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Foto de perfil de Octavio Aragão

Octavio Aragão

Nascimento: 1964 Rio de Janeiro, RJ
Octavio Aragão é designer, professor da ECO-UFRJ e escritor de ficção científica, criador da Intempol e autor de A Mão Que Cria e A Mão Que Pune.

Em 1998, um conto brasileiro matou Paolo Rossi antes da Copa. Não era só rancor de torcedor: Octavio Aragão precisava de uma polícia internacional do tempo com agenda suspeita. Dali saiu a Intempol, um dos primeiros projetos multimídia de arte fantástica no país, e o designer que fazia infográfico em jornal carioca virou um eixo da ficção científica nacional.

Octavio Carvalho Aragão Júnior nasceu no Rio de Janeiro em 15 de dezembro de 1964. Quem busca o nome hoje costuma chegar por dois caminhos que, nele, nunca se separaram de verdade: a página impressa e o quadro. Há o professor da Escola de Comunicação da UFRJ, o coordenador da Semana Internacional de Quadrinhos e o idealizador do Prêmio LeBlanc. Há também o romancista de A Mão Que Cria e A Mão Que Pune – 1890, o roteirista de Psicopompo e o organizador das antologias da Intempol. A pergunta útil não é se ele é acadêmico ou escritor. É como essas duas frentes alimentam a mesma obsessão: o que a imagem e a história alternativa fazem com a memória pública.

Quem é Octavio Aragão

Aragão é designer gráfico, professor universitário e escritor. Formou-se em Comunicação Visual na Escola de Belas Artes da UFRJ em 1986, concluiu o mestrado em História da Arte em 2002, com pesquisa sobre Angelo Agostini, e o doutorado em Artes Visuais em 2007, defendendo tese sobre charge política contemporânea e a imagem pública de Luiz Inácio Lula da Silva. O pós-doutorado, supervisionado por Heloisa Buarque de Hollanda no PACC/UFRJ, debruçou-se sobre a ficção científica nos quadrinhos brasileiros.

Esse currículo explica o recorte. Ele não trata quadrinho, infográfico e romance como hobbies paralelos. Trata-os como linguagens que disputam o mesmo leitor: alguém que quer saber quem desenhou o poder, quem inventou o futuro e quem reescreveu o passado. No site oficial e na página de autor da Amazon, a biografia pública reitera o mesmo núcleo: ECO/UFRJ, PPGMC, Núcleo de Estudos em Narrativas Visuais e Transmídias, e um catálogo que atravessa Ano Luz, Mercuryo, Draco, Caligari e Avec Editora.

Do infográfico de jornal à sala da UFRJ

Antes da universidade como cargo, veio a redação. Aragão passou por agências de publicidade e escritórios de design, teve uma passagem curta como desenhista de produção no cinema e, nos anos 1990, especializou-se em infografia para jornais e revistas do Rio. Foi coordenador de arte de O Globo, subeditor de arte de O Dia e editor de arte da linha de informática da Ediouro. Quem lê o romance depois disso reconhece o hábito: compactar informação visual sem perder o fio da história.

A carreira docente começou no Departamento de Desenho Industrial da UFES, entre 2006 e 2009, onde também ajudou a organizar o núcleo de ensino a distância. Depois do concurso, fixou-se na ECO-UFRJ, com as cadeiras de Jornalismo Gráfico e a coordenação, ao longo dos anos, do Programa de Pós-Graduação em Mídias Criativas. A Semana Internacional de Quadrinhos da UFRJ e o Prêmio LeBlanc — criado em 2018 em homenagem a André LeBlanc, e voltado a quadrinhos, animação, literatura fantástica e games nacionais — saíram desse mesmo chão institucional, não de um gabinete de marketing cultural.

  • Infografista e editor de arte em grandes jornais cariocas nos anos 1990.
  • Professor da UFES e, em seguida, da ECO-UFRJ, com pesquisa em charge, design e arte sequencial.
  • Coordenador da SIQ e idealizador do Prêmio LeBlanc.
  • Criador da Intempol e autor de romances, HQs e ensaios no Brasil e no exterior.

O que é a Intempol e por que ela importa

A Intempol — Polícia Internacional do Tempo — começou no conto Eu Matei Paolo Rossi, publicado na antologia Outras Copas, Outros Mundos (Ano Luz, 1998). Dois anos depois veio Intempol – Uma antologia de contos sobre viagens no tempo, com textos de Aragão, Lúcio Manfredi, Jorge Nunes, Osmarco Valladão, Carlos Orsi, Paulo Elache, Fábio Fernandes e Gerson Lodi-Ribeiro. O portal na internet reuniu contos, webcomics, entrevistas e notícias num momento em que a ficção científica brasileira ainda circulava sobretudo em fanzine, pequena editora e lista de discussão.

O projeto ganhou o Prêmio Argos do Clube de Leitores de Ficção Científica em 2001, na categoria de melhor publicação. Não era um selo de “primeiro do gênero” inflado: era reconhecimento de um universo compartilhado com cara brasileira, agentes temporais de ética duvidosa e humor que não pede desculpa por gostar de pulp. A série atravessou HQ (The Long Yesterday, Belvedere Blues, Para Tudo se Acabar na Quarta-Feira) e voltou em antologias de quadrinhos como Intempol – Agora (Caligari, 2021), indicada ao Troféu HQ Mix de melhor publicação de aventura, terror e fantasia em 2022.

