Depois de recontar corte, Independência e República, Laurentino Gomes deslocou o eixo para o tema que atravessa a formação do Brasil com mais peso estrutural do que qualquer data isolada: a escravidão. O Volume 1 abre a trilogia homônima, resultado de anos de pesquisa e viagens por diversos países, e cobre um arco longo — do primeiro leilão de cativos africanos em Portugal até a morte de Zumbi dos Palmares.
Publicado em 2019 pela Globo Livros, o livro é a porta de entrada de uma série em três volumes (2019, 2021 e 2022) que amplia o público de não ficção histórica para o debate sobre tráfico atlântico, resistência e legado.
Proposta do volume
O subtítulo do primeiro volume aponta o percurso: das origens do comércio de cativos em solo português à experiência de Palmares. O leitor encontra a escravidão tratada como sistema atlântico e como realidade cotidiana no Brasil colonial — não como capítulo isolado de livro didático.
Laurentino mantém a escrita acessível, mas o tema exige fôlego: números, rotas, violência, cultura e resistência aparecem lado a lado. O Volume 1 estabelece o mapa mental para os volumes seguintes, que avançam no tempo até a abolição e seus desdobramentos.
Para quem este livro funciona
- leitores de 1808, 1822 e 1889 que querem o “fio estrutural” da história brasileira;
- quem busca introdução narrativa ao tráfico atlântico e à escravidão no Brasil;
- professores, mediadores e clubes de leitura com foco em memória e formação social;
- pessoas que preferem não ficção longa a compêndio acadêmico como primeiro contato.
Contexto de leitura e compra
O Volume 1 não substitui a trilogia inteira nem a produção especializada de historiadores do tema. Serve como ponto de partida público, com circulação de best-seller e presença forte em livrarias e na Amazon. Se a intenção é estudar o conjunto, planeje os três volumes; se a intenção é começar, este é o título certo.
A capa e a ficha da edição Globo Livros identificam claramente a obra; evite confundir com edições juvenis condensadas ou boxes, a menos que seja essa a sua escolha editorial.
Por que importa na obra de Laurentino
Com Escravidão, o autor deixa de orbitar apenas as datas simbólicas do Estado e enfrenta a instituição que financiou e moldou boa parte da riqueza e da desigualdade brasileiras. O Volume 1 é o alicerce desse projeto: sem ele, os volumes posteriores perdem a genealogia do sistema. Para quem monta a estante completa de Laurentino Gomes, este é o segundo grande bloco — depois da trilogia do século XIX político.




