora depositava no brasileiro.
Em meados dos anos 1990, Bennett desenhou Supremo, série escrita por Alan Moore, e em 2005 assinou contrato de exclusividade de três anos com a DC Comics. Na editora, trabalhou em Aves de Rapina, Gavião Negro, Exterminador, Titãs e na maxissérie 52, além de desenhar a HQ que serviu de prelúdio para o filme Batman vs Superman: A Origem da Justiça, de 2016.
O Imortal Hulk mudou o patamar
Em junho de 2018, Bennett e o roteirista Al Ewing deram início a O Imortal Hulk, uma releitura do personagem com atmosfera de terror. A proposta era direta e poderosa: Bruce Banner morre ao amanhecer e ressuscita à noite, enquanto a repórter Jackie McGee tenta montar o quebra-cabeça da radiação gama. O clima sombrio e o olhar de horror clássico transformaram a série em fenômeno de crítica.
O reconhecimento veio em cascata. A série rendeu à Marvel um Diamond Gem Award na categoria Melhor Nova Série de Quadrinhos e colocou Bennett entre os indicados ao Prêmio Eisner de 2019. Em reportagem do G1 no ano da estreia do filme do Superman e do Batman, o desenhista contou que produzia cerca de três horas por página em um estúdio dentro de casa, em Ananindeua, na região metropolitana de Belém. O arte-finalista Belardino Brabo, que havia sido marceneiro antes de se dedicar aos quadrinhos, era um dos parceiros dessa rotina.
A polêmica que encerrou o ciclo na Marvel
Em novembro de 2019, uma publicação de Bennett no Facebook comemorando uma agressão sofrida pelo jornalista Glenn Greenwald durante um programa de rádio gerou revolta. O desenhista apagou a mensagem e pediu desculpas públicas a Greenwald, ao então companheiro dele, David Miranda, e aos filhos do casal.
Dois anos depois, em setembro de 2021, a Marvel anunciou o desligamento do brasileiro de todos os projetos futuros da editora. A decisão veio depois que uma ilustração de Bennett, na qual adversários políticos de Jair Bolsonaro apareciam retratados como ratos, voltou a circular, e o roteirista Al Ewing declarou que não trabalharia mais com ele. O caso também envolveu uma página de O Imortal Hulk apontada como antissemita. Sem detalhar motivos, a Marvel confirmou que Bennett não faria mais parte do time.
O que Joe Bennett faz hoje
Fora da Marvel, Bennett encontrou espaço em editoras independentes dos Estados Unidos. Em 2023, assinou os desenhos de Alphacore, graphic novel de super-heróis escrita pelo veterano Chuck Dixon para a Rippaverse Comics, e depois participou de edições de The Horseman. O trabalho mostra que a veia de super-herói continua viva, agora em um catálogo independente.
No Brasil, um dos projetos de que participou foi Renato e a Trasladação, romance de A. J. Moraes publicado em 2013 com ilustrações suas. A história acompanha Renato durante a semana do Círio de Nazaré, em Belém, misturando o fim do mundo previsto para 2012, mitologias antigas e uma batalha entre anjos e demônios. Na época do lançamento, Bennett declarou que o livro trazia lendas brasileiras em uma linguagem universal.
Alguns trabalhos que ajudam a resumir a carreira:
- O Imortal Hulk (Marvel, 2018-2021), a fase que rendeu a indicação ao Eisner;
- Capitão América e Homem-Aranha, heróis clássicos que desenhou nos anos 1990;
- 52 (DC Comics, 2006-2007), maxissérie com vários artistas;
- Supremo (Image Comics), parceria com o roteirista Alan Moore;
- Alphacore (Rippaverse Comics, 2023), a fase em editora independente.
Onde acompanhar o trabalho de Joe Bennett
O desenhista mantém uma galeria pública no DeviantArt, com originais e páginas finalizadas, além de perfis no Instagram e no Facebook usados para mostrar desenhos e comissões. Esses canais são a forma mais direta de acompanhar a produção atual e os lançamentos independentes.
Perguntas frequentes sobre Joe Bennett
Qual é a obra mais conhecida de Joe Bennett?
O Imortal Hulk, série da Marvel escrita por Al Ewing e desenhada por ele entre 2018 e 2021. A fase foi indicada ao Prêmio Eisner de 2019.
Onde Joe Bennett nasceu?
Em Belém, no Pará, em 3 de fevereiro de 1968. Em 2016, o desenhista trabalhava em um estúdio em Ananindeua, na Grande Belém.
Joe Bennett ainda desenha para a Marvel?
Não. Em setembro de 2021, a Marvel informou que ele não faria parte de projetos futuros da editora. Desde então, o desenhista passou a assinar trabalhos na Rippaverse Comics.
Quais editoras já publicaram o trabalho dele?
Marvel, DC Comics, Image Comics, Dark Horse, Valiant e Rippaverse Comics, entre outras.




