Quem é Gero Camilo
Gero Camilo é o nome artístico de Paulo Rogério da Silva, ator, dramaturgo, diretor e cantor nascido em Fortaleza, no Ceará, em 18 de dezembro de 1970. A carreira dele começa pela escrita: A Procissão, peça que redigiu em 1993 sobre romeiros em luta pela sobrevivência no sertão, foi o texto apresentado na prova de interpretação do vestibular da Escola de Arte Dramática da USP, a EAD, onde se formou em 1998. Ao sair da escola, estreou em São Paulo o mesmo monólogo, escrito e dirigido por ele.
Essa sequência ajuda a entender o restante da trajetória. Gero Camilo escreve para atuar e atua para sustentar o que escreve, em uma obra na qual teatro, cinema, televisão e música se cruzam sem hierarquia. É dele um conjunto de peças que circula há mais de duas décadas, e é dele também a presença em filmes brasileiros que atravessaram gerações, de Cidade de Deus a Mussum, o Filmis.
Infância em Fortaleza e formação na EAD
Criado no Conjunto Esperança, bairro da periferia de Fortaleza que a família ajudou a fundar, ele teve as primeiras aulas de teatro no Theatro José de Alencar, aos 19 anos. A mudança para São Paulo veio para cursar a EAD, na Universidade de São Paulo. Durante o curso, escreveu peças, contos e poemas enquanto se formava ator, passando por montagens com diretores como Celso Frateschi, Cristiane Paoli Quito e José Rubens Siqueira.
A memória do Nordeste e o choque com a vida na cidade grande aparecem cedo nos textos. O crítico Sérgio Salvia Coelho, em resenha de A Procissão publicada na Folha de S.Paulo em 2004, descreveu o ritmo da montagem como sereno e cheio de silêncios sonoros, construção que se repetiria em outros espetáculos do autor.
Um dramaturgo que atua
Além de A Procissão, Gero Camilo assina um repertório teatral encenado por ele e por outras companhias. A Macaúba da Terra, publicado de forma independente em 2002, reúne contos e peças curtas e serviu de matriz para espetáculos como As Bastianas (2003), pela Cia. São Jorge de Variedades, Entreatos (2004) e Cleide, Eló e as Pêras (2006).
O texto mais conhecido é Aldeotas (2004), história de dois amigos de infância que se reencontram depois de décadas. A montagem dirigida por Cristiane Paoli Quito rendeu à diretora o Prêmio Shell, e a peça seguiu em circulação pelo país em diferentes temporadas. Outros trabalhos autorais incluem A Casa Amarela (2011), sobre o projeto de Vincent van Gogh de formar uma comunidade de artistas, Caminham Nus Empoeirados (2015), encenada em Portugal com direção conjunta da portuguesa Luisa Pinto, e Razão Social (2016), escrita e dirigida em parceria com Victor Mendes, com o samba e o golpe militar de 1964 como pano de fundo.
Em 2016, com o ator Victor Mendes e a produtora Flávia Correa, fundou a Companhia Tertúlia de Acontecimentos.
- A Procissão (1998): monólogo sobre romeiros do sertão, marco da estreia profissional.
- Aldeotas (2004): peça de maior circulação, base do filme homônimo de 2022.
- A Casa Amarela (2011): Van Gogh e a utopia da comunidade artística.
- Razão Social (2016): samba, memória e ditadura, em coautoria com Victor Mendes.
Cinema: de Bicho de Sete Cabeças a Saudosa Maloca
No cinema, a estreia veio em 2000, com Cronicamente Inviável. No ano seguinte, atuou em Bicho de Sete Cabeças, Abril Despedaçado e Domésticas. Em 2002, interpretou Paraíba em Cidade de Deus e Agapito em Madame Satã.
O reconhecimento como ator coadjuvante se consolidou com Narradores de Javé (2003), no qual vive Firmino e que lhe valeu o Grande Otelo de melhor ator coadjuvante em 2005. No mesmo período, atuou em Carandiru (2003), de Hector Babenco, e em Chamas da Vingança (2004).
Mais tarde, vieram Hotel Atlântico (2009), que lhe rendeu prêmios da APCA e do Festival do Rio, Assalto ao Banco Central (2011), Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios (2011) e Talvez uma História de Amor (2018). Em Mussum, o Filmis (2023), interpretou Renato Aragão, o Didi. Por Saudosa Maloca (2024), recebeu indicações ao Grande Otelo e ao Prêmio Platino de Cinema Ibero-Americano de 2025.
Em 2022, dirigiu e estrelou a adaptação de Aldeotas para o cinema, exibida na 46ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, com Marat Descartes no papel de Elias.
Televisão e streaming
Na televisão, atuou em Brava Gente (2001), Hoje é Dia de Maria (2005), como Zé Cangaia, Som & Fúria (2009), Gabriela (2012), como Miss Pirangi, Felizes para Sempre? (2015), O Hipnotizador (2015), Manhãs de Setembro (2021), Cine Holliúdy (2022) e Travessia (2023), na qual interpretou Wesley e também a drag Lucia Del Mar.
Música e poesia
A veia musical acompanha o trabalho desde o teatro. Em 2008, lançou o primeiro álbum, Canções de Invento, com 13 faixas entre composições próprias e parcerias. Em 2014, veio Megatamainho, com 12 faixas e distribuição da Tratore. Em 2016, publicou o livro de poesia Cajita de Monerías.
Prêmios e reconhecimento
Entre os principais registros públicos estão o Grande Otelo de melhor ator coadjuvante por Narradores de Javé (2005), os prêmios de melhor ator da APCA e do Festival do Rio por Hotel Atlântico (2009), o Prêmio Contigo! de Cinema Nacional (2010), o Troféu Eusélio Oliveira, recebido em 2024 no Cine Ceará como homenagem à carreira, e as indicações recentes por Saudosa Maloca.
Perguntas frequentes sobre Gero Camilo
Quais filmes marcaram a carreira dele?
Os títulos mais lembrados são Cidade de Deus, Carandiru, Narradores de Javé, Bicho de Sete Cabeças, Hotel Atlântico, Mussum, o Filmis e Saudosa Maloca. Em Narradores de Javé, o trabalho como ator coadjuvante recebeu o Grande Otelo de 2005.
Quais livros e peças ele publicou?
Entre os livros estão A Macaúba da Terra (2002), Aldeotas, A Casa Amarela e o volume de poesia Cajita de Monerías (2016). No teatro, assina textos como A Procissão, Entreatos, Cleide, Eló e as Pêras, Caminham Nus Empoeirados e Razão Social.
Gero Camilo também canta?
Sim. Ele lançou dois álbuns de canções, Canções de Invento (2008) e Megatamainho (2014), com composições próprias e parcerias, distribuídos pela Tratore e disponíveis em plataformas de música.
Como acompanhar o trabalho
O perfil oficial no Instagram é @gerocamilo, onde ele divulga espetáculos, filmes e shows. Para quem quer continuar navegando por universos próximos, as páginas de literatura e de música reúnem outras autoridades com atuação parecida.






