As tardes de sábado da TV Globo passaram mais de duas décadas com a mesma assinatura: plateia, rua, sonhos e o microfone de Luciano Huck. Quando o horário mudou para o domingo, o nome não saiu do ar — mudou de calendário. Quem busca o apresentador hoje quer entender como o garoto de coluna social e bar em São Paulo virou âncora de auditório, empresário e figura pública que o Brasil discute com a mesma intensidade com que assiste.
Luciano Grostein Huck nasceu em São Paulo em 3 de setembro de 1971 e, desde setembro de 2021, comanda o Domingão com Huck na TV Globo. Antes, entre 2000 e 2021, apresentou o Caldeirão do Huck, programa que marcou o sábado com quadros de transformação, concursos e matérias externas. O perfil abaixo reúne trajetória, programas, negócios e presença pública com o que se pode verificar em fontes abertas.
Origem, família e a porta de entrada na comunicação
Filho do jurista Hermes Marcelo Huck e da urbanista Marta Dora Grostein, Luciano cresceu em ambiente de classe média alta paulistana e tem raízes judaicas na família. Chegou a cursar Direito na USP, mas não concluiu a graduação: o interesse puxou para comunicação, publicidade e o circuito da cidade.
Ainda jovem, foi assistente do fotógrafo J. R. Duran, estagiou em agências como a W/Brasil, de Washington Olivetto, e circulou por rádio e revista. Aos vinte anos, com amigos e apoio familiar, abriu o bar Cabral, no Itaim Bibi — ponto da noite paulistana que o colocou no mapa social da capital. Dessa vivência nasceu a coluna “Circulando”, no Jornal da Tarde, e o caminho natural para a TV.
Como Luciano Huck chegou à televisão
A estreia veio por convite de Otávio Mesquita, no quadro “Paparazzo Eletrônico” do programa Perfil, na Band. Em seguida, a coluna ganhou vida própria no programa Circulando, na CNT Gazeta, e o apresentador se firmou no diário Programa H (1996–1999), na Band, voltado ao público jovem. Foi ali que o país conheceu personagens como Tiazinha e Feiticeira, e Huck deixou de ser só colunista para virar âncora de auditoria.
Em setembro de 1999 assinou com a TV Globo. Estreou no Show da Virada, na virada do milênio, e em abril de 2000 colocou no ar o Caldeirão do Huck — atração de sábado que, com o tempo, virou líder de audiência e escola de formatos de entretenimento com participação do público.
Caldeirão do Huck: o sábado que durou 21 anos
O Caldeirão ficou no ar de 2000 a 2021 e produziu dezenas de quadros. A marca do programa não era só o estúdio: era a rua, o sonho realizado e a plateia como termômetro. Entre os formatos mais lembrados estão:
- Lata Velha — reforma de carros antigos com história familiar;
- Lar Doce Lar — transformação de casas;
- Vou de Táxi — caronas e conversas com gente comum;
- Soletrando — competição de ortografia com apoio da Academia Brasileira de Letras;
- Agora ou Nunca e outros quadros de realização de sonhos.
Huck viajou o mundo para o programa e, em 2007, lançou o livro Na Terra, no Céu, no Mar – Viagens de Aventura do Caldeirão do Huck, em parceria com o então diretor Rodrigo Cebrian. Em 2017, após matéria especial sobre a atuação do Exército Brasileiro no Haiti, recebeu a Ordem do Mérito Militar no grau de oficial. A despedida do Caldeirão foi em 28 de agosto de 2021; no sábado seguinte, Marcos Mion assumiu o horário.
Domingão com Huck: o domingo familiar
Em 5 de setembro de 2021 estreou o Domingão com Huck, no espaço que fora de Fausto Silva. A proposta juntou a musculatura de matérias externas do Caldeirão com a tradição de auditório do Domingão clássico. No ar seguem quadros como Dança dos Famosos, Batalha do Lip Sync, edições de Lata Velha e formatos de game show como Quem Quer Ser um Milionário? e The Wall.
O domingo, segundo o próprio apresentador em depoimentos públicos à Memória Globo, pede outro ritmo: família reunida, sala cheia, menos espaço para erro. A atração também virou palco de especiais e cruzamentos com a dramaturgia da casa — cenas de novelas gravadas no programa, por exemplo — e manteve Huck no centro do entretenimento de massa da TV aberta.
Empreendedorismo, cinema e Instituto Criar
Fora do estúdio, Huck se move como empresário e investidor em áreas como alimentação, turismo, vestuário e outros negócios, em sociedade com nomes do empresariado brasileiro. No cinema, atuou e produziu: entre as produções associadas estão Casa de Areia (2005), Era Uma Vez (2008), Quebrando o Tabu (2011) e Na Quebrada (2014). Como ator ou dublador, passou por filmes de Xuxa, Um Show de Verão (ao lado de Angélica) e a voz de Flynn Rider em Enrolados (Disney).
Em 2003 fundou o Instituto Criar de TV, Cinema e Novas Mídias, ONG de capacitação de jovens em ofícios do audiovisual. A iniciativa se tornou uma das frentes públicas mais estáveis da sua atuação social e já formou milhares de alunos desde a fundação. Quem acompanha o perfil de empreendedorismo no Brasil costuma cruzar o nome de Huck tanto pelo entretenimento quanto por essa combinação de mídia, negócios e projeto social.
Vida pública, redes e presença política
Casado desde 2004 com a apresentadora Angélica, com quem tem três filhos (Joaquim, Benício e Eva), Huck vive entre o Rio de Janeiro e a rotina de gravações da Globo. Nas redes, é uma das personalidades brasileiras com maior alcance — o Instagram @lucianohuck ultrapassou a casa dos vinte milhões de seguidores em relatos recentes da própria emissora e da imprensa.
Desde meados da década de 2010, o apresentador também entrou no debate político: participou do movimento Agora!, cogitou candidatura presidencial em 2018 e chegou a ser cotado em pesquisas, mas anunciou que não concorreria. A eventual corrida em 2022 também não se concretizou. Em 2025, apresentou e apadrinhou o Instituto Inteligência Artificial de Verdade (IAV), coalizão multissetorial sobre uso ético de inteligência artificial no Brasil.
O que o nome Luciano Huck responde na busca
Quem digita o nome costuma querer três coisas ao mesmo tempo: a biografia do apresentador, o que rola no Domingão e o histórico do Caldeirão. O fio condutor é o mesmo desde o Programa H — comunicação popular, formatos de participação e uma carreira que saiu da noite paulistana e se instalou no centro da TV aberta brasileira. Para acompanhar a grade atual, a página oficial do programa na Globo e as redes do apresentador concentram a agenda; para o arquivo, a Memória Globo reúne depoimentos e trajetória na emissora.





