1889 fecha a trilogia de Laurentino Gomes sobre a construção e o colapso do arranjo monárquico brasileiro. Depois da corte em 1808 e da Independência em 1822, o leitor chega ao 15 de novembro e à pergunta que o autor coloca em público: por que o Brasil permaneceu monarquia por tanto tempo nas Américas — e como a República se impôs.
Publicado no segundo semestre de 2013 pela Globo Livros, com grande tiragem inicial anunciada na época, o livro consolidou a trilogia como projeto editorial de massa sobre o século XIX brasileiro.
O recorte da obra
O volume examina o fim do reinado de Dom Pedro II, o papel de figuras como o Marechal Deodoro da Fonseca e o conjunto de forças — militares, políticas e sociais — que precipitaram a Proclamação da República. O subtítulo fala de um imperador cansado, um marechal vaidoso e um professor injustiçado: de novo, o método de Laurentino de humanizar processos históricos sem transformá-los em fofoca.
O texto interessa tanto a quem quer entender o 15 de Novembro quanto a quem busca o “depois” da Independência: o império escravista, a abolição em 1888 e a fragilidade do pacto monárquico nos anos finais.
Para quem é
- leitores que completam a trilogia iniciada em 1808;
- interessados em monarquia, império e origem da República no Brasil;
- quem prefere narrativa de não ficção a manual de data decorada;
- clubes de leitura e estantes de história contemporânea do século XIX.
Lugar na carreira do autor
1889 não é apenas “o terceiro livro”: é o fecho de um arco narrativo que vendeu em escala de best-seller e colecionou prêmios ao longo da série. Com ele, Laurentino encerra o ciclo Estado-nação monárquico e, anos depois, desloca o foco para a trilogia Escravidão — tema que atravessa todos esses períodos, mas que merecia tratamento próprio.
Para aquisição, a edição em português nas grandes livrarias e na Amazon é o caminho usual. Vale checar se a edição é a integral adulta, e não apenas a versão juvenil ilustrada, caso o objetivo seja a obra completa da trilogia original.
Como ler em sequência
Se você chegou a 1889 sem os volumes anteriores, ainda encontra uma narrativa autônoma sobre o fim do Império. A experiência fica mais rica, porém, quando o leitor carrega a memória da corte e da Independência montadas nos livros anteriores. É o volume do “desfecho político” da trilogia — e a ponte natural para quem, em seguida, quer entender a escravidão como estrutura de longa duração.




