A peça de Gero Camilo sobre a utopia de Van Gogh
A Casa Amarela parte de um episódio conhecido da vida de Vincent van Gogh: o sonho do pintor de montar, em Arles, uma comunidade de artistas, um lugar onde pintores pudessem viver juntos, trocar técnicas, dividir despesas e criar sem depender do mercado. Gero Camilo transforma essa ideia em texto teatral e leva ao palco a pergunta sobre o que sustenta uma obra coletiva: dinheiro, desejo, convivência e reconhecimento.
Da cena para o livro
A peça foi encenada em 2011 e, em 2013, o autor interpretou Van Gogh em cena. O texto saiu em livro pela Giostri Editora, em edição que interessa a leitores de teatro, a admiradores do pintor holandês e a quem pesquisa processos criativos. O volume preserva o tom ensaístico e poético da dramaturgia de Gero Camilo, com diálogos que discutem o ofício do artista e as condições materiais da criação.
Como esta obra se conecta à trajetória do autor
Depois de peças ligadas à memória do Nordeste, A Casa Amarela desloca o olhar do dramaturgo para a vida de um artista europeu e para a pergunta sobre coletividade, tema que reaparece em projetos posteriores dele, como a Companhia Tertúlia de Acontecimentos, fundada em 2016. A leitura ajuda a perceber como o autor pensa a relação entre criação, grupo e sobrevivência material, discussão que também aparece em Aldeotas e em Razão Social. É um título útil para quem estuda dramaturgia brasileira contemporânea e para quem quer entender a fase em que Gero Camilo passou a escrever sobre o próprio fazer artístico.





