Contexto e proposta de A Fisionomia do Rio Grande do Sul
A Fisionomia do Rio Grande do Sul é o livro que consolidou Balduíno Rambo como intérprete da paisagem gaúcha. Publicado em 1942, o volume nasceu de anos de viagens de estudo por todas as regiões do estado, feitas por terra e em pequenos aviões, e propõe uma leitura integrada do relevo, do clima, da vegetação e dos rios que moldam o território.
O autor reuniu no livro mapas e 30 ilustrações paisagísticas produzidas a partir de fotografias aéreas que ele mesmo tirava durante os sobrevoos. O resultado é um retrato da fisionomia natural do Rio Grande do Sul que serviu de base para gerações de geógrafos, botânicos, agrônomos e historiadores — e que até hoje é usado como referência para comparar a cobertura vegetal e o uso do solo de diferentes épocas.
A obra conheceu novas edições ao longo das décadas: depois da primeira tiragem, saíram versões pela Livraria Selbach, em 1956, e pela Editora Unisinos, em 1994 e em edição posterior, que mantém o título em catálogo. Para quem estuda a formação da paisagem sul-rio-grandense, o livro é fonte de consulta recorrente; para o leitor curioso, funciona como uma viagem guiada por um observador que percorreu o estado de ponta a ponta.
O título dialoga diretamente com a atuação científica de Rambo: os mesmos deslocamentos que alimentaram o texto também abasteceram o Herbarium Anchieta e os artigos botânicos que ele publicou em revistas especializadas.




