Contexto e proposta de A contra-revolução na América Latina
A contra-revolução na América Latina saiu em 1986 pela coleção Discutindo a História, feita pela editora Atual em parceria com a Editora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). É o segundo título conhecido de Rossi na área de história: quatro anos antes, ele havia publicado Militarismo na América Latina.
O recorte do livro dialoga com o noticiário da época: nos anos 1980, com as ditaduras do Cone Sul em retirada, a pergunta sobre o que viria depois — e sobre as forças que resistiriam à mudança — pautava a imprensa e a universidade.
O volume é organizado em blocos temáticos identificados na capa — "O lento avanço", "A verdadeira contra-revolução" e "A tragédia chilena" —, o que dá a medida do argumento: entender como forças conservadoras se reorganizaram no continente para reverter mudanças políticas, com o Chile como caso emblemático do desfecho autoritário.
A parceria entre uma editora escolar, como a Atual, e uma editora universitária, como a da Unicamp, rendeu uma coleção híbrida: rigor acadêmico em linguagem de sala de aula. Esse enquadramento ajuda o leitor a calibrar o que esperar do volume — um texto de síntese, não uma pesquisa inédita. Para quem pesquisa a passagem entre os projetos de transformação social dos anos 1960 e 1970 e a onda conservadora das décadas seguintes, é um panorama introdutório escrito por um observador direto da política latino-americana.
Escrever história política entre uma cobertura e outra não era desvio para Rossi, e sim método: na redação, ele lidava diariamente com as mesmas forças — governos, exércitos, partidos — que analisava nos livros. Exemplares da edição circulam hoje em sebos e bibliotecas universitárias, e o título segue sendo consultado por estudantes de história e relações internacionais.





