Foto ilustrativa do produtor Elio Gaspari

Projeto relacionado a:

Elio Gaspari
Imagem promocional do produto A ditadura acabada

A ditadura acabada

Livro
Ver página do projeto

Este link pode ser comercial e gerar comissão para o site, sem alterar o preço para o leitor. Compare informações, preço e disponibilidade antes de decidir.

Quinto e último volume da Coleção Ditadura: Figueiredo, anistia, Riocentro, Diretas Já e o epílogo das 500 vidas que sobreviveram ao regime.

O “livro do Elio” só ficou pronto em 2016. A ditadura acabada é o quinto e último volume da Coleção Ditadura, o tomo que a Intrínseca lançou 14 anos depois dos dois primeiros, cobrindo 1978 a 1985: o fim do governo Geisel, a posse de João Baptista Figueiredo, a anistia, o atentado do Riocentro, a crise da dívida, as Diretas Já e a eleição de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral. Zuenir Ventura escreveu que não há nada comparável em quantidade e qualidade de informação. Heloisa Buarque de Hollanda resumiu o efeito: “é como ouvir uma conversa proibida”.

Quem chega a este volume quase sempre já viveu o debate sobre a ditadura no presente — anistia, memória, militares na política, nomes que atravessaram o regime e reapareceram na Nova República. Gaspari não escreve esse debate. Ele reconstitui a saída: como um governo que nasceu do golpe foi, palmo a palmo, empurrado para fora da cena, e o que restou dos que estavam dentro.

O período que o livro cobre

O recorte começa no final da gestão Geisel, com o AI-5 já condenado, e atravessa o governo Figueiredo até a transição civil de 1985. No caminho estão a campanha pela anistia, as manifestações por eleições diretas para presidente, os atentados da linha dura — o caso mais conhecido é a bomba do Riocentro, em 1981 — e a bancarrota econômica de 1982. São os anos em que a distensão deixa de ser projeto de gabinete e vira rua, sindicato, palanque e televisão.

O miolo do livro é reportagem de arquivo, no mesmo método dos tomos anteriores: papéis de Golbery e de Heitor Ferreira, entrevistas, documentos diplomáticos, o olho do jornalista que acompanhou o Planalto por dentro. A novidade editorial é o desfecho. Depois de quatro volumes sobre como o regime se montou e se desgastou, Gaspari precisa contar como ele realmente acaba — e o acabamento, no Brasil, nunca foi uma porta batendo. Foi um corredor.

O epílogo das 500 vidas

A seção final, “500 vidas”, acompanha o destino de quinhentos personagens que atravessaram a ditadura e chegaram ao outro lado: militares e militantes, empresários e sindicalistas, torturados e torturadores. Alguns desses sobreviventes chegaram à Presidência da República. O livro nomeia, entre eles, a presa política Dilma Rousseff, o metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva e o professor Fernando Henrique Cardoso. O efeito é o contrário do encerramento solene. Em vez de “e então a democracia venceu”, o leitor vê gente concreta carregando o regime para dentro da democracia — no cargo, na memória, no trauma e no poder.

Por isso este volume interessa tanto a quem estuda 1964 quanto a quem tenta entender o Brasil depois de 1985. A abertura política não limpa o elenco; redistribui. Lido assim, A ditadura acabada funciona como índice onomástico do país que veio a seguir.

Para quem vale este tomo

O leitor que já passou pelos quatro primeiros volumes encontra aqui a conclusão prometida desde 2002. O leitor que entra direto neste livro encontra um retrato da abertura, mas perde o chão do golpe e do AI-5. A Intrínseca o apresenta como obra autônoma e, ao mesmo tempo, como fecho da coleção; as duas coisas são verdade, com ressalvas. Autônomo, sim, para quem quer Figueiredo, anistia e Diretas. Insuficiente, se a pergunta ainda for “como chegamos ali”.

A edição impressa tem 464 páginas, ISBN 978-85-8057-915-4, classificação 16 anos, lançamento em 16 de maio de 2016. O e-book inclui dezenas de documentos históricos. Há box com os cinco volumes para quem prefere a série completa. A Folha descreveu o livro, na época, como reconstituição dos anos da abertura que conclui a obra sobre o regime militar. Em 2004–2005, Gaspari tinha sido Lemann Visiting Fellow no David Rockefeller Center for Latin American Studies, em Harvard; a ReVista do centro voltou ao quinto volume quando ele chegou às livrarias.

Limite, crítica e uso

Como o restante da série, este tomo herda a discussão sobre o olhar do palácio. Contar a abertura a partir de Geisel, Figueiredo, Golbery e do arquivo militar produz uma narrativa de engenharia política: quem cedeu, quem sabotou, quem plantou bomba, quem negociou a anistia. A rua aparece, mas o centro de gravidade continua sendo o gabinete. Para o leitor que quer a ditadura vista da cadeia, da assembleia clandestina ou da família de desaparecido, este não é o primeiro livro — é o complemento, ou o contraponto.

  • Comece por aqui se a pergunta é Figueiredo, Riocentro, Diretas Já e a eleição de Tancredo
  • Leia o epílogo das 500 vidas se o interesse é o depois: quem restou, quem subiu, quem sumiu
  • Não use este volume como atalho para 1964; o atalho deixa o golpe sem causa
  • A edição Intrínseca em português, papel ou e-book, é a via corrente de acesso

A ditadura, neste livro, acaba. A lista de nomes, não. Gaspari fecha a série mostrando que o regime saiu do Planalto e entrou na biografia de meio Brasil — um fim que nunca foi limpo, e que o quinto volume ainda ajuda a mapear.

Página vinculada ao projeto

Para consultar a página vinculada a este projeto, acesse A ditadura acabada.


O que você acha deste Projeto?

O projeto A ditadura acabada entrega o que promete? Foi uma boa experiência de aprendizagem ou serviço? Mande o seu feedback franco.

Outros projetos do mesmo autor

Se você se interessou por A ditadura acabada, talvez também queira conhecer outros projetos de Elio Gaspari.

Ver perfil completo
A ditadura envergonhada
A ditadura envergonhada
Primeiro volume da Coleção Ditadura: o golpe de 1964, Castello Branco, o SNI e o caminho até o AI-5, quando o regime ainda recusava o próprio nome.
00%
00%
A ditadura escancarada
A ditadura escancarada
Segundo volume da Coleção Ditadura: o AI-5, a tortura de Estado, a guerrilha do Araguaia e o momento em que o regime militar deixa de disfarçar.
00%
00%