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Foto de perfil de Marília Arraes

Marília Arraes

Nascimento: 1984 Recife, Pernambuco, Brasil
Advogada e política pernambucana, neta de Miguel Arraes. Foi vereadora do Recife por três mandatos e deputada federal, autora da Lei da Dignidade Menstrual. Senadora eleita por Pernambuco em 2026.

Marília Arraes é a advogada e política pernambucana eleita senadora por Pernambuco em 4 de outubro de 2026, com cerca de 2,3 milhões de votos. Ela assume o mandato de oito anos em 1º de fevereiro de 2027, na mesma chapa que reelegeu Humberto Costa, depois de três mandatos como vereadora do Recife, um mandato como deputada federal e duas disputas de segundo turno — pela prefeitura da capital, em 2020, e pelo governo do estado, em 2022.

O sobrenome carrega parte da história: Marília Valença Rocha Arraes de Alencar é neta de Miguel Arraes e prima de Eduardo Campos. A carreira dela, porém, começou cedo e por caminho próprio, do movimento estudantil à Câmara Municipal do Recife, onde se elegeu aos 24 anos, em 2008, como a parlamentar mais jovem da legislatura. Entre o PSB que a lançou, o PT que a acolheu depois de um rompimento público e o PDT que a levou ao Senado, a trajetória dela acompanha a reorganização das alianças da política pernambucana nas duas últimas décadas.

Foi na Câmara dos Deputados, entre 2019 e 2023, que o nome dela ganhou alcance nacional: Marília assinou o projeto que deu origem à Lei nº 14.214/2021, o Programa de Proteção e Promoção da Saúde Menstrual — conhecido como Lei da Dignidade Menstrual —, e ocupou a 2ª secretaria da Mesa Diretora. Antes de chegar a Brasília, foram dez anos de mandatos municipais, duas eleições majoritárias e um rompimento que mudou o rumo da família Arraes na política de Pernambuco.

Raízes em Pernambuco e formação jurídica

Marília Arraes nasceu no Recife, em 12 de abril de 1984. É filha da psicóloga Sônia Valença Rocha Arraes de Alencar e do administrador de empresas Marcos Arraes de Alencar, e cresceu dentro de uma das famílias mais presentes na história política do estado: é neta do ex-governador Miguel Arraes pelo lado paterno, sobrinha da ex-ministra do Tribunal de Contas da União Ana Arraes e do cineasta Guel Arraes, e prima do ex-governador Eduardo Campos e da atriz Luisa Arraes. Pelo lado materno, é neta de Zaldo Rocha, apontado entre os pioneiros da psiquiatria infantil no Brasil.

Estudou no Colégio Marista São Luís, no Recife, e aos 17 anos foi aprovada em dois vestibulares concorridos: Direito, na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), e Administração de Empresas, na Universidade de Pernambuco. Cursou o primeiro período de Administração e graduou-se em Direito pela UFPE em 2007. Mais tarde, fez pós-graduação em Direito Penal. A militância veio junto com a faculdade: no movimento estudantil, atuou em pautas de gênero, pluralidade de direitos e conservação do patrimônio da universidade.

Da Câmara do Recife ao rompimento com o PSB

Filiada ao PSB desde 2005, Marília ocupou a Secretaria de Juventude e Emprego de Pernambuco entre 2007 e 2008, na gestão de Eduardo Campos. Nas eleições daquele ano, foi eleita vereadora do Recife com 9.533 votos. No primeiro biênio como vereadora, presidiu a Comissão de Políticas Públicas da Juventude; em 2011, tornou-se a primeira mulher a presidir a Comissão de Legislação e Justiça da Câmara Municipal.

Reeleita em 2012 com 8.841 votos, assumiu a Secretaria Municipal de Juventude e Qualificação Profissional na gestão de Geraldo Júlio e voltou à Câmara em abril de 2014. No mesmo ano, rompeu com a cúpula do partido no estado: renunciou à candidatura a deputada federal, denunciou interferências na juventude da sigla e declarou apoio à reeleição de Dilma Rousseff. Em fevereiro de 2016, oficializou a saída do PSB alegando falta de democracia interna e, semanas depois, filiou-se ao PT em ato na Câmara dos Vereadores que teve a presença de Lula.

