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Miguel Falabella

Falabella

Nascimento: 1956 Rio de Janeiro, RJ
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Ator, autor e apresentador carioca. Caco Antibes no Sai de Baixo, bancada do Vídeo Show e textos de A Partilha a Pé na Cova.

Em agosto de 1987, Miguel Falabella assumiu a bancada do Vídeo Show. Nove anos depois, o mesmo carioca de São Cristóvão entrou no Sai de Baixo como Caco Antibes, o trambiqueiro que a plateia de domingo passou a citar. Quem procura o nome mistura essas duas lembranças e, com frequência, deixa de lado a terceira: a do dramaturgo de A Partilha, texto de 1990 que Daniel Filho levou ao cinema em 2001 e que, em 2026, voltou às livrarias numa coletânea da Matrix.

Não se trata de um apresentador que também fazia humor. É alguém que escrevia o que representava, dirigia musical e, em 1997, abriu uma casa de espetáculo na zona norte do Rio. O nascimento registrado é 10 de outubro de 1956. A trajetória cabe em três mesas: palco, sala de roteiro e cadeira de apresentador.

Por que o nome ainda é buscado

A busca chega por portas diferentes. Uma parte quer Carlos Augusto Antibes, o Caco do Sai de Baixo, no ar de 1996 a 2002. Outra quer o apresentador que ficou no Vídeo Show de agosto de 1987 ao início de 2002, quando Márcio Garcia assumiu o programa. Uma terceira chega pela autoria: novelas, seriados e peças, sozinho ou com Maria Carmem Barbosa. Separar essas portas evita tratar personagem, bancada e texto como se fossem o mesmo ofício.

São Cristóvão, a Ilha e o Tablado

Miguel Falabella de Sousa Aguiar nasceu no bairro de São Cristóvão, filho de um arquiteto e de uma professora universitária de francês e de literatura francesa. A família mudou-se para a Ilha do Governador, onde ele morou até os 17 anos. Ali, ainda criança, assistiu ao musical Hello, Dolly! com Bibi Ferreira. O episódio ficou na cronologia pública como o primeiro contato marcado com o palco.

O teatro começou na adolescência, no colégio e depois no Teatro Tablado, escola de Maria Clara Machado. A estreia foi aos 18 anos, em O dragão, de Eugene Schwarz, no período em que cursava Letras na Universidade Federal do Rio de Janeiro. O que está documentado é o curso em andamento, não um diploma. No fim de 1976, conheceu Maria Padilha e organizou com ela um grupo que reuniu Daniel Dantas, Rosane Gofman, Fábio Junqueira, Zezé Polessa e Paulo Reis. A estreia profissional dessa turma foi em 1979, em O despertar da primavera, de Frank Wedekind. Depois vieram cursos avulsos na França, o filme O sonho não acabou, de Sérgio Rezende, e a volta ao grupo em A tempestade, de Shakespeare.

Da primeira câmera ao Caco Antibes

A televisão começou em setembro de 1982, no Caso Verdade, no episódio Jan e Jim. No mês seguinte veio a primeira novela, Sol de Verão, de Manoel Carlos, no papel do médico Romeu. O reconhecimento mais largo chegou em 1986, com Miro no remake de Selva de Pedra, de Janete Clair. Em 1987, além da bancada do Vídeo Show, estreou na direção geral de novela em Sassaricando, de Silvio de Abreu.

O personagem que grudou no nome foi o Caco, no Sai de Baixo. Falabella não estava só diante da câmera: assinava o texto com Maria Carmem Barbosa e Euclydes Marinho. O trambiqueiro e o autor eram a mesma pessoa, em funções que o público costuma separar. Entre 1985 e 1988, foi casado com a atriz Zaira Zambelli.

O que ele escreveu para a televisão

A parceria com Maria Carmem Barbosa começou quando ela supervisionava os textos de Delegacia de Mulheres, em 1990. A primeira novela dele foi Salsa e Merengue, em 1996, escrita com ela para as 19h. Em 2005, os dois assinaram A Lua Me Disse. No mesmo ano, Toma Lá, Dá Cá estreou como especial de fim de ano e, a partir de 2007, entrou na grade semanal até 2009, com Falabella no papel do ex-surfista Mário Jorge. Ao encerrar a série, ele resumiu a decisão numa frase curta: achava bom sair no auge.