Essa vocação coletiva aproxima Aragão de outros nomes da literatura brasileira que transitam entre gênero, edição e design. Ele chegou a figurar na antologia Ficção de Polpa: Crime! ao lado de Samir Machado de Machado e Carlos Orsi — o mesmo Orsi com quem escreveu o conto The Last of the Guaranys para o universo Wold Newton de Philip José Farmer, publicado pela Meteor House e pela Titan Books. No quadrinho autoral, o diálogo natural no próprio site é com trajetórias como a de Lourenço Mutarelli, outro escritor-desenhista que recusou a fronteira rígida entre página escrita e vinheta.

Romances, HQs e o hábito de reescrever o cânone

A Mão Que Cria (Mercuryo, 2006) começou como fanfic de Aquaman no site Hyperfan e virou romance de história alternativa: Júlio Verne presidente da França, Nautilus na guerra, criaturas de Moreau e Frankenstein no mesmo tabuleiro. Doze anos depois, A Mão Que Pune – 1890 (Caligari, 2018) recuou o relógio, colocou Angelo Agostini no centro da trama e levou o Prêmio Argos de melhor romance em 2019. Entre um e outro, Aragão roteirizou Para Tudo se Acabar na Quarta-Feira com arte de Manoel Ricardo (Draco, 2011) e, em 2020, publicou a HQ Psicopompo com Carlos Hollanda.

Em 2025, a Avec Editora reuniu 22 contos em Alguém em Guernica Olha para Mim, um recorte de quase três décadas: Brasil sob ditadura extraterrena, o fim do mundo entre boêmios cariocas dos anos 1930, símios arqueólogos, santas arquetípicas. O volume não substitui a Intempol nem a saga da Mão. Mostra o método: o conto como laboratório, o romance como salão de referências, o quadrinho como outro modo de montar o mesmo quebra-cabeça.

Há ainda ensaios e capítulos acadêmicos — de Os Quadrinhos na Era Digital (Marsupial, 2013) a Enquadrando o Real (Criativo, 2016) e o texto em inglês no volume Latin American Science Fiction: Theory and Practice. Quem procura só o “autor de livro de Amazon” perde a metade que explica o tom: Aragão lê charge, tira e infográfico com a mesma seriedade com que lê Verne e Farmer.

Prêmios, indicações e o que de fato pesa no currículo

O Argos aparece três vezes de forma inequívoca: melhor publicação por Intempol (2001), melhor conto por Viragem (2014) e melhor romance por A Mão Que Pune – 1890 (2019). Psicopompo foi indicada no 37º Prêmio Angelo Agostini (melhor colorista, com Carlos Hollanda) e no Prêmio Odisseia de Literatura Fantástica de 2021, na categoria de quadrinhos fantásticos. Intempol – Agora entrou na lista do HQ Mix de 2022. Em 2018, Aragão também integrou o júri do Anima Mundi.

Nada disso transforma o perfil num palmarés. Serve para situar o leitor que chega pelo título da Amazon e quer saber se há lastro fora da loja. Há: CLFC, universidade pública, editoras de gênero, quadrinho independente e circulação pontual no exterior (Inglaterra, Argentina, México, Estados Unidos, segundo a bio oficial).

Como acompanhar Octavio Aragão

O ponto de partida mais limpo é o site oficial, que reúne livros, HQs, SIQ e LeBlanc. O Instagram @aragaooctavio e o Facebook pessoal funcionam como diário público de lançamento e comentário sobre charge e edição. O currículo Lattes documenta a frente acadêmica; o blog antigo ainda guarda entrevistas e textos de época. Para quem quer comprar, o perfil de autor na Amazon concentra edições em português de romances, antologias e graphic novels — sem confundir o catálogo próprio com traduções e prefácios em que o nome aparece como colaborador.

Se a porta de entrada for um único livro, A Mão Que Cria mostra o método da ficção alternativa; A Mão Que Pune – 1890 mostra o mesmo método com mais fôlego e um chargista brasileiro no centro; Psicopompo mostra o roteirista de HQ; Alguém em Guernica Olha para Mim mostra o contista de três décadas. A Intempol, espalhada em antologias e quadrinhos, continua sendo o projeto que explica por que o nome não cabe numa ficha de “professor que também escreve”.

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Projetos de Octavio Aragão

A Mão Que Cria
A Mão Que Cria
Romance de 2006 em que Octavio Aragão mistura Júlio Verne, Moreau e Frankenstein numa França alternativa.
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A Mão Que Pune – 1890
A Mão Que Pune – 1890
Romance da Caligari que leva Angelo Agostini a uma jornada steampunk em 1890 e venceu o Argos de 2019.
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Psicopompo
Psicopompo
Graphic novel de Octavio Aragão e Carlos Hollanda sobre o trânsito entre vivos e mortos, pela Caligari.
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