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Lilia Moritz Schwarcz

Lilia Schwarcz

Nascimento: 1957 São Paulo, SP
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Historiadora e antropóloga da USP, imortal da ABL e cofundadora da Companhia das Letras, referência em raça, monarquia e autoritarismo no Brasil.

Quando a conversa pública sobre o Brasil esbarra em monarquia, escravidão, racismo científico ou no autoritarismo que insiste em voltar, o nome de Lilia Moritz Schwarcz costuma aparecer cedo. Historiadora e antropóloga paulistana, ela transformou pesquisa de arquivo, leitura de imagens e ensaio acessível em um jeito próprio de narrar o país — sem abrir mão do rigor universitário.

Professora sênior do Departamento de Antropologia da USP, professora visitante e Global Scholar em Princeton e, desde 2024, imortal da Academia Brasileira de Letras na cadeira 9, Lilia circula entre a sala de aula, a editora, a curadoria e a televisão. Quem a busca quer biografia, lista de livros, posição nos debates sobre raça e democracia, e o fio que liga a fundadora da Companhia das Letras à ensaísta que leu D. Pedro II, Lima Barreto e o autoritarismo brasileiro com a mesma curiosidade inquieta.

Quem é Lilia Moritz Schwarcz

Lilia Katri Moritz Schwarcz nasceu em 27 de dezembro de 1957, em São Paulo, no bairro da Bela Vista. Filha de Ernest Moritz e Elena Camerini, ambos judeus europeus, cresceu em um ambiente marcado por deslocamentos familiares e por uma sensibilidade precoce para a história vivida — tema que depois atravessaria sua obra sobre nação, raça e memória.

É doutora em antropologia social pela Universidade de São Paulo, com graduação em História na FFLCH-USP e mestrado em Antropologia Social pela Unicamp. Na USP, consolidou carreira como professora titular e, mais tarde, professora sênior, com pesquisas centradas no Brasil oitocentista, na construção de identidades, na escravidão e nas relações raciais.

Em 1986, ao lado do marido Luiz Schwarcz, fundou a Companhia das Letras, editora que redesenhou o mercado editorial brasileiro de não ficção e literatura. A trajetória de Lilia, porém, não se resume ao papel de cofundadora: ela escreveu, organizou coleções, curadorias e programas de televisão sem abandonar a universidade.

Formação, USP e presença internacional

O percurso acadêmico de Lilia combina história e antropologia de forma deliberada. Em vez de tratar o passado como sequência de datas, ela lê jornais, caricaturas, pinturas, rituais de corte e discursos científicos como documentos vivos. Essa virada aparece cedo em Retrato em branco e negro e se aprofunda em O espetáculo das raças, estudo sobre o pensamento racial no Brasil entre 1870 e 1930.

Como professora visitante e Global Scholar em Princeton, e em passagens por Oxford, Leiden, Brown e Columbia, Lilia levou o debate sobre o Brasil para plateias internacionais sem diluir a especificidade local. No Brasil, manteve presença pública intensa: entrevistas, lançamentos, participação em conselhos e curadoria adjunta de histórias no MASP, além de projetos no Museu de Arte do Rio.

  • Graduação em História pela FFLCH-USP
  • Mestrado em Antropologia Social pela Unicamp
  • Doutorado em Antropologia Social pela USP
  • Professora sênior do Departamento de Antropologia da USP
  • Professora visitante e Global Scholar em Princeton
  • Membra da Academia Brasileira de Letras (cadeira 9, a partir de 2024)

Como a obra dela reorganizou a leitura do Brasil

Para muitos leitores, o primeiro encontro com Lilia se dá por As barbas do imperador, biografia ensaística de D. Pedro II premiada com o Jabuti de Livro do Ano de não ficção em 1999. O livro mostrou que monarquia tropical, imagem pública e poder simbólico podiam ser contados com densidade e legibilidade — e abriu caminho para um público amplo de história interpretativa.

Em 2015, com Heloisa Murgel Starling, publicou Brasil: uma biografia, travessia de mais de quinhentos anos que mistura grande história, cotidiano, cultura e conflitos sociais. Em 2019, Sobre o autoritarismo brasileiro condensou uma hipótese dura: o presente político carrega camadas longas de violência, racismo, patrimonialismo e desigualdade. Já Lima Barreto: triste visionário devolveu o escritor ao centro de uma biografia cultural que dialoga com raça, cidade e modernidade.

Há ainda títulos que estendem o método para outros formatos e públicos, como ensaios sobre racismo, curadorias e projetos em parceria — sempre com a marca de quem escreve para o debate público sem simplificar o arquivo. A lista completa de obras é longa; o que interessa aqui é o mapa de uma inteligência que recusa a história “oficial” sem cair no panfleto.

Editora, televisão, curadoria e Academia Brasileira de Letras

A cofundação da Companhia das Letras liga Lilia a décadas de política editorial no Brasil. Publicar, escolher capas, apostar em ensaios e biografias e formar leitores virou, para ela, extensão da pesquisa. Em 2017, apresentou com Dan Stulbach a minissérie Era uma vez uma história, na Band, percorrendo da chegada da corte portuguesa à Proclamação da República em quatro capítulos.

Em março de 2024, foi eleita para a Academia Brasileira de Letras; em junho, assumiu a cadeira 9, antes ocupada por Alberto da Costa e Silva. A eleição coroou uma carreira já marcada por prêmios Jabuti, pelo Prêmio ABL de História e Ciências Sociais (2014, por Batalha do Avaí) e por condecorações como a Ordem Nacional do Mérito Científico e a Ordem de Rio Branco.

Nas redes, mantém presença ativa no Instagram e no YouTube, onde o público acompanha lançamentos, entrevistas e comentários sobre história e atualidade. Para quem quer aprofundar a leitura sem se perder no catálogo, o caminho natural é partir das obras-chave e cruzar com a literatura e o ensaio histórico que circulam no mesmo território de busca.

Por que Lilia Moritz Schwarcz continua sendo buscada

Buscam Lilia quem precisa de uma porta de entrada séria para a história do Império, de uma biografia nacional que não seja manual escolar, de uma leitura do racismo brasileiro enraizada em instituições e de um diagnóstico do autoritarismo que não se esgota no noticiário. Buscam também quem quer entender o papel da antropóloga-historiadora no debate cultural contemporâneo — e como a mesma pessoa que ajudou a fundar uma grande editora segue produzindo livros que disputam o senso comum.

A melhor forma de ler Lilia Moritz Schwarcz é cruzar a biografia com as obras: a monarquia em As barbas do imperador, a nação em Brasil: uma biografia, o presente em Sobre o autoritarismo brasileiro, a literatura em Lima Barreto. O restante — prêmios, cátedras, curadorias — ajuda a situar a escala da presença pública, mas o núcleo permanece o mesmo: interpretar o Brasil com documentos, imagens e uma prosa que convida o leitor a pensar com ela.

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