Em 1992, quando o continente americano discutia os 500 anos da chegada de Cristóvão Colombo, Denise Stoklos respondeu com um espetáculo solo que usa o formato de uma mensagem direta ao navegador. "500 Anos: Um Fax para Cristóvão Colombo" parte de um gesto simples — o que dizer, séculos depois, a quem iniciou a colonização? — para atravessar a história do Brasil e da América Latina.
O contexto da montagem
O ano de 1992 colocou em disputa duas narrativas: a do descobrimento celebrado e a da violência da colonização. Denise Stoklos construiu o espetáculo nesse intervalo, sem discurso panfletário e com os recursos que marcam seu trabalho: corpo, voz e uma economia cênica radical. O "fax" do título era, na época, uma forma de comunicação urgente e direta — a metáfora de uma mensagem enviada ao passado.
A montagem pertence à fase em que a atriz passou a vincular seus solos a temas sociais e políticos, movimento que continuaria em "Desobediência Civil" e "Vozes Dissonantes" (1999), este último também sobre os 500 anos da presença europeia no continente.
A publicação
O livro "500 Anos: Um Fax para Cristóvão Colombo" reúne o texto do espetáculo e integra a série de obras publicadas pela autora no início dos anos 1990. É uma leitura que interessa tanto a quem pesquisa teatro brasileiro quanto a quem estuda a construção crítica da memória colonial no país.
Como encontrar
Como as demais publicações de Denise Stoklos, os exemplares circularam em tiragens limitadas e hoje são encontrados em sebos e bibliotecas com acervo de dramaturgia. É um dos títulos em que a autora mais aproxima escrita teatral e debate histórico.





