Doze anos depois de A Mão Que Cria, Octavio Aragão recuou o relógio para 1890 e entregou o romance que o Clube de Leitores de Ficção Científica elegeu melhor do ano em 2019. A Mão Que Pune – 1890, pela Caligari, não é só continuação. É o volume em que o chargista Angelo Agostini — tema do mestrado do próprio autor — deixa de ser nota de rodapé acadêmica e vira protagonista de uma jornada steampunk entre o Brasil imperial e as catacumbas de Paris.
A sinopse oficial é direta: a missão de Agostini e sua gangue de párias imaginários liga os céus do Brasil às galerias francesas, o presidente Júlio Verne ao imperador Pedro II, Mary Shelley a Machado de Assis. São 210 páginas (ISBN 978-8594496485), publicadas em 30 de novembro de 2018. Christopher Kastensmidt assina o prefácio. O posfácio do autor mapeia a pesquisa e as motivações — o tipo de extra que ajuda quem chegou sem ter lido o primeiro volume.
O que muda em relação a A Mão Que Cria
O primeiro livro espalhava conceitos em 160 páginas. Este concentra o foco no fim do Império e nas consequências morais da ciência especulativa. Agostini vive o sequestro do filho recém-nascido e a morte da amante; o título, de novo, acena para Wells. Dali saem máquinas voadoras, cientistas com salvação pronta para a humanidade, Zeppelin, taberneiros de Álvares de Azevedo e um desfile de figuras reais e fictícias que o texto trata com o mesmo peso.
Dá para ler sem o volume de 2006, e há quem o recomende assim. A ordem de publicação, porém, mostra o crescimento do método: menos convulsão por página, mais fôlego de aventura, o mesmo recorte de ficção alternativa. Quem conhece A Liga Extraordinária ou Penny Dreadful reconhece o jogo. A diferença brasileira está no chargista de O Cabrião e da Revista Illustrada no centro do palco, não num Holmes genérico.
Para que leitor este livro foi feito
Foi feito para quem quer história alternativa com ação contínua e elenco híbrido. Também para quem se interessa por Agostini, charge política do século XIX e o imaginário da Belle Époque vista do Rio. Cobra atenção: nomes históricos, criaturas e invenções passam rápido. Em troca, oferece um romance de gênero que não trata o Brasil como cenário exótico colado numa Europa de aluguel.
- Sequência de A Mão Que Cria, ambientada em 1890.
- Angelo Agostini como eixo; Verne, Pedro II, Shelley e Machado no mesmo tabuleiro.
- Edição Caligari, 210 páginas, Prêmio Argos de melhor romance em 2019.
- Prefácio de Christopher Kastensmidt e posfácio do autor com chaves de leitura.
Edição, compra e o que não confundir
A edição de referência em português é a capa comum da Caligari. Existe versão Kindle. Não misturar com o volume da Mercuryo nem com antologias da Intempol: este é o segundo romance da saga da Mão, não um livro da polícia do tempo. Ângelo Cláudio figura como editor na ficha da Amazon; o autor do texto é Octavio Aragão.
O link de compra deve apontar para o item 8594496486, a fim de evitar homônimos e edições erradas. O texto não fixa preço porque a oferta oscila. O que permanece é o lugar do livro no currículo público: o Argos de 2019 e a prova de que a ficção alternativa brasileira cabe em livraria, não só em fanzine e site.
Quem terminar e quiser o Aragão em quadrinhos segue para Psicopompo. Quem quiser o contista, para Alguém em Guernica Olha para Mim. Este volume é o romance de fôlego da fase Caligari, com o chargista que ele estudou na pós-graduação finalmente dentro da ficção.