Em outubro de 2016, foi eleita para o terceiro mandato com 11.872 votos, uma das maiores votações daquela legislatura, e assumiu a liderança da bancada de oposição na Casa José Mariano — posição de onde coordenou a resistência ao impeachment de Dilma Rousseff no Recife.

Deputada federal: Lei da Dignidade Menstrual e Mesa da Câmara

Em 2018, disputou a Câmara dos Deputados e venceu com 193.108 votos — a segunda maior votação de Pernambuco naquele ano e a quarta mulher eleita deputada federal na história do estado. O mandato, entre 2019 e 2023, ficou marcado por duas frentes que resumem a atuação dela em Brasília.

A primeira foi a autoria do projeto que deu origem à Lei nº 14.214/2021, que instituiu o Programa de Proteção e Promoção da Saúde Menstrual, o texto que ficou conhecido como Lei da Dignidade Menstrual. A proposta garantia distribuição gratuita de absorventes a estudantes e mulheres em situação de vulnerabilidade; o trecho que assegurava o repasse pelo Programa Farmácia Popular foi vetado pelo Executivo e só entrou em vigor depois que o Congresso derrubou o veto, em março de 2022.

A segunda foi a eleição para a Mesa Diretora: em fevereiro de 2021, Marília Arraes foi escolhida 2ª secretária da Câmara dos Deputados, em votação avulsa que a colocou à frente da indicação oficial do próprio partido. A disputa expôs publicamente as tensões internas do PT à época e a colocou entre os nomes de maior visibilidade da legislatura.

Os segundos turnos de 2020 e 2022

Em 2020, Marília Arraes disputou a prefeitura do Recife: foi a segunda mais votada no primeiro turno e se tornou a primeira mulher a alcançar o segundo turno na cidade, onde perdeu para João Campos, seu primo de segundo grau, em uma campanha de forte confronto familiar.

Dois anos depois, a disputa foi estadual. Marília deixou o PT, filiou-se ao Solidariedade e assumiu a presidência do partido em Pernambuco antes de lançar a candidatura ao governo do estado. Terminou o primeiro turno como a mais votada, com pouco mais de 1,17 milhão de votos, e chegou ao segundo turno contra Raquel Lyra. Foi a primeira vez que duas mulheres disputaram o segundo turno de uma eleição para o governo de Pernambuco; com quase 2,2 milhões de votos, Marília foi derrotada, mas a votação a manteve entre as principais lideranças do estado.

Nas eleições municipais de 2024, ela declarou apoio à reeleição de João Campos, ex-adversário — movimento registrado pela imprensa desde 2022, quando o prefeito apoiou a candidatura dela ao governo.

Senadora eleita por Pernambuco em 2026

Em 28 de março de 2026, já filiada ao PDT, Marília Arraes oficializou a pré-candidatura ao Senado. Na votação de 4 de outubro, garantiu uma das duas vagas em disputa pelo estado com cerca de 2,3 milhões de votos, atrás apenas do companheiro de chapa Humberto Costa. Os dois assumem os mandatos em 1º de fevereiro de 2027 e se juntam a Teresa Leitão, que está na metade do mandato — a bancada pernambucana passa a ter três senadores alinhados ao governo federal.

Uma trajetória em marcos

  • 2007–2008 — secretária de Juventude e Emprego de Pernambuco, na gestão de Eduardo Campos;
  • 2008 — eleita vereadora do Recife com 9.533 votos, a mais jovem da legislatura;
  • 2012 e 2016 — reeleita vereadora e líder da oposição na Câmara Municipal;
  • 2018 — eleita deputada federal com 193.108 votos, a segunda maior votação de Pernambuco;
  • 2021 — eleita 2ª secretária da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados;
  • 2020 e 2022 — segundo turno nas eleições para a prefeitura do Recife e para o governo de Pernambuco;
  • 2026 — eleita senadora por Pernambuco com cerca de 2,3 milhões de votos.

Marília Arraes é casada com André Cacau, ex-vereador de Salgueiro, e mãe de Maria Isabel, Maria Bárbara e Maria Magdalena. Nas redes, mantém o perfil @mariliaarraes no Instagram, com mais de 400 mil seguidores, e o canal Marília Arraes no YouTube, usado na campanha ao Senado. É por esses canais e pelo mandato no Senado Federal, a partir de 2027, que ela segue apresentando publicamente suas posições e a agenda política em Pernambuco.

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