Como autor titular, vieram Negócio da China, em 2008, comédia urbana com Grazi Massafera e Fábio Assunção, e Aquele Beijo, em 2011, com uma participação dele como o Marajá de Ashuarya. Em Pé na Cova, de 2013 a 2016, acumulou o roteiro e o papel de Gedivan Pereira, o Ruço. Na época, ligou a série à idade: a partir dos 50, a morte deixa de ser tema abstrato. Sexo e as Negas, em 2014, deslocava o molde de Sex and the City para quatro amigas de Cordovil. Teve uma temporada e repercussão negativa já antes de estrear.

  • Salsa e Merengue (1996), com Maria Carmem Barbosa
  • A Lua Me Disse (2005), na mesma parceria
  • Toma Lá, Dá Cá (2005 e 2007–2009), texto e atuação
  • Negócio da China (2008) e Aquele Beijo (2011)
  • Pé na Cova (2013–2016), com o personagem Ruço
  • O Som e a Sílaba (2024), seriado de sua autoria

Fora dessa linha, escreveu e dirigiu O Coro: Sucesso, Aqui Vou Eu, série de 2022. A Vida Alheia, em 2010, foi um seriado sem plateia, gravado em externas, sobre a rotina de paparazzi. Em 2017, Brasil a Bordo o colocou de novo como autor e como o comandante Vadeco.

A Partilha, a crônica e o musical

A Partilha estreou em 1990 e voltou a circular em remontagem em 2012. Quatro irmãs se reencontram depois da morte da mãe, e a divisão dos bens vira conversa sobre mágoa e memória, com humor no mesmo diálogo. Daniel Filho filmou a peça em 2001. A Memória Globo registra montagens em 12 países. Outras peças também saíram do Brasil, entre elas O Submarino, apresentada em Portugal.

A escrita não ficou só no palco. Nos anos 1990, a coluna semanal Um Coração Urbano saiu no O Globo, primeiro aos domingos na editoria Grande Rio e depois às quintas no Segundo Caderno. Houve ainda coluna no O Dia. As crônicas viraram o livro Pequenas Alegrias, pela Objetiva, e é aí que o nome encontra a literatura de jornal, distinta da novela e da peça. Em 2004, a Lacerda Editores publicou Querido Mundo e Outras Peças, sete textos escritos com Maria Carmem Barbosa.

Nos musicais, o trabalho é de direção e de atuação sobre repertório já existente, não de autoria original. Ele dirigiu Hairspray e esteve em cena em A Gaiola das Loucas, como Georges, além de Hebe, o Musical, Annie e Donna Summer Musical. Em Os Produtores, fez Max Bialystock. São montagens. Não entram na lista do que ele escreveu.

Carnaval, uma casa na zona norte e a volta à novela

Entre 1993 e 1996, Falabella foi carnavalesco da Império da Tijuca e assinou enredos da escola. Também passou pela Rocinha. Em 2018, a Unidos da Tijuca desfilou em homenagem a ele, e ele foi à avenida com Arlete Salles, Cissa Guimarães, Claudia Raia, Aracy Balabanian e Marisa Orth.

Em 1997, inaugurou o Teatro Miguel Falabella no Norte Shopping, na zona norte do Rio. A casa segue com o nome dele e com programação própria. Espetáculo em cartaz nesse endereço não é, por isso, obra sua. O lugar é um projeto de 1997, não um selo automático de autoria.

O vínculo com a Globo, aberto em 1982, não foi renovado em 2020, depois de 38 anos, com término previsto para setembro daquele ano. A emissora falou em outro modelo de parceria, sem contratos longos. Ele disse que saía sem ressentimento e agradeceu o período, inclusive a assistência quando precisou de cuidado médico. Em 2025, depois da homenagem no Show 60 Anos, voltou à novela em Três Graças, de Aguinaldo Silva, como Kasper Damatta. O papel fixo anterior em novela tinha sido Juca Tigre, em Agora É que São Elas, de 2003.

No cinema, a direção aparece em Polaroides Urbanas (2008), Veneza (2021) e Querido Mundo (2025), adaptação da peça escrita com Maria Carmem Barbosa. O longa passou pelo Festival de Gramado. No início de 2026, a Matrix lançou A partilha e outras peças teatrais, com A Partilha, O som e a sílaba, A sabedoria dos pais e Os olhos de Nara Leão, textos de 1990 a 2025. O volume não resume a carreira. Guarda quatro peças que, até então, viviam mais no palco do que na estante.

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