Contexto e proposta de A negação do Brasil negro
A negação do Brasil negro parte da obra de Alberto Guerreiro Ramos para discutir como a sociologia brasileira tratou raça, dependência e imperialismo. Publicado pela Autonomia Literária em 2024, o livro traça um paralelo intelectual e militante entre Guerreiro Ramos e Gilberto Freyre, mostrando como interpretações concorrentes das relações raciais ajudaram a formar imagens distintas do país.
Jones Manoel examina a produção teórica de Guerreiro Ramos, um dos nomes centrais da sociologia e do nacionalismo brasileiro, com atuação destacada nos confrontos políticos e acadêmicos das décadas de 1950 e 1960. O autor recupera o projeto de Brasil associado a esse pensador, derrotado com o golpe empresarial-militar de 1964, quando Guerreiro Ramos teve o mandato de deputado cassado. A obra relaciona essa derrota às disputas atuais sobre racismo, dependência e soberania.
O título não é uma biografia nem uma homenagem. É um estudo sobre como o pensamento crítico brasileiro pode reproduzir, sem perceber, pressupostos racistas e reacionários ao interpretar a formação social do país. Jones contrapõe a leitura de Guerreiro Ramos à tradição associada a Gilberto Freyre e argumenta que a questão racial precisa ser pensada junto com imperialismo e dependência econômica.
O livro interessa a leitores de sociologia, história intelectual e estudos raciais, além de militantes que acompanham o debate sobre a atualidade do nacionalismo brasileiro. A escrita combina exposição conceitual e contextualização histórica, sem transformar o texto em manual acadêmico. É uma leitura útil para quem quer entender por que Guerreiro Ramos voltou ao centro das discussões sobre identidade nacional e projeto de país.
A edição está disponível na loja da Autonomia Literária, editora que também publicou a antologia Revolução Africana, organizada por Jones. Os dois livros ajudam a compor o mapa de referências do autor: o pensamento anticolonial africano e a sociologia crítica brasileira aparecem como partes de uma mesma pergunta sobre dependência e emancipação.